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Venezuelanos brigam por comida e água no quinto dia de apagão no país

No fim de semana, supermercados fecharam as portas, porque não tinham como manter produtos refrigerados


Algumas pessoas tentaram pegar água suja de rio poluído, mas foram impedidas por militares

Os venezuelanos lutam para conseguir água e comida frente à falta de luz no país, que já dura cinco dias. A escassez dos serviços se agrava com o passar dos dias, tendo em vista a não previsão de restabelecer o Linhão de Guri. No fim de semana, supermercados fecharam as portas, porque não tinham como manter produtos refrigerados.

Nesta terça-feira (12), milhares de pessoas foram às ruas protestar pela restituição dos serviços, em atendimento ao chamado do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó. Ele culpa o governo de Nicolás Maduro pela falta de investimentos no setor elétrico, o que teria ocasionado os blecautes.

"O que este governo tem feito é acabar ainda mais com o sistema elétrico do país", desabafou a venezuelana Ludwig Laborda, de 30 anos.

Um grupo de pessoas, 'em ato de desespero', foram ao rio Guire, na capital Caracas, que está com a água contaminada pela poluição. Elas levaram recipiente para trazer água, mas foram impedidas pelos militares da polícia venezuelana.

Em determinadas zonas do país, a comida está sendo cobrada em dólares, denunciou a imprensa venezuelana. Há registros de onda de assaltos pelo país, principalmente aos supermercados.

"Este episódio é uma nova etapa da deterioração pela qual passa o país, que trará radicalização de ambas as partes [Guaidó e Maduro], endurecimento de sanções e protestos", disse o analista Luis Vicente, conforme a Agência AFP.

Foto: Reprodução/Twitter/Juan Guaidó

Juan Guaidó e Nicolás Maduro convocam, constantemente, protestos pelo país. Os Estados Unidos já sinalizaram que os militares estão dialogando com deputados da Assembleia Nacional de como apoiar Guaidó. Atualmente, as Forças Armadas são controladas por Maduro, a quem recorre para permanecerem resistentes.

"Chegou a hora da resistência ativa na comunidade, informando, ajudando, promovendo a atuação solidária entre as famílias", discursou Maduro.

O principal opositor, Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como autoridade legítima da Venezuela, inclusive pelo Brasil, disse que logo precisará de um novo local para trabalhar, e tem certeza que buscará um escritório no Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano.

"O fim da usurpação está perto. Logo, logo vamos precisar de um novo ambiente de trabalho, provavelmente vou buscar um escritório em Miraflores", declarou durante manifestação em Santa Mónica.

ENTENDA

O primeiro apagão foi registrado na quinta-feira, dia 7. De lá para cá a situação se agravou. Ao menos 17 pessoas morreram nos hospitais do país em decorrência da falta de energia.

Os supermercados fecharam as portas, pois não têm como manter refrigerados os produtos. Os que permanecem abertos concentram um numeroso público.

Por conta da falha no Linhão de Guri, Roraima teve de acionar as cinco termelétricas para atender a demanda local. Não há previsão de a linha operar normalmente entre os dois países.

TUCURUÍ

Roraima é o único estado do Brasil que não faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN) e depende da energia venezuelana há quase 20 anos. O Estado aguarda ser ligado ao Linhão de Tucuruí, que está parado há anos, por conflito entre a Justiça, Funai, MPF e o governo.

No mês passado, a obra foi considerada como de interesse nacional e pode seguir sem consulta aos indígenas. A previsão é que o Linhão seja retomado em junho e fique pronto em três anos.

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