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Veja relação dos presos nas Operações Escuridão e Tântalo com o governo de RR

Roraima em Tempo analisou, com base no Diário Oficial do Estado, os 15 presos nas ações; um está foragido


- Fabio Calilo

Em menos de uma semana, a Polícia Federal deflagrou duas operações em Roraima por desvio de dinheiro do sistema prisional e da merenda escolar. Ao todo, até o momento, foram presos 15 dos 16 envolvidos nas fraudes. O empresário Walter Mograbi Pinto Júnior segue foragido.

A Operação Escuridão, deflagrada em 29 de novembro, em parceria com o Ministério Público de Roraima, desarticulou uma organização criminosa que desviou mais de R$ 70 milhões do Sistema Prisional do Estado. Foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão. Entre os presos, estão o filho da governadora, Guilherme Campos, e o deputado estadual eleito Renan Filho, além de Ronan Marinho e Josué Filho, ambos ex-secretários de Justiça.

Na terça-feira (5), uma segunda operação foi deflagrada e batizada de Tântalo. Cinco mandados de prisão foram cumpridos, incluindo o do ex-secretário adjunto de Educação Shiská Palamitshchece.

VEJA PERFIS

Com base nas informações do Diário Oficial do Estado (DOE), o Roraima em Tempo traçou a relação dos presos com o governo estadual e quais funções cada um deles ocupou para estar ligado aos esquemas. As edições dos anos anteriores não estão disponíveis no Portal da Imprensa do Governo de Roraima, o que levou a reportagem a buscá-las em outros sites.

OPERAÇÃO ESCURIDÃO

Guilherme Silva Ribeiro Campos - filho da governadora, ele foi preso pelos agentes federais durante a Operação Escuridão. Guilherme é acusado de ser um dos proprietários da empresa terceirizada Qualigourmet, fornecedora de alimentos para os presídios do Estado. O filho de Suely Campos e Neudo Campos usava laranjas para contratar com o governo do Estado, segundo a PF.

Ele chegou a assinar algumas prestações de serviço junto ao governo, por meio da terceirizada Ribeiro Campos Empreendimentos Imobiliários. Conforme a PF, Guilherme recebia 30% dos valores em dinheiro sacado pelos "laranjas". Ele está preso em Brasília e não há previsão para transferência paraa Roraima.

Renan Bekel Filho - deputado estadual eleito neste ano pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB), Renan Bekel é casado com Simone de Oliveira, uma das presas na Operação Escuridão por fraude no sistema prisional. De acordo com o Diário da Justiça Eletrônico, os dois são casados desde 18 de outubro 2014.

Renan teve 2,6 mil votos e é apontado, com Guilherme Campos, como proprietário da Qualigourmet. Os dois movimentavam a empresa e atuavam com outros servidores para desviar os recursos públicos. Ele ficou detido no Comando de Policiamento da Capital. A reportagem não encontrou informações sobre cargos exercidos por ele no governo, tampouco contratos assinados envolvendo seu nome.

João Kleber Martins de Siqueira - conforme a PF, João Kleber é o dono da empresa terceirizada Qualigourmet. Ele comprou a terceirizada em 2016 de forma fictícia, tendo em vista que não possuía capital para efetivar a compra. Ele seria o principal laranja de Guilherme e Renan.

De acordo com informações publicadas no Diário do Estado, João Kleber assinou contrato com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), no valor de R$ 18 milhões, no dia 1º de dezembro de 2016, quando venceu pregão para fornecer comida aos presos. O contrato teve validade de um ano e atendia unidades prisionais de Boa Vista.

Em 30 de dezembro de 2017, um dia antes de vencer o contrato, um termo aditivo foi assinado e prorrogou o fornecimento por mais um ano. A vigência se encerrou no dia 1º de dezembro deste ano. O aditivo foi assinado pelo então secretário, Ronan Marinho, também preso na operação por envolvimento no esquema.

