Roraima em Alerta

Bolsonaro ainda não ajudou Roraima

250519 RR Alerta


Para Roraima

Roraima, por exemplo, que foi por várias vezes apontada como a meninas dos olhos de Bolsonaro, ainda não sentiu esse carinho. Mesmo com várias missões e visitas ministeriais feitas ao Estado, o dinheiro que é bom ainda não chegou. A única contribuição do Governo Federal para Roraima até o momento, foram os recursos destinados ao Exército para a manutenção da Operação Acolhida. Mesmo tendo uma proximidade ideológica com o governador Antonio Denarium (PSL), nenhuma das demandas em que ele pede ajuda financeira foi atendida. Nem mesmo, na área da saúde onde Denarium vem lutado pelo ressarcimento do que é gasto com os pacientes venezuelanos, que respondem hoje pela maior demanda na rede pública. Até o Tribunal de Contas do Estado (TCE) concorda que Roraima precisa ser ressarcido por alguns gastos com os imigrantes. Esta semana, o Tribunal solicitou informações da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania sobre os venezuelanos que estão no sistema prisional de Roraima. É o próprio TCE que vai cobrar a conta dos custos de manutenção desses presos do Governo Federal.

 

Manifestação

Tem gente em Roraima que confiou no PSL, fez a dobradinha de votos do 17, elegendo Bolsonaro como presidente e Denarium como governador que não está tão contente com as ações da gestão estadual. Depois que o governador divulgou em suas redes um convite para a mobilização deste domingo, onde aparece ao lado do presidente, pessoas ligadas a base do PSL em Roraima, incluíram o carimbo de Fake News. Na explicação deles, a manifestação é de apoio exclusivo à Bolsonaro e que outros interesses não serão aceitos. Para Denarium, isso é uma clara demonstração de que até os bolsominhos estão insatisfeitos com a sua gestão. Tá na hora de rever muita coisa.

 

Contas

Falando no governador, ele ainda não apresentou a prestação de contas do período de intervenção. Tal notícia foi recebido por muitos como mais um sinal de descredito que pesa contra a imagem do governador. Apesar de ter sido sempre muito rigoroso em juntar dados sobre a crise que assola o Estado e fazer questão de torna-los publico, Denarium pecou a deixar esse prazo vencer. Deu combustível mais uma vez para que seus opositores mais ávidos começassem a minar fofocas cheia de suposições sobre como o recursos foi aplicado. É triste que isso aconteça visto que foi a intervenção que fez Roraima voltar a funcionar. O Estado estava com serviços básicos sem funcionar, incluindo a segurança pública paralisada pela mobilização de esposas de policiais e bombeiros militares que fecharam os quarteis por conta do atraso do pagamento. Foi a ação do governo federal que tirou Roraima do caos e salvou o início da gestão de Denarium.

 

Contribuição

Neste cenário da intervenção é necessário também destacar a importante contribuição do ex-senador Romero Jucá. Como representante de Roraima, ele foi sensível aos efeitos da crise gerada pela má gestão da ex-governadora Suely Campos, cobrou uma ação efetiva do governo federal e ajudou a criar os mecanismos legais que garantiram o apoio financeiro do Governo Federal. Como conhecedor do orçamento público nacional, foi buscar onde o governo tinha reserva de recursos para conseguir subsidiar uma Medida Provisória que destinou R$ 225 milhões para Roraima. Foi graças a esse dinheiro que os salários foram regularizados, os serviços retomados e Denarium teve a condição de iniciar seu mandato com o mínimo de organização possível. Hoje, mesmo diante de tantos apelos e necessidade, Roraima não tem mais um parlamentar como Jucá e sente a falta, porque os eleitos ainda não conseguiram nada de efetivo para o Estado que enfrenta outras grandes dificuldades.

