Países Baixos: controlando a água com educação – Conclusão

RONALDO MOTA*

Concluindo minha análise sobre as virtudes encontradas no sistema de ensino da Holanda, repito, para a retomada da conversa, que as aulas, em geral, são de segunda a sexta, das 8h30 às 15h, sendo que o número total de aulas deve obrigatoriamente completar 940 horas por ano. Vale ressaltar que a educação é gratuita dos 4 aos 16 anos, ainda que seja permitido às instituições solicitar contribuições voluntárias que variam de escola para escola. Adicionalmente ao sistema estatal, há opções privadas de escolas internacionais, bem como de métodos educacionais específicos (Montessori, Steiner etc.) ou de grupos religiosos (católicos, judeus, protestantes, islâmicos, entre outros). 

Aos doze anos, o aluno segue para educação secundária. Neste nível há que ser feita a escolha por caminhos distintos, sendo que a definição entre eles é basicamente fruto de um teste aplicado no oitavo ano primário. As preferências dos pais e dos próprios alunos são levadas em conta, mas a recomendação da escola primária é a mais relevante. Um dos ramos é educação vocacional preparatória, com dois anos básicos acrescidos de dois anos seguintes dedicados a setores técnicos bem definidos: técnico, agrícola, econômico e cuidados sociais. Outro ramo é preparatório para universidade, incluindo a educação profissional superior, sendo que após os dois primeiros anos há que ser feita opção entre as áreas: cultura, economia, saúde e tecnologia. Findos os 4 anos, há um período de aproximadamente um ano dedicado à aprendizagem independente de preparação ao ingresso à educação superior. Um terceiro caminho tem ênfase inicial em línguas clássicas, latim ou grego, bem como francês, alemão e inglês. Há, nos dois casos anteriores, a opção de que metade das aulas sejam necessariamente ministradas em inglês.

“Um quarto da Holanda está abaixo do nível do mar e três quartos seriam inundados com frequência se a natureza fosse deixada sem controle humano. A água, ao invés de inimigo potencial, transformou-se na maior aliada, sendo que 60% do território é ocupado por pôlders, terrenos baixos e alagáveis protegidos por diques e utilizados para moradia e, especialmente, para produção agropecuária”.

Para aqueles que seguiram em direção ao ensino superior, há dois grupos bem distintos: universidades orientadas para pesquisa ou instituições vocacionadas. As taxas dependerão da instituição de ingresso, sendo que cidadãos europeus pagam aproximadamente um terço do que é cobrado de estudantes internacionais.

Há dois comentários rápidos e que, por certo, demandariam um aprofundamento que este texto não permite. Embora não fique tão claro, os mecanismos gerais, desde a pré-escola à seleção da universidade, tendem a fazer com que pais mais escolarizados ou com maior renda tenham opções de mais longa escolaridade e de mais qualidade para seus filhos, dificultando grandes mobilidades sociais. Por outro lado, o sistema aparenta ser bem mais relaxado e menos competitivo do que países como Singapura, Japão ou Coréia do Sul, garantindo, em média, cidadãos e profissionais tão bem preparados como nos países citados, porém, mais felizes e bem mais solidários. Pelo menos é o que parece a um observador ocasional, ainda que atento.

*Reitor da Universidade Estácio de Sá.