O golpe continuado na Venezuela

PLÍNIO VICENTE*

O que a Venezuela está vivendo é um caso especial: ataque continuado ao estado de Direito. Isso vem desde quando Hugo Chávez assumiu o poder e, usando as virtudes da democracia, se tornou o autocrata que moldou uma ditadura e a deixou para seu herdeiro Nicolás Maduro. O golpe de Chávez foi plantado no Conselho Supremo Eleitoral, que não só o fez presidente até a morte, como também manteve essa primazia que se tornou triunfo do chavismo até sabe-se lá quando. 

Desde então as autoridades publicas se sujeitam ao poder central, como fazem agora os juízes do Tribunal Supremo de Justiça. A Corte mais alta do país tornou-se o braço do Executivo na aplicação das leis marginais que sustentam essa grande farsa chamada bolivarianismo.  Portanto, não resta à Assembleia Nacional se não qualificar este regime tirânico como uma ditadura. Os argumentos são irrefutáveis quando o Poder Judiciário se transforma em descarado violador da ordem constitucional ao sobrepor suas ofensas ao sistema legal da Venezuela.

Uma camarilha se esforça para gerir os assuntos públicos de acordo com o capricho de seus líderes, que, claro, agem conforme o aconselhamento que recebem a partir de Havana. A desfaçatez é tão grosseira que, a ser levada em consideração a assertiva de que a Venezuela é vítima de intervenção estrangeira, esta tem sido aquela comandada pelo castrismo e seu fracassado modelo de socialismo.

“Uma camarilha se esforça para gerir os assuntos públicos venezuelanos de acordo com o capricho de seus líderes, que, claro, obedecem a ordens que recebem de Havana. A desfaçatez é tamanha que, a se levar em consideração a assertiva de que a Venezuela é vítima de intervenção estrangeira, esta tem sido comandada pelo castrismo e seu fracassado modelo de socialismo”.

Quando Luis Almagro, secretário-geral da OEA, apresentou relatório condenando os atos dos porta-vozes da ditadura, estes reagiram vociferando que “estão invadindo a terra de Bolívar, o Libertador, e de Chávez, o eterno comandante”. Usam falsos argumentos para refutar os países que apoiam o relatório de Almagro garantindo que há democracia na Venezuela e que a condenação do governo bolivariano “é uma ameaça à soberania nacional”.

A Venezuela é uma ditadura que está destruindo as lideranças civis, intelectuais e políticas que não rezam pela sua cartilha. O presidente Nicolás Maduro fala de soberania e liberdade ao mesmo tempo em que dá de ombros a milhões de pessoas que não têm o que comer e que foram atiradas na miséria.

O que interessa aos asseclas dessa ditadura comandada por Maduro é permanecer no poder. Não se importam com nada desde que possam se alimentar da hemorragia que faz sangrar as finanças públicas e esvazia as instituições democráticas impedindo a reação dos cidadãos. Se não houver um estancamento dessa sangria, os chavista seguirão vergonhosamente colocando seus interesses pessoais acima dos interesses maiores da sociedade. Aos que ainda estão em liberdade é hora de lutar sem medo, sem olhar para as idiossincrasias naturais de um radicalismo sem sentido, a fim de que, com o verdadeiro patriotismo, possam ajudar sua pátria, a Venezuela sonhada por Simon Bolívar, a retomar os trilhos da verdadeira democracia.

*O autor é jornalista e editor de Economia e Mundo do jornal RORAIMA em tempo. plinio.vsilva@hotmail.com