Questão de Opinião

As catástrofes ambientais e a falta de bom senso

Créditos: PLINIO VICENTE

As catástrofes ambientais e a falta de bom senso

 

PLINIO VICENTE*

 

"Diante das evidências que aí estão não comporta nenhum engano afirmar que a espécie humana está passando por um grande desafio. As catástrofes ambientais, em razão do acúmulo descontrolado de CO2 na atmosfera, serão cada vez mais terríveis e sem previsão matemática de modelos do clima: desabrigando, inundando, sufocando e ceifando preciosas vidas". 

 

As catástrofes ambientais que atingem as mais diferentes regiões do planeta Terra, como, por exemplo, erupção vulcânica na Guatemala e em outros países mundo afora, terremotos com tsunami na Indonésia, tufões no Japão, na China e em outros países do Pacífico, furacões nos EUA, México e Caribe e até um tornado em Itaperuçu no Paraná, Brasil, não são eventos isolados. Todos estão, sim, concatenados numa sequência de fatores que ultrapassam o fenômeno do efeito-estufa e repercutem em terríveis mudanças climáticas localizadas, produzindo catástrofes ambientais imprevisíveis e sem precedentes.

Aliás, o efeito-estufa é um fenômeno natural e necessário para manter a vida e uma temperatura segura no planeta Terra, incluindo gases em quantidades ideais como o CO2, metano, óxidos de azoto, ozônio, entre outros presentes na atmosfera. Entretanto, o problema urgente é o aumento descontrolado do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, principalmente devido à queima das florestas, do carvão e de outros combustíveis fósseis.

Diante das evidências que aí estão não comporta nenhum engano afirmar que a espécie humana está passando por um grande desafio. As catástrofes ambientais, em razão do acúmulo descontrolado de CO2 na atmosfera, serão cada vez mais terríveis e sem previsão matemática de modelos do clima: desabrigando, inundando, sufocando e ceifando preciosas vidas.

Dessa forma, num cenário ambiental caótico, catastrófico e irreversível, serve de alerta o profético filme "Planeta dos Macacos", do original de 1968. Nele, o astronauta Taylor, estrelado pelo ator Charlton Heston, sobrevivente de uma missão espacial, aterrissa num planeta similar à Terra e, num determinado momento, cavalgando pelas areias de uma praia, descobre os destroços da famosa Estátua da Liberdade, em Nova York.

Numa cena emblemática, ele descobre, para seu espanto, que está no mesmo planeta Terra, mas do futuro, dominado por uma espécie de símio que escraviza seres humanos - estes são mudos; aqueles, falantes. Imediatamente vem à cabeça do astronauta um insight: os humanos se destruíram!

O filme tem um cenário futurístico e alarmante. Entretanto, para evitar que a ficção vire realidade, é preciso, com bom senso, que as sociedades mais avançadas ajam urgentemente de forma a desconstruir o discurso sem base científica, vazio, incauto, superficial, epidérmico e "nonsense" de alguns agentes políticos nacionais e internacionais que atribuem as mudanças climáticas a fatores meramente conspiratórios.

Detalhe: a situação do clima global é gravíssima. Minimizar essa realidade por meio de um discurso simples, demagógico e hipócrita é ser cúmplice, omisso e participante da destruição do meio ambiente global, do desaparecimento de muitas espécies da fauna e da flora pelo mundo afora, além de empurrar mais um pouco a espécie humana para a beira do abismo do desaparecimento.

 

*O autor é jornalista, editor de Opinião, Economia e Mundo do jornal RORAIMA em tempo. [email protected]


SEE ALSO ...