A justificativa para manter a empresa era "urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares" e "somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa".

A reportagem não encontrou o aditivo que prorroga o serviço junto à secretaria. No entanto, a Qualigourmet continua fornecendo marmitas aos presos.

Simone de Oliveira Cruz - é servidora da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), além de ser mulher de um dos investigados pela Operação Escuridão, Renan Bekel. Conforme publicação do Diário Oficial, Simone está de férias da secretaria, referentes ao mês de dezembro.

No entanto, ela encontra-se em prisão domiciliar, porque tem filhos pequenos. A reportagem não localizou os cargos ocupados em comissão por Simone, devido à falta de transparência no Portal da Imprensa.

Josué dos Santos Filho - além de ser ex-secretário da Justiça e Cidadania, Josué Filho é sogro de uma das filhas da governadora. De acordo com o site do Instituto de Previdência do Estado de Roraima (Iper), Josué Filho ocupa, atualmente, o cargo de diretor de Previdência do instituto.

Josué foi um dos citados durante a Operção Gárgulas e chegou a prestar esclarecimentos durante a CPI do Sistema Prisional, na Assembleia Legislativa. Ele ocupou o cargo até junho de 2016. As constantes fugas o levaram a ser exonerado a pedido da Justiça.

Breno Lampert - O empresário também foi preso na Operação Escuridão. Informações do Tribunal Superior Eleitoral dão conta de ele e Renan Bekel eram próximos. A segunda maior doação de campanha ao deputado eleito foi feita pelo empresário Lampert, no valor de R$ 20 mil. O dinheiro foi dado a ele no dia 17 de agosto deste ano, durante o período eleitoral.

Breno Lampert seria proprietário da Colim Serviços, que já prestou assistência ao governo de Roraima. Os contratos foram firmados com algumas secretarias. No Diário do Estado, foram localizados pela reportagem pessoas da família dele que já assinavam contratos como representantes de outras empresas.

Ronan Marinho Soares - outro preso na Operação Escuridão é o ex- secretário de Justiça e Cidadania e atual secretário-chefe da Casa Militar, Ronan Marinho. O salário para ocupar esta função é de R$ 23 mil, conforme o Portal da Transparência.

Em um dos vídeos divulgados pela PF, ele aparece sorrindo após pegar uma mala de dinheiro, que seria para pagamento de propina aos envolvidos no escândalo. Ronan está detido no Comando de Policiamento e foi flagrado andando livremente pelos corredores.

No Diário de 30 de novembro de 2018, Marinho continua como secretário-chefe da Casa Civil. O documento foi publicado nessa quarta-feira (5), seis dias após sua prisão.

Guderian Marseille Pacheco Rodrigues - representante da empresa G M P RODRIGUES - ME, Rodrigues assinou vários contratos para prestar serviços para o governo. Em abril de 2017, se dedicou à Secretaria de Justiça e Cidadania, alvo da operação. Não há o valor do contrato no Diário Oficial.

A reportagem localizou a assinatura de alguns contratos. A terceirizada recebeu quase R$ 6 mil reais para fornecer material de higiene e limpeza para a Procuradoria-Geral do Estado de Roraima. Também prestou serviços para a Secretaria do Índio e recebeu R$ 2,2 mil.

Em outro contrato assinado pelo acusado, a terceirizada prestou serviço de higiene e limpeza para a Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), gerida pela filha da governadora, Emília Campos. Pelos seis meses trabalhados, Guderian Marseille recebeu R$ 30 mil.

Marco Antônio Rodrigues de Barros - dono da empresa M.A. Rodrigues Barros Meirele- EPP, Marco aparece nos diários firmando contrato com as repartições no governo Suely Campos. Num deles, foi para atender justamente a Secretaria de Justiça e Cidadania.

À época, outra filha da governadora, Danielle Campos, assinou o contrato para a prestação de serviço à Casa Civil. A empresa representada por Marco Antônio prestou serviço à Sejuc e assinou até três prorrogações do contrato.

