Questão de Opinião

Estelionato eleitoral: será mais um?


WALBER GONÇALVES DE SOUZA*

"Já vivemos a caça aos marajás, mas eles permanecem mais vivos do que nunca, sendo que muitos deles vivem justamente das regalias governamentais e delas engordando suas contas aqui e em paraísos fiscais. Já vivemos a era do combate à fome e a miséria, mas ela está aí viva, presente e enraizada nas estranhas em cada canto do nosso país, pois são milhares de famintos que vivem como moribundos".

Semana decisiva para o Brasil. Neste domingo estaremos voltando às urnas para escolher quem será nosso próximo presidente. Resta-nos agora optar por um dos dois nomes que apresentam duas ideias, dois projetos aparentemente distintos para o País.  No entanto, de ideias e projetos  acredito que o brasileiro já esteja cansado. Desde a redemocratização quantos "contos do vigário" já foram contados e o pior, acreditamos piamente neles.

Já vivemos a caça aos marajás, mas eles permanecem mais vivos do que nunca, sendo que muitos deles vivem justamente das regalias governamentais e delas engordando suas contas aqui e em paraísos fiscais. Já vivemos a era do combate à fome e a miséria, mas ela está aí viva, presente e enraizada nas estranhas em cada canto do nosso país, pois são milhares de famintos, que vivem como moribundos pelas ruas das nossas cidades ou de forma que beira a desumanidade.  Já vivemos tantas coisas, já vimos tantos planos e sonhos se desfazerem em uma velocidade alucinante que às vezes ter esperança torna-se uma tarefa difícil. Mas sabemos que sem ela não há vida.

No entanto o que mais vivemos é o famoso "estelionato eleitoral". De campanha em campanha ele aparece. Prometem-se mundos e fundos, são apresentadas soluções para todos os problemas, o que acaba proporcionando uma euforia por dias melhores. Na fase das promessas a esperança renasce e com ela um sentimento de altruísmo que agora vai, que o Brasil vai dar certo. Mas basta chegar o dia 1º  de janeiro, com a posse do eleito, que o castelo dos sonhos começa a ruir. As medidas que são tomadas nem sempre seguem as prometidas, na verdade a maior parte delas.

Mas viver em sociedade é assim, acreditar na democracia também é sonhar. E mais uma vez cada um de nós, ao comparecermos às urnas, estaremos depositando nelas a esperança  por dias melhores, pois, independente de qual seja a nossa escolha, ela representa para cada um de nós o que seria o melhor para o momento que vivemos.

Todavia, o que mais queremos é que as promessas apresentadas durante a campanha não sirvam apenas para ganhar a eleição e que elas, na pior das hipóteses, sejam testadas de fato. Pois não suportamos mais tanta mentira e tantas falsas promessas. O estelionato eleitoral enfraquece a democracia, cria seus monstros, permite que soluções antidemocráticas apareçam, o que seria de fato um retrocesso para a nação.

O resultado das urnas jamais produzirá um vencedor enquanto não ocorrer, de fato, o início das mudanças sociais de que precisamos. Não queremos simplesmente a vitória do político. A urna deve representar a vitória da sociedade e dos seus anseios. Precisamos urgentemente reverter a lógica histórica que reina nas eleições no Brasil. Vamos mais uma vez sonhar!

*O autor é professor e escritor. [email protected]