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Trabalhadores de terceirizada cobram três meses de salários atrasados

Empresa alega que não tem condições de pagar funcionários devido à falta de repasse do Executivo


Protesto foi realizado na manhã de ontem em frente ao Palácio Senador Hélio Campos - Edinaldo Morais/ Roraima em Tempo

Trabalhadores da empresa Limponge, que presta serviço ao governo do Estado, protestaram na manhã de ontem (9) em frente ao Palácio Senador Hélio Campos por causa de três meses de salários atrasados.

Os funcionários na limpeza da Universidade Virtual de Roraima (Univirr) e em escolas da rede estadual de ensino. Segundo eles, a situação está crítica e não há mais condições de trabalharem sem receber os atrasados.

Mesmo sem o pagamento, os trabalhadores afirmam que estão cumprindo expediente normal em seus locais de trabalho, mas devem paralisar as atividades, caso o salário não seja regularizado ainda neste mês.

Grávida e prestes a ter o bebê, Yasmim Remigio Silva, 25, conta que tem passado por dificuldades em razão dos constantes atrasos. Ela disse que está sem condições de comprar material e roupas para o filho, e teme que isso possa continuar depois da gravidez.

"A gente liga para a Secretaria da Fazenda e dizem que não tem previsão, que ninguém sabe quando será feito o pagamento. Ou seja, todo dia uma desculpa diferente. Não estão dando mais vale-transporte porque a empresa informou que esgotou o que tinha de reserva de dinheiro, que era para pagar a gente. Os salários que estavam sendo pagos eram com recursos da própria empresa", comentou.

Ela destacou que o governo do Estado não faz o repasse à empresa há pelo menos nove meses, o que tem dificultado a terceirizada a pagar os trabalhadores. Yasmim destaca que todos os trabalhadores estão com dificuldade até para se deslocarem ao local de trabalho porque não têm como pagar a passagem do ônibus.

Quem também está passando pelos mesmos problemas é Deyzielly Magalhães Alexandre, 26, que trabalha em uma escola estadual. Ela contou que tem dois filhos para criar, situação que tem sido difícil de fazer sem receber nada nos últimos meses, mesmo trabalhando todos os dias na unidade de ensino.

"Todos nós estamos no mesmo barco. Entrei de férias em junho e, desde que voltei a trabalhar, até hoje nunca recebi. Por isso, a gente veio fazer esse protesto e tentar falar com a governadora para que ela possa resolver essa situação, que está muito difícil. Estamos pagando para trabalhar", lamentou.

Segundo Deyzielly, a empresa está de acordo com o protesto, pois está sendo prejudicada também. "A dona da Limponge concordou com a paralisação porque todo tempo a gente 'tem passado a mão na cabeça' e só trabalhado. Nunca vamos receber assim os nossos direitos", concluiu.

A reportagem entrou em contato com o governo do Estado, mas não houve resposta até a conclusão da matéria.

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