Perspectiva positiva

LUIZ GONZAGA BERTELLI*

A taxa de desemprego no País apresentou queda no 2º trimestre deste ano, o primeiro recuo desde dezembro de 2014, ano do início da atual crise econômica. O índice do final de junho ficou em 13% – 0,7 ponto percentual a menos em relação ao período anterior. A maioria dos trabalhadores recém-contratados não tem carteira assinada. Foram para a informalidade ou para trabalhar por conta própria em razão das dificuldades encontradas no mercado. Só assim conseguiram uma forma de manter sua subsistência e, em muitos casos, a de famílias inteiras.

Os dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), coletados em pesquisa ampla e com alto grau de confiabilidade, mostram uma melhora na angustiante tendência de desemprego nos últimos anos, mas não representa uma reversão total no quadro. O qual, se sabe, deverá ser mantido ainda por mais algum tempo até que os marcos regulatórios da economia brasileira sejam melhor ajustados. Sabe-se também que, em época de crise, o mercado de trabalho costuma ser o último setor a sair dela, como se está vendo na atual realidade. No entanto, não deixa de ser uma perspectiva positiva para uma recuperação que se desenha mais adiante e ela vem com sinais bastante animadores.

No segundo trimestre, como se pode depreender do amplo noticiário a respeito, ainda foram fechadas 75 mil vagas com carteira assinada. No entanto, é preciso levar em conta – e por isso comemorar – que 442 mil postos sem carteira foram criados e, pelo menos, 396 mil pessoas passaram a trabalhar por conta própria. Notícia melhor não haveria neste momento de larga preocupação no mercado de trabalho.

Há mais, entretanto, a ser considerado. É necessário lembrar que o desemprego costuma afetar maciçamente a camada mais jovem da população ativa, chegando a cifras que ultrapassam os 30%. O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), instituição filantrópica com 53 anos de experiência em sua missão de favorecer à inserção de jovens no mercado de trabalho por meio do estágio e da aprendizagem, vê nesses dois mecanismos oportunidades salutares para capacitar os jovens e dirimir as taxas de desocupação entre eles.

Pelo programa Aprendiz Legal – que forma atualmente 75 mil jovens de 14 a 24 anos, em empresas, órgãos públicos e entidades pelo Brasil – o CIEE contribui para a diminuição das perversas estatísticas, oferecendo, além do treinamento prático, aulas teóricas em várias modalidades de atuação. Com isso, o jovem ganha um respaldo para iniciar com qualidade sua trajetória profissional. Além disso, ainda auxilia grandes e médias empresas no cumprimento da legislação, que determina a contratação de cotas de aprendizes. Investir na aprendizagem é investir no emprego e na segurança para os jovens. É combater o trabalho infantil e garantir um futuro mais promissor para todos.

 

*O autor é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).