Questão de Opinião

Em terra de cego quem tem um olho é Rei

Quem nunca foi pessimamente atendido por um vendedor em uma loja no centro, num shopping da cidade ou e um restaurante?


Quando cheguei a Roraima, ainda em 2008, vi que aqui era [e ainda é] uma terra promissora e com um mercado de trabalho "virgem" em todas as áreas. E mesmo 11 anos depois vejo que pouca coisa mudou. Em qualquer profissão é possível escolher a melhor opção e ainda ter mais de um vínculo, dependendo da carga horária.

Acontece que essa facilidade de vagas e opções se tornam um tormento para quem contrata e para os clientes. É que muitos profissionais querem apenas o cargo ou a vaga e não querem colocar a mão na massa.

A mão de obra nem sempre é qualificada e as pessoas que têm a chance de estar no mercado de trabalho não honram o compromisso e acabam se tornando um funcionário "feijão com arroz", muitas vezes sem tempero. Ou seja, fazem de qualquer jeito para receber o salário no fim do mês.

Quem aqui nunca foi pessimamente atendido por um vendedor em uma loja no centro, num shopping da cidade ou e um restaurante? Nas repartições públicas é a mesma coisa. Sempre tem uma pessoa mau humorada no atendimento ao público. Existe gente que não tem a coragem de responder um "Bom dia". É inaceitável a grosseria de muita gente.

Na minha área, por exemplo, faltam profissionais. Quem disse que um diploma faz o profissional? Isso não existe. A péssima qualidade do ensino faz com muita gente se forme numa faculdade e chegue ao mercado de trabalho sem as mínimas condições para assumir tal função.

Não estou falando de experiência. Estou citando o conhecimento básico da língua portuguesa. O que vimos hoje são erros grotescos de concordância verbal e plural. É inadmissível um jornalista com o "canudo" nas mãos ter que aprender escrever dentro de uma redação. Não estou falando que o jornalista deve ter o melhor texto do mundo - erros acontecem sempre. Estou cobrando conhecimento da língua materna.

Então, onde quero chegar? Que Roraima é uma mãe. Aqui, é possível você se destacar. Basta apenas esforço e empenho. Não adianta ficar deitado na rede dizendo que apenas quem vem de fora tem chances. Pelo contrário. Quantos roraimenses têm um currículo invejável e destaque nas mais diversas áreas? Muitos.

O que falta no Estado é qualificação e disposição [vontade mesmo, garra]. Nunca vi tanta gente para adoecer e pegar atestado. Um simples resfriado é motivo para se ausentar. Basta uma chuva para chover desculpas para os atrasos ou faltas.

Sabe o que eu acho? Que muita gente precisava conhecer o mercado de trabalho lá fora para poder dar valor na vida tranquila e fácil que temos por aqui.

Sei que tem muita gente deve estar me odiando nesse momento, mas não tem problema. Meu intuito é fazer com que as pessoas pelo menos pensem no que escrevi e repensem sobre suas atitudes.

Porque em terra de cego quem tem um olho é Rei e amanhã, quando Roraima chegar a um milhão de habitantes e já estiver faltando vagas, vai aparecer gente arrependida por não ter buscado qualificação e uma boa colocação no mercado de trabalho. Depois não vai dizer que não avisei.

O sol brilha para todos!

BRUNO PEREZ - O autor é jornalista e apresentador da TV Band Roraima e rádio 93 FM.

 

 

 


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