Questão de Opinião

A Segurança Pública roraimense está na UTI

Roraima, definitivamente, já deixou há muito tempo de ser um dos lugares considerados como dos mais seguros para se viver


Recentemente assisti atônito em meio televisivo um roubo de uma bolsa feminina no bairro Cambará. O criminoso não usou qualquer tipo de objeto como arma, lançando mão apenas de uma rápida e eficaz força física para obter para si o patrimônio da vítima.

A surpresa, no entanto, foi o modo como o crime foi perpetrado, uma vez que ambos (criminoso e vítima) estavam em suas motocicletas e em pleno movimento. O criminoso emparelhou sua motocicleta ao lado da vítima e puxou fortemente a bolsa que estava pendurada em seu braço direito, acarretando violenta queda da moça que conduzia sua moto.

Roraima, definitivamente, não é mais um dos Estados mais seguros para se viver. Segundo dados tabulados pela ferramenta "Monitor da Violência" do site G1, publicados em fevereiro último, tendo por base o ano de 2018, Roraima registrou a surpreendente marca de um dos Estados mais violentos do País.

E o pior, enquanto outros Estados trabalharam arduamente para reduzir seus índices, somando forças para alcançar a positiva redução de 13% no número de mortes violentas no Brasil em 2018, Roraima caminhou a passos largos rumo a soturna e desesperadora marca de 54% a mais em mortes violentas (345 mortes violentas), comparadas com o ano de 2017 (224 mortes violentas), colocando o Estado na contramão do resto do País.

Como pode um Estado com pouco mais de quinhentos mil habitantes (o que seria equivalente a um bairro de Manaus), chegar a patamares de violência que beiram o absurdo? Como chegou-se a tal situação?

A resposta de teor complexo depende de diversas variáveis, mas como profissional de segurança pública e amparado em constitucional juízo opinativo, sei que a maioria das variáveis convergem na negligência por parte do Poder Público, acarretando a situação caótica em que se encontra o Estado Roraimense.

Tal situação entristecedora ocorreu em velocidade vertiginosa, que acabou por pegar toda população de surpresa, não dando tempo aos roraimenses de preparar qualquer ato de contingenciamento, como ocorreu em grandes capitais, que durante anos foram sofrendo com a insegurança e tiveram que inovar em providências, a exemplo da criação de condomínios fechados.

Roraima é exemplo patente de que Governar não é para qualquer um. Requer preparo técnico, sensibilidade aguçada às necessidades da população e, principalmente, acompanhamento cuidadoso de políticas públicas vitais, como a segurança pública, sob pena de condenar toda uma sociedade ao caos, como no caso do nosso Estado.

Infelizmente, a segurança pública roraimense adoeceu, não foi medicada a contento, acabou indo parar no hospital e foi negligenciada. Agora, encontra-se na UTI em estado grave, necessitando de urgentes cuidados, pois se for mais uma vez esquecida, fatalmente a próxima vítima, como do caso citado no início do texto, pode ser um de nós. 

HERON SILVA - O autor é Delegado de Polícia, MPA em Direito do Estado com Ênfase em Controle Externo pela FGV/RIO, Especialista em Direito em Administração Pública pela Univ. Castelo Branco/RJ, Bacharel em Administração e Professor de Ensino Superior.


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