 

Enquadramento

Outro exemplo claro da falta que um político comprometido com a população faz é o processo de enquadramento. Segundo dados do Ministério da Economia, em 2016 foram apenas 39 processos deferidos pela Comissão. Em 2018, depois que a PEC 199, de autoria de Jucá, foi aprovada no Congresso Nacional dando origem a Emenda Constitucional 98, mais de 1.500 pessoas tiveram seus pedidos analisados e foram consideradas aptas ao enquadramento. O número em si já comprova como a atuação de Jucá foi importante nesse trabalho. Esta semana, quem espera pelo enquadramento foi surpreendido com mais uma decisão da Comissão. As atas, que reduziram para apenas 10 nomes, só serão publicadas a cada 15 dias. Um atraso injustificável para esse processo que é lei e está na Constituição Federal. O próprio Jucá tem feito apelos aos parlamentares eleitos para que pressionem o Governo para que o trabalho volte a andar com celeridade. Até o momento, os eleitos pela população não fizeram nada de relevante em relação ao assunto.

 

Sem Roraima

Falando ainda no enquadramento, circula um vídeo nos grupos de whats mostrando uma reunião importante com representantes do Ministério da Economia e das Comissões do Ex-Território, além de políticos dos Estados interessados no tema, no caso Amapá, Rondônia e não havia ninguém de Roraima. O vídeo mostra a preocupação dos amapaenses com o processo que segue muito lento e o empenho dos parlamentares daquele Estado em buscar uma solução para acelerar a análise dos processos. Em uma reunião como essa, o mínimo era de se esperar a presença de pelo menos um parlamentar de Roraima, mas nenhum dos três senadores e menos ainda, os oito deputados federais eleitos estavam presentes. Ou seja, o enquadramento não é importante e nem prioridade para quem está hoje, representando Roraima no Congresso Nacional.

 

Deu ruim

O deputado estadual Renato Silva (PRB) foi advertido mesmo pelo presidente do seu partido, o senador Mecias de Jesus por ter cobrado novamente a CPI da saúde e por falar em suspenção de contratos com empresas terceirizadas. O motivo mais uma vez, é o receio de uma investigação em relação a União Comércio e Serviços LTDA, empresa que tem forte ligação com o senador e que durante anos, foi uma das que mais recebeu recursos da saúde pública. Depois da fala do ex-secretário Ailton Wanderley, as suspeitas em relação à União e especialmente, ao suposto favorecimento de Mecias e seu filho Jhonatan de Jesus ficaram mais fortes. Renato é do mesmo partido do senador, mas comprou a briga pela CPI e tem cobrado que a Assembleia investigue os contratos e os pagamentos efetuados pela Secretaria Estadual de Saúde. Se isso acontecer, os contratos da União também terão que ser auditados e, conforme se fala pelos bastidores, o risco é muito grande para o clã Jesus.

 

Interferência

Tem muita gente chateada com as interferências feitas por Mecias na estrutura dos cargos de primeiro e segundo escalão do Governo Estadual. O senador foi o aliado político de Denarium que mais abocanhou estruturas, ganhando o comando político da Seplan, da CAER, da CERR e da Codesaima. Agora, Mecias estaria brigando também pelo poder na Femarh e Segurança Pública Estadual. A saída do delegado Márcio Amorim do cargo, além da pressão de alguns deputados teria sido impulsionada também por apelos de Mecias. Ele quer escalar uma pessoa de sua confiança para comandar a pasta. Amorin não aguentou o assédio, basta saber se Denarium vai seguir a sugestão do aliado político. Hoje, Mecias tem mais influencia no governo que o próprio chefe da Casa Civil, Disney Mesquita.

 

 

Pressão

Voltando a falar de Denarium, o governador tem sofrido muita pressão junto à Assembleia Legislativa. A relação da Casa com o gestor estadual nunca foi das melhores, mas havia se estabilizado desde que o presidente da Casa, Jalser Renier se colocou à frente das negociações para garantir a continuidade das próximas etapas do concurso público da PM. Desde então, as relações pareciam estabilizadas. Mas agora, ao que tudo indica, os deputados estão descontentes com a postura de alguns aliados de Denarium e passaram a travar a pauta de projetos do Executivo. Nada que venha encaminhado por Denarium está passando pela Casa. O bloqueio seria uma forma de pressionar o governador a atender algumas das exigências dos deputados. Assim como seu companheiro de sigla, o presidente Jair Bolsonaro, Denarium está aprendendo na prática que precisa do apoio de deputados para conseguir gerir o Estado. Mas, parece que essa relação conturbada ainda terá outros desdobramentos.


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