Questão de Opinião

A nação dividida em dois extremos


PLINIO VICENTE* 

"O brasileiro tem certa dificuldade para entender a História, ou de até mesmo puxar na memória algo de que já se tem conhecimento. Como, por exemplo, o fato de nesta eleição os dois postulantes à Presidência serem extremistas: um de extrema-esquerda, pau mandado de um prisioneiro; outro de extrema-direita, com estilo muito próximo do militarismo".

Fernando Haddad comanda agora o "Programa Lula", em que o Partido dos Trabalhadores, com todas as letras, ameaça "refundar a democracia": controlar a mídia, desfazer privatizações, acabar com a reforma trabalhista e restaurar o regime de exploração do petróleo que arruinou a Petrobrás. Ou seja, fazer dela, novamente, um queijo suíço.

Pior de tudo é ver Haddad, marionete de Lula, receber ordens de um prisioneiro. Não há dúvida de que, vencendo o petista, a cela em que ele está preso em Curitiba será transformada no novo gabinete presidencial, bem longe do Palácio do Planalto. Estes argumentos já seriam motivos de sobra para escolher entre um candidato e outro, ou seja, vão facilitar a escolha. Na verdade, falta coerência ao eleitor: se ele não aceita que bandido comande o crime de dentro da prisão, como aceita votar em quem recebe ordens dentro de uma cela?

Jair Bolsonaro, embora como pessoa tenha um monte de defeitos, agrada aos que não querem o comunismo. Defende a privatização, corte de gastos, o fim da Lei Rouanet para artistas já consolidados, o fim do uso de dinheiro público para financiar movimentos partidários, MST, CUT e ONGs. E vai além: aumento do Bolsa Família e o combate às fraudes no programa, diminuição dos ministérios, combate à corrupção, fim do imposto sindical, CPMF nem pensar e a manutenção do 13º salário, entre outros temas que geraram tanta polêmica no primeiro turno.

O brasileiro tem certa dificuldade para entender a História, ou de até mesmo puxar na memória algo de que já se tem conhecimento. Como, por exemplo, o fato de nesta eleição os dois postulantes à Presidência serem extremistas. De um lado, o candidato do PSL, de extrema-direita, com estilo muito próximo do militarismo, regime este que, no Brasil, Argentina e Chile, juntos, matou quase 35 mil pessoas; no outro, o candidato do PT, de extrema-esquerda, com um estilo que vai muito além de assassinar a economia do País e encher os bolsos de seus líderes. Se pegarmos só os dados da China e da União Soviética, esses regimes, juntos, mataram 85 milhões de pessoas. Dificilmente Haddad e Bolsonaro seguiriam tão rigidamente a linha de Pequim e Moscou. Será? Parece que o brasileiro quer pagar para ver.

Parafraseando os tribunos romanos, "preferimos a dúvida de sermos devorados por um único leão do que a certeza de sermos devorados por centenas de ratos". No dia 28 vamos escolher entre a certeza e a dúvida. Petistas, cúmplices e simpatizantes do maior caso de corrupção da História vão de Fernando Haddad; do outro lado, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do Exército sem envolvimento com corrupção, que vem embalado com o apoio de liberais e conservadores, católicos e evangélicos, nacionalistas e militares. Mas isso é democracia. Como definiu o estadista britânico sir Winston Churchill, a pior forma de governo, com exceção de todas as demais.

*O autor é jornalista, editor de Opinião, Economia e Mundo do jornal RORAIMA em tempo.


Plinio Vicente

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