Coluna Roraima Alerta

Telmario quer fronteira aberta para praticar rinha de galo


O senador Telmário Mota (PROS) fez questão de divulgar todos os detalhes da visita que fez ao ditador venezuelano Nicolás Maduro. O objetivo do encontro diplomático foi pedir a reabertura da fronteira em Pacaraima que está fechada desde fevereiro por decisão do próprio Maduro. O que Telmário não contava era com a repercussão tão negativa do fato. Primeiro, o eleitor não esqueceu o discurso dúbio do senador que, quando candidato ao governo, afirmou que fecharia a fronteira nem que fosse com a polícia do próprio Estado para evitar a entrada de mais venezuelanos. Por que ao término da eleição ele mudou o discurso?

 

Repercussão

Nas suas redes sociais predominaram os comentários negativos. Teve internauta que até sugeriu a criação de uma campanha para que Telmário ficasse na Venezuela, sem necessidade de retomar ao território brasileiro. Como resultado da visita, Maduro afirmou que "em breve" a fronteira deve ser reaberta, o que para muitos roraimenses representa um novo problema. Afinal, com a fronteira fechada menos venezuelanos estão chegando a Roraima, com exceção daqueles que preferem se arriscar pelas trilhas clandestinas que, também seguem sob a vigilância da temida Guarda Nacional.

 

Como fica?

Até onde se sabe a visita de Telmário não foi discutida com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), portanto ela não é uma visita com características diplomáticas entre os dois países. Outro agravante é que o discurso proferido pelo senador e transmitido em cadeia nacional deve ter arrepiado os cabelos do presidente. O Brasil reconheceu a autoridade de Juan Guaidó, portanto, nenhum contato oficial deveria ser feito com Maduro. Além disso, em sua fala Telmário tece críticas ao governo dos Estados Unidos. Deve no mínimo ter esquecido que Jair Bolsonaro visitou recentemente o presidente norte-americano buscando estreitar os vínculos com o país. Assim, as atitudes de Telmário podem colocar em risco até a relação do próprio Bolsonaro com o Estado de Roraima. Muito arriscado.

 

Rinha

Entre os comentários mais jocosos em relação ao encontro de Telmário e Maduro lembraram que o senador é adepto das rinhas de galo, inclusive, sendo um dos criadores dos animais mais cobiçados de Roraima. O problema é o que esse tipo de esporte, que se baseia no maltrato aos animais, estimulados a se enfrentarem em ringues improvisados até que um deles morra, é proibido no Brasil. Legislação que Telmário insiste em modificar, diga-se de passagem. Mas, na Venezuela, as rinhas são liberadas. Deve ser por isso que Telmário faz tanta questão de manter a fronteira aberta, para poder transitar livremente com seus galinhos, aproveitando seu esporte preferido.

 

Violência

Rinhas de galo são espelho da violência. Os animais se machucam, sangram e só são retirados da arena quando um deles morre. E parece que esse espetáculo é algo que, de alguma maneira, agrada ao senador. Ele próprio é acusado de ter espancado e ameaçado uma jovem em dezembro de 2015. Ela procurou a delegacia e prestou queixa contra o parlamentar. No Boletim de Ocorrência e no Laudo registrado, consta a descrição dos hematomas que a jovem tinha no corpo e ainda o relato de ameaça que sofreu por parte de Telmário.

 

Registro

Os documentos da Polícia registram ainda o relatado da jovem que afirmou manter uma relação extraconjugal por três anos com o senador. Considerando a data do ocorrido e a idade da moça, essa relação começou quando ela ainda era menor de idade. O inquérito contra Telmário foi instaurado, chegou a ser analisado pela Procuradoria Geral da República e hoje, tramita na justiça Estadual onde segue parado. Uma vergonha para o Estado que detém um dos maiores índices nacionais de violência contra a mulher.

 

 


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