Questão de Opinião

A ética e as relações étnico-raciais

Reflexão de Plínio Vicente, segundo ele, é um fragmento da observação de muitas experiências do cotidiano


A reflexão que aqui apresento aos leitores é um fragmento da observação de muitas experiências do cotidiano nas diversas relações humanas vivenciadas em sociedade. A pergunta que faço é a seguinte: É possível considerar que, alguém sendo boa pessoa, possa privar-se da ética e não respeitar seu próximo?

Nessa perspectiva, penso que talvez a capacidade de ser um bom cidadão, entre outras coisas mais, é exatamente, em primeiro lugar, comportar-se com os outros com solidariedade, responsabilidade e justiça.

Ademais, deve aprender a usar o diálogo nas mais diferentes situações e comprometer-se com o que acontece na vida da comunidade e do seu próprio país. Digo isto porque são esses valores que urgentemente necessitamos nos dias de hoje e que deveriam ser aprendidos por todos nós. 

A construção das relações interpessoais dentro das instituições do universo humano necessitaria ter o objetivo explícito de introduzir a capacidade holística na resolução de conflitos internos (psicológicos) e na sua localidade dos espaços de convivência. Uma possibilidade também de ações que levariam a reflexão de conceitos culturais e raciais que entrelaçam o convívio dos seres humanos.

Cabe aqui destacar que a ética e étnica são termos totalmente diferenciados, com diversas significações que provocam discussões no contexto da realidade brasileira. A relação das duas concepções aqui defendidas é o de que a etnia deve ser vista como uma diversidade que realça a dignidade humana e a sua cidadania, não como um elemento que avalia o ser humano por meio de uma escala de valores preconceituosos, como: bem x mal, superior x inferior, feio x bonito e tantas outras formas.

Por seu lado, a ética é a ciência que estuda o comportamento e a moral do ser humano, elenca atitudes profissionais pelas quais julgamos se certo ou errado, bom ou ruim, comportamento adequado ou inadequado.

Conceitos estes que agregam valores tornando o ser humano um ser enriquecido de conhecimentos e com capacidades para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Ao longo da construção do nosso país, discriminação, racismo e preconceito sempre fizeram parte da vida da população dos negros (afrodescendentes), das culturas rurais dos sertões, dos quilombos e dos indígenas, refletindo-se ainda mais na vida das mulheres, homens e crianças que herdaram de sua liberdade após o fim da escravidão a pobreza social e econômica. Fruto de tal situação exploradora que, após mais de 500 anos de existência, pouco se mudou.

Muitos anos depois houve uma tentativa de alterar este quadro de racismo e o preconceito étnico, a partir da Educação. Contudo, e infelizmente, ainda nos dias de hoje podemos afirmar que o processo de desqualificação de um sistema tão arraigado de preconceitos e armado sobre os domínios das classes de antigos colonizadores, ainda será uma luta difícil e duradoura.

Thales Aguiar é jornalista e escritor. [email protected]

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