Roraima em Alerta

Dia do Trabalho e o contraste de como os servidores são tratados

010519 RR Alerta


Fazer política

Em um evento realizado nesta terça-feira (30), um político local de muita experiência falou que não existe nova ou velha política. O que existe é a boa ou a má política. E essa frase sintetiza bem como alguns parlamentares de Roraima preferem trabalhar. Ao invés de somar forças e lutar pelos interesses da comunidade, eles preferem gastar todo seu esforço em atrapalhar o desenvolvimento de ações que são úteis para as pessoas. Uma forma muito errada de fazer política porque, ao tentar atingir adversário A ou B, eles acabam colocando em risco a qualidade de serviços que servem à toda população.

 

Má política

Toda essa introdução é para contextualizar o leitor em mais um fato absurdo que chegou ao conhecimento da Coluna. Parlamentares federais que representam Roraima estariam pressionando o Governo Federal para suspender empenhos de recursos destinados para a Prefeitura de Boa Vista. Na prática, isso significa dizer que o dinheiro que está garantido para mais asfalto, melhorias na educação, mais remédios e tantos outros investimentos planejados pelo município, poderá não chegar atrasando ou dificultando o atendimento à população.

 

 

Absurdo

E isso não é fofoca, o grupo de parlamentares protocolou a proposta para suspender a liberação desses recursos. Ao invés de cumprirem o papel constitucional que lhes compete, de buscar recursos, de destinar emendas para auxiliar os municípios, eles agem totalmente ao contrário, retirando o dinheiro que já é tão escarço, especialmente, em Boa Vista onde vive hoje, mais de 70% da população e para onde vem a maior parte dos imigrantes venezuelanos que fogem do cos na Venezuela. Se manter os serviços em funcionamento já é um desafio, sem esses recursos, muitos atendimentos e ações poderão ser prejudicadas.

 

 

Por que?

Não parece, mas Roraima já está envolta novamente no clima da disputa eleitoral, dessa vez, para as prefeituras dos municípios. Em Boa Vista, há um desafio dos grupos políticos: conseguir lançar um nome que atraia o eleitor e a confiança de continuidade da gestão de excelência que é marca registrada do trabalho feito por Teresa Surita (MDB). Sem poder concorrer novamente ao cargo, sua saída abrirá essa lacuna e está trazendo à tona, a lembrança de como ficou a cidade quando ela deixou a gestão. Foi um período de suspensão de serviços públicos, cancelamento das atividades dos programas sociais e de total descaso e abandono da capital. O roraimense tem receio de que isso aconteça novamente.

 

Fatores

Quando Teresa aplicou o slogan "Aqui tem gestão, aqui tem Prefeitura" ela sintetizou sua forma de trabalhar sempre preocupada em organizar a cidade. A Prefeitura tem um orçamento que equivale hoje, ao que a Secretaria Estadual de Educação recebe. E mesmo assim, compete ao executivo municipal a oferta de serviços que contemplem mais de 70% da população, hoje, moradores da capital. Interferir na chegada de recursos para a Prefeitura de Boa Vista é prejudicar toda essa gente e um ato irresponsável de quem foi eleito pelo povo.

 

Venezuela

As imagens que chegaram da Venezuela, deixaram os roraimenses aflitos. Depois que o presidente autoproclamado Juan Guaidó afirmou ter o apoio do Exército para colocar fim ao regime ditatorial de Nicolás Maduro, o clima de tensão se acentuou. A imagem de um tanque avançando contra manifestantes é um retrato do risco eminente que vive a Venezuela. E Roraima, como vizinho mais próximo começa a sentir os efeitos de mais essa tentativa de reorganização do sistema político venezuelano. Nesta terça-feira (30), o número de pessoas que tentou atravessar a fronteira para entrar no Brasil foi mais intenso, a ponto de surgirem denúncias de que a Guarda Nacional estaria cobrando para permitir a passagem de pessoas.

 

Filho

Enquanto o clima esquentava na Venezuela, Eduardo Bolsonaro (PSL), deputado federal e filho do presidente seguia a agenda de compromissos institucionais organizada para a Comissão Externa, em Pacaraima. O grupo veio exatamente, acompanhar os impactos gerados à Roraima pela crise na Venezuela. Apesar de ter enviado várias comitivas ao Estado, até o momento, o Governo Federal ainda não apresentou um plano de trabalho ou uma proposta para organizar a entrada dos imigrantes no Brasil. Pelo contrário, se na pré-campanha o discurso de Jair Bolsonaro (PSL) dava a entender que o país suspenderia a entrada dos imigrantes, quando assumiu o presidência ele manteve o mesmo tipo de atendimento iniciado pelo governo anterior com a Operação Acolhida, inclusive, dando uma resposta bem ríspida à proposta de Antonio Denarium (PSL) que previa a 'devolução' de venezuelanos ao país vizinho.

 

Recursos

A continuidade da Operação Acolhida tem causado preocupação nos bastidores. Se o ex-presidente Michel Temer (MDB), destinou R$ 190 milhões para a implantação e manutenção da Operação Acolhida, a nova Medida Provisória que regulamenta isso, estabelece apenas R$ 75 milhões. O que causa mais espanto é que a matéria será relatada pelo senador de Roraima, Mecias de Jesus (PRB). Ele, no mínimo, deveria conhecer a real necessidade da Operação e saber que é um risco alto trabalhar com um orçamento tão apertado. Se com a existência dos abrigos e do posto de triagem, é difícil manter o controle sobre a população venezuelana que toma conta de Boa Vista e Pacaraima, imagine se esse serviço tiver que ser minimizado? Agora é torcer para que a situação na Venezuela não se agrave.

 

Dia do Trabalhado

Essa data diz respeito a conquistas histórica de trabalhadores. E em Roraima, por mais que o mercado ainda consiga absorver mão de obra e gerar oportunidades, e que o Governo tenha conseguido regularizar o pagamento do funcionalismo público, são muitos os trabalhadores que se sentem ameaçados. Pelo lado do Executivo Estadual, há uma pressão muito grande para a economia com redução da folha de pagamento. O problema é que ao invés de promover isso por meio da Reforma Administrativa que incluiria a redução de cargos em comissão, o governador Antonio Denarium seguiu a sugestão de secretários como Marcos Jorge, afilhado político de Mecias de Jesus, e tem buscado fazer essa economia acabando com direitos conquistados pelos servidores públicos estaduais. Esses trabalhadores estaduais não têm nada para comemorar.

 

Contraste

E para concluir a temática do dia, a Coluna reproduz a fala de um atento observador da política local, cujo nome será preservado para evitar qualquer tipo de constrangimento. Ao comparar a maneira como a administração municipal da capital trata os servidores municipais, com a maneira com que são tratados os profissionais do Estado, ele afirmou que o contraste vem de uma das palavra que Denarium mais repetiu na sua campanha eleitoral: gestão. Enquanto o município tem uma gestão responsável e consegue manter os salários em dia, promover atualização de valores além de conceder promoções e progressões; na estrutura estadual o esforço é para anular os efeitos das leis que garantem esses direitos.


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