Questão de Opinião

Abundância de presos políticos na Venezuela


"Delcy Rodríguez, ex-chanceler de Maduro e por ele levada à presidência da Constituinte e depois a vice-presidente do país, atua como se fosse copilota do ditador. Com seu jeito intempestivo, não gera confiança e muito menos tranquilidade no seio da classe política. Nem mesmo dentro da sua agremiação, o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV)"

O fato de a Assembleia Nacional Constituinte ter decidido se convocar em "caráter urgente", deputados da oposição, legalmente escolhidos através do voto da maioria esmagadora dos venezuelanos e não de um pequeno grupo de militantes do partido governante, não tiveram dúvida: se refugiaram em outros países antes que a polícia do ditador Nicolás Maduro os levasse para lugar incerto e não sabido. E lhes desse um fim, como ocorreu recentemente com o vereador Fernando Albán.

Delcy Rodríguez, ex-chanceler de Maduro, por ele levada à presidência da Constituinte e depois à vice-presidente, atua como se fosse copilota do ditador. Age na ânsia de estar sempre em primeiro plano e seu caráter intempestivo, nada moderado, além da permanente linguagem ofensiva, não gera confiança e muito menos tranquilidade no seio da classe política. Nem mesmo dentro da sua agremiação, o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV). 

A atmosfera que prevalece entre os "constituintes" é de medo, que aflige os autores ds poucas iniciativas e propostas que são ouvidas em silêncio. O fato de decidir sobre um ato tão radical, como privar de liberdade deputados da legítima Assembleia Nacional e da imunidade que a lei lhes dá, diz muito sobre a maneira como as questões fundamentais são tratadas quando vem a ordem de se cumprir um desejo expresso do poder executivo. 

Tal é o desespero de cumprir essas ordens e deixar satisfeito o chefe máximo que, em sua ânsia, Delcy esquece que um dia terá de prestar contas e que tudo o que faz de mal pesará contra ela. Mesmo que esse tudo tenha um único propósito: levar a acreditar que os chavistas estão fazendo o possível para cumprir as disposições da Constituição. Então, se um deputado externa opinião própria, contrária ao chavismo, a ordem de Delcy, toda "soberana", é: cadeia nele. 

O Palácio Miraflores, sede do governo, estabeleceu que toda demanda governamental só pode ser tratada via Constituinte. Foi a maneira encontrada para obrigar os aliados se sujeitarem a fazer o que manda o chefe. O que impede, inclusive, que ousem desrespeitar o modo imposto de se comportar aqueles que têm nas mãos o poder de mandar e desmandar na Venezuela. Isso faz temer que o resultado de suas deliberações seja apenas para atender ao que determina o Poder Executivo na estratégia de  consolidar sua hegemonia. 

Assim, não é surpresa que Delcy Rodriguez, capacha do ditador Nicolás Maduro, tenha mandado o Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), a polícia secreta de Maduro, perseguir opositores. Chegou ao ridículo de pedir à Interpol a prisão dos políticos refugiados em outros países, como se bandidos fossem. Pior que isso: ela defende abertamente que se dê sumiço a qualquer opositor que se contraponha abertamente ao governo. Um trabalho e tanto, dada a abundância de presos políticos que há na Venezuela.

*O autor é jornalista, editor de Opinião, Economia e Mundodo jornal RORAIMA em tempo. [email protected]


Plinio Vicente