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Servidores efetivos do Estado bloqueiam entrada da Sefaz para cobrar salários

Manifestação começou às 4h da manhã; manifestantes cobram salários atrasados e são contra o projeto de lei que autoriza o governo do Estado a usar recursos do Iper


- Fabio Calilo

Servidores efetivos do Estado bloquearam na manhã de ontem (5) a entrada da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) em protesto contra o atraso de salários e o projeto de lei encaminhado pelo Poder Executivo à Assembleia Legislativa (ALE) que autoriza o governo a utilizar os recursos do Instituto de Previdência de Roraima (Iper) para colocar em dias o os pagamentos atrasados há mais de 60 dias.

Os manifestantes chegaram ao prédio da Sefaz por volta das 4h da manhã e ficaram lá o dia todo. De acordo com a socioeducadora Dorinha Pereira, não foi permitida a entrada de nenhum servidor e a manifestação foi pacífica.

"Hoje [ontem], era a troca de plantão dos fiscais aqui da Sefaz. Então, nós trancamos o portão e o pessoal que iria viajar para Jundiá ficou do lado de fora. Não entra ninguém, só o vigia", disse a manifestante.

Este é mais um fechamento de órgão público que os servidores fazem. Três destacamentos da Polícia Militar (PM) estão interditados por familiares de militares, além do 1º Batalhão da Corporação, em Boa Vista. Todas as manifestações são por causa de salários atrasados.

RECURSOS 

Os protestos são organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Civis Efetivos do Poder Executivo de Roraima (Sintraima), contrário à utilização de recursos do Iper. Terça-feira (4), um novo projeto do governo estadual para retirar R$ 150 milhões da Previdência foi discutido na Assembleia Legislativa. A Justiça já manifestou oposição à proposta.

O presidente do Sintraima, Francisco Figueira, afirmou que essa crise pode ser resolvida sem "meterem a mão no dinheiro do Iper". Segundo o presidente, basta que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário terminassem com essa "guerra institucional".

"Existem outros meios, mas os Poderes não querem utilizá-los porque vai tirar recursos deles. Futuramente, nós vamos nos aposentar e podemos ficar seis meses sem receber a aposentadoria, ou recebendo ela em pedaços", frisou.

POSTO FISCAL JUNDIÁ

A fiscalização de todos os produtos que entram e saem de Roraima via rodovia passa pelo posto de Jundiá. Lá, os fiscais analisam notas, cobram os impostos que serão arrecadados pelo Estado e controlam a importação e exportação de frutas. Os servidores afirmaram que o posto no município de Rorainópolis, na divisa com o Amazonas, também será bloqueado.

Com o bloqueio, Roraima deixaria de arrecadar impostos e estaria com as portas abertas para a entrada e saída de mercadorias proibidas. O superintendente federal da Agricultura em Roraima, Plácido Alves, afirmou que a barreira do Jundiá "garante a sanidade do Estado".

"A barreira do Jundiá garante que o serviço está sendo feito e que não vá propagar a mosca da carambola para estado algum", alertou.

Integrantes do Ministério da Agricultura estão em Roraima para avaliar se a greve deixa o Estado vulnerável a novos casos da praga. O risco é que se deixe de exportar frutas por causa da falha na fiscalização.

"Corremos o risco da praga que está em outros municípios chegar a Boa Vista, ou que ela entre no Amazonas, se não for tomada um atitude enérgica do governo do Estado", afirmou.

O governo do Estado foi procurado pela reportagem, nas não houve resposta até a conclusão da matéria.

 

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