Questão de Opinião

Denarium está bem intencionado, mas ainda precisa se impor

Quando se lançou candidato ao governo Antônio Denarium jamais imaginaria o que viria pela frente


Não deve ser fácil para um empresário acostumado a gerir seu próprio negócio passar a administrar um Estado com mais de R$ 6 bilhões de dívidas deixadas por governos passados. Quando se lançou candidato ao governo Antônio Denarium jamais imaginaria o que viria pela frente.

Na campanha muitas eram as soluções para o pequeno e pobre Roraima. Estancar a sangria, impulsionar o agronegócio e trazer investidores. E não duvido que se ele tiver tempo e condições fará isso. Mas a população tem pressa - isso não vai mudar.

Entretanto, pouca coisa aconteceu até agora. Os servidores ainda estão calejados das trapalhadas de Suely Campos e sua trupe; os terceirizados agonizam com meses de salários atrasados; muitos alunos estão sem aulas no interior do Estado; os trabalhadores do transporte escolar vivem um drama com carros parados e dívidas acumuladas; no Hospital Geral de Roraima os problemas são os mesmos. Portanto,  seria injusto colocarmos a culpa única e exclusivamente na atual gestão.

É fato que Denarium ainda não aplumou. Ele ainda não conseguiu achar o caminho para o tão sonhado desenvolvimento. Cortar na própria carne e tomar medidas impopulares fizeram dele um alvo fácil nas redes sociais.

A modinha da campanha movida pelo fenômeno Bolsonaro deu espaço aos ataques gratuitos e cheios de ódio. Quem perdeu a "boquinha" do cargo comissionado ficou com raiva; quem estava na expectativa de uma chance e não conseguiu se frustrou.

Sem contar com o drama vivido pelos concurseiros da Polícia Militar e a ducha de água fria nos candidatos no concurso da Polícia Civil. Servidores concursados da Codesaima também foram demitidos. Motivo: não há condição financeira para pagar seus salários.

Mas fazer Roraima sair desse marasmo vai além do discurso bonito. Neste momento é preciso moralizar nossa gente. De roraimenses a roraimados, não importa. Aquela máxima de "quanto pior, melhor" só vale para os incompetentes e oportunistas.

Denarium foi escolhido democraticamente e ele deveria ter essa missão até o fim, embora saibamos que existem processos na Justiça que podem prejudicá-lo. Mas qual a fórmula para Roraima crescer, se desenvolver e ter dias melhores? Não existe, é fato. Principalmente porque há mais gente querendo atrapalhar do que ajudar.

Nos bastidores se fala da influência de velhas raposas dentro dos cercados do governo do Estado. Por isso, já está na hora de hora de ele bater na mesa e dizer: "Aqui quem manda sou eu".

Há quem diga que o governador está confiante e apagando os incêndios para poder iniciar a reconstrução de Roraima. Para isso, ele precisa tirar as raposas do galinheiro e manter ao seu lado apenas aqueles que querem o bem do Estado.

Na base do toma lá, da cá não teremos resultados até o fim do mandato. E nessa missão a ação mais inteligente e eficaz é colocar para fora do Palácio e secretarias os encostos que não amam Roraima nem Antônio Denarium. O tempo está passando!

BRUNO PEREZ - o autor é jornalista e apresentador da TV Band Roraima e rádio 93 FM.

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