Consta num documento da Câmara Municipal de Boa Vista que Marco Antônio é servidor efetivo da Casa Legislativa. A data é de 2013 e o cargo ocupado por ele é de técnico legislativo.

OPERAÇÃO TÂNTALO

Shiska Palamtshchece Pereira Pires - ele foi adjunto da Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed). Preso na última operação da PF em Roraima, ele é adjunto da Secretaria Extraordinária de Gabinete Institucional (Segabi).

Antes de assumir o cargo na Segabi, Pereira também foi adjunto da Secretaria de Estado da Fazenda. A publicação de exoneração consta do Diário Oficial de outubro deste ano.  Desde essa data, ele é secretário-adjunto na Segabi.

Shiská foi secretário-adjunto na Educação e assumiu a função em setembro do ano passado, quando houve mudanças no primeiro escalão do governo. No mesmo mês da substituição, ele deixou o cargo de secretário-adjunto da Casa Civil, onde permanecia desde fevereiro de 2016.

Ele é apontado como envolvido no esquema e um dos mentores da fraude da merenda escolar. Atuava com outros servidores para conseguir desviar os recursos. O rombo chega a R$ 19 milhões.

Carlos Ribeiro da Silva - ele foi nomeado em 24 de julho de 2017 como chefe de Estoque da Secretaria de Educação para um cargo em comissão. Controlava o que chegava e saía do depósito da Pasta. Denúncias feitas pelo Roraima em Tempo mostraram a falta constante de itens no galpão principal para os alimentos.

Carlos também foi motorista e era ele quem entregava alimentos nos municípios de Roraima. Os Diários Oficiais mostram que foi autorizado a se deslocar por 14 cidades do Estado. Ele não entregou merenda apenas em Boa Vista.

Ele também chegou a ser nomeado assistente de gabinete, no dia 17 de julho, e ainda fiscalizou três processos de compra de alimentos. Carlos fiscalizava a compra e, possivelmente, atestava veracidade das informações da empresa.

Em 26 de janeiro deste ano, foi nomeado para assumir a presidência da Comissão de Vistoria Técnica dos Veículos de Transporte Escolar. Ele ficou responsável por acompanhar de perto a realidade do transporte no Estado. No entanto, até hoje, dezenas de empresas estão sem receber as faturas dos contratos.

No dia 21 de agosto, Carlos Silva foi exonerado do cargo de assessor especial para, em seguida, assumir a diretoria do Departamento de Apoio ao Educando. Em setembro, Carlos gozou de férias, conforme o Diário.

Maria Gabriela Campelo - em 20 de dezembro de 2017, Maria foi nomeada para o cargo comissionado de chefe de Sessão de Estoque na Secretaria de Educação. Ela controlava, assim como Carlos, o que entrava e saía do galpão destinado aos alimentos.

O DOE informa que em 2003 ela foi aprovada em um concurso público e em junho deste ano foi nomeada para ocupar o cargo de merendeira.

Maria passou por nomeação feita pelo então secretário, Josué Gomes da Silva, para substituir uma servidora na Comissão de Fiscais de Processos de Gêneros Alimentícios, em 23 de fevereiro de 2018. Entre fevereiro e março deste ano, fiscalizou cinco processos de aquisição de alimentos.

Já em junho, a servidora foi enviada como chefe de Sessão para Normandia. A missão foi fiscalizar e entregar a merenda às escolas da região. Ela foi acompanhada de cinco servidores. Desde então, visitou todos os municípios de Roraima, entre os dias 18 de junho e 20 de julho, para fiscalizar e entregar alimentos.

Walter Mograbi Pinto Junior - Não foi localizado pela Polícia Federal e segue foragido com o mandado de prisão em aberto. A reportagem não localizou identificada como sua, a Mograbi e Oliveira LTDA.

 

 

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