Questão de Opinião

Crise Migratória e Insegurança Pública

Criminalidade na cidade de Boa Vista sempre existiu, no entanto, em taxas que praticamente não incomodavam a população


A criminalidade na cidade de Boa Vista sempre existiu, no entanto, em taxas que praticamente não incomodavam a população. Hodiernamente, as taxas de criminalidade cresceram de forma vertiginosa, ocasionando uma persistência escandalosa no aumento da insegurança pública.

Essas taxas criminais são frutos de vários fatores, como o aumento das organizações criminosas no Estado pelo comércio e transporte de drogas, pela ineficaz política de segurança pública de governos passados no combate ao crime e, também, pelo êxodo dos irmãos venezuelanos para o Estado, sendo isto um fato existencial, aceitemos ou não.

Ora, não seria para menos. Os irmãos venezuelanos são um "prato cheio" para as organizações criminosas que atuam no Estado, por conta de sua situação fragilizada, passando os refugiados a serem arregimentados por tais organizações, em razão de sua condição social.

Um exemplo de tal assertiva foi a notícia veiculada no Jornal Roraima em Tempo (edição de 04 de junho), onde a polícia conseguiu capturar venezuelanos com dinheiro, celulares e um possível revólver da Polícia Militar.

Indago aos queridos leitores: onde os criminosos conseguiram uma possível arma (quem sabe roubada) da PM? Pela nossa experiência, possivelmente conseguiram com outros criminosos que já atuam no Estado.

Tal fato é alarmante, uma vez que revela que alguns refugiados estão no caminho ilícito do crime, quebrando, inclusive, a confiança e a benevolência humanitária depositada em sua chegada.

Registre-se de forma pontual, até para elucidar ao movimento dos "politicamente corretos", que não somos contra qualquer imigrante; pelo contrário, ajudamos muito no que podemos e sem exibicionismos; o que estamos a opinar é que o crime deve ser combatido e a lei deve ser respeitada por todos, refugiados ou brasileiros.

As forças de segurança estão tentando de todas as formas combater a criminalidade em Roraima, mesmo sem estrutura e até pouco tempo sem salários, mas os resultados ainda são infrutíferos, uma vez que essa problemática começa na fronteira por conta do ingresso em massa de refugiados que, diga-se, na maioria das vezes sem documentação, o que inviabiliza um controle efetivo de quem está ingressando no Estado, haja vista não se saber se é um refugiado pai de família necessitado, ou se é um criminoso de alta periculosidade que atuava no país vizinho.

Para implementar uma solução de efetividade para o caso é necessário toda uma atenção e envolvimento por parte dos poderes públicos (Governo Federal, Estadual e Municipal), focando em estratégias de planejamento e controle, para tentar impedir que os imigrantes venham a ser recrutados pelo crime já existente no Estado Roraimense, sob pena de perdermos as palavras de Thomas Hobbes, em seu livro "Leviatã", que aduz que a segurança pública existe para manter a paz e a organização da sociedade. 

HERON SILVA - O autor é Delegado de Polícia, MPA em Direito do Estado com Ênfase em Controle Externo pela FGV/RIO, Especialista em Direito em Administração Pública pela Univ. Castelo Branco/RJ, Bacharel em Administração e Professor de Ensino Superior.

 

 


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