Polícia

Delegada informa que jovem não foi presa em flagrante pela morte do companheiro

Conforme a delegada, Neliza Pereira alegou que foi um incidente e não teve intenção de matar o marido

Créditos: Nonato Sousa
- Divulgação

A delegada Rozane Wildmar, da Polícia Civil em Pacaraima, retificou nessa quarta-feira, ao Roraima em Tempo, a informação sobre a prisão em flagrante da índia Neliza Peri Pereira, 23, por homicídio qualificado, acusada de matar o companheiro Alexsandro Melquior da Silva, 24, ambos da etnia Macuxi, no município de Uiramutã.

De acordo com Rozane, não ficou devidamente caracterizado homicídio qualificado. Neliza foi ouvida e vai responder à investigação do caso em liberdade. A delegada disse que a princípio o crime foi classificado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

"O fato narrado até o presente momento configura homicídio culposo. Segundo a suspeita, Alexsandro, em uma cena de ciúmes e sob efeito de bebida indígena [caxiri], disse à esposa que ela iria passar esse Natal sozinha. Depois, colocou a lâmina do canivete no próprio pescoço. Neliza disse, que desesperada, agarrou o cabo do canivete para tirá-lo de Alexsandro e nesta reação a 'arma' o penetrou causando as lesões que o levaram a morte. Ela tentou socorrê-lo, mas não teve êxito", informou.

Ainda de acordo com a delegada, não houve testemunha ocular (presencial) do crime. Ela disse que vai aguardar o laudo cadavérico expedido pelo Instituto de Medicina legal (IML), sobre a causa da morte de Alexsandro, e da Criminalística para ter mais elementos que "confirmem ou neguem as afirmações".

"Ela não foi autuada em flagrante, portanto aguardará em liberdade. Até porque a detenção dela no município de Uiramutã ocorreu por volta das 16h30 do dia 3 [segunda-feira], mesmo dia do crime e, em razão da falta de viatura, a Polícia Militar só conseguiu apresentar a suspeita na delegacia por volta das 18h de terça-feira [4]", destacou a autoridade policial.

CASO

A morte de Alexsandro ocorreu na tarde de segunda-feira, mas só na tarde de terça, quase 24 horas depois, o corpo dele chegou ao Instituto de Medicina Legal (IML) em Boa Vista para o exame cadavérico.

Conforme a reportagem do Roraima em Tempo apurou, por meio do relatório dos policiais militares que atenderam a ocorrência, a demora ocorreu devido à dificuldade de acesso ao local, e também a problemas estruturais, como a falta de viatura e pessoal no pelotão da Polícia Militar em Uiramutã.  

Na manhã dessa quarta-feira, por volta das 10h, um irmão de Alexsandro esteve no IML e assinou a liberação do cadáver para o velório e sepultamento. Ele informou que ia levar o corpo do irmão para ser sepultado na comunidade de origem da família, a Arapá, também em Uiramutã. A reportagem conversou com o irmão, mas ele não soube informar sobre a circunstância da morte de Alexsandro.

 

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