Roraima em Alerta

E agora, de quem é a culpa?

080518 RR Alerta


 

Silêncio

Em abril deste ano, o governo do preside Jair Bolsonaro (PSL) anunciou que estava estudando uma medida para reduzir em 40% o gás de cozinha. Estamos em maio, amargando um dos piores aumentos já registrados no preço desse produto que é básico e necessário na casa de qualquer cidadão. O presidente, infelizmente, não teve mecanismos para cumprir uma das suas aspirações mas pior que isso é ouvir o silêncio ensurdecedor dos parlamentares de Roraima, um dos Estados que concentra uma parcela considerável de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, e que mais sentem quando gás aumenta. A população sofre e eles não falam e nem fazem nada.

 

Gasolina

O mesmo acontece com o preço do combustível. O roraimense está pagando em média R$ 4,40 o litro e por mais que órgãos como o Procon tenham se certificado de que não há abuso no calculo do preço e nem que exista um quartel atuando no Estado, seguimos com uma das gasolinas mais caras do país e um peso enorme no orçamento da família. Não é à toa que quase 70% das famílias de Roraima estão endividadas. É impossível planejar gastos com aumentos sucessivos como esse. E, até o momento, nenhum deputado federal ou senador que fez parte da bancada federal se manifestou para defender a população.

 

Energia

O calor excessivo dos dias que antecederam o inverno impulsionou o aumento do consumo de energia, segundo a Roraima Energia e isso teria sido o motivo das contas virem tão caras. A empresa foi chamada a prestar esclarecimentos junto ao Procon e apresentou dados mostrando que nos meses abril e maio, a curva de consumo aumenta devido aos fatores climáticos impactando no valor da conta que o contribuinte paga. Reajuste de tarifa só em novembro mesmo e as termoelétricas não deixaram a energia mais cara porque o que se gasta para manter esse sistema em funcionamento, é dividido entre os consumidores de todo o país. E até que Tucuruí chegue, elas são a garantia de que o Estado não ficará no escuro. Mas, em meio disso tudo, pelo menos há uma notícia positiva: o Governo Federal já anunciou que a energia deve ficar mais barata porque o Brasil conseguiu antecipar parcelas de uma dívida que tinha do setor energético.

 

A culpa é de quem mesmo?

Antes era comum ver a população brincando que a culpa do aumento do gás, do preço da gasolina e até das quedas de energia era de um político que não se elegeu. Ele deixou o poder, não tem mais influencia em nada e, agora em quem o roraimense vai colocar a culpa? Mecias não abre a boca para falar do combustível e nem vai, afinal, sua família é detentora de vários postos espalhados por todo o Estado, então, ele está lucrando com o aumento da gasolina. Chico se rendeu aos encantos do presidente de forma tão irresponsável que nomeou no seu gabinete o sobrinho de Bolsonaro, Leo Índio que pra Roraima, não é nada útil e Telmario, por sua vez, só sabe gravar vídeozinhos e fazer discursos cheios de erros de português, mas no Congresso ou junto ao presidente, ele não tem influencia nenhuma. O roraimense tem que escolher agora, de qual dos três vai cobrar uma ação efetiva e até em qual deles vai colocar a culpa.

 

Maranhão?

Falando na nomeação de Leo Índio, o sobrinho do presidente aproveitou os recursos que lhe são garantidos como servidor do Senado Federal para viajar à trabalho. Mas, ao invés de vir pra Roraima, Estado para o qual se espera que ele trabalhe, considerando que está lotado no gabinete de um parlamentar roraimense, o senador Chico Rodrigues, o sobrinho-assessor escolheu como destino o Estado do Maranhão. Foi convidado por uma família tradicional e também envolvida com a política para conhecer as necessidades do local e encaminhar essas demandas direto ao presidente, apresentando-se inclusive como interlocutor do governo. Essas viagens, hospedagem e outros direitos que competem ao funcionário que viaja à serviço são pagas com o dinheiro do contribuinte. Mas a dúvida é, por que Leo não veio pra Roraima?

 

Caos

Roraima enfrenta mais um desafios com a nova onde de entrada de imigrantes vindos da Venezuela. O número de pessoas que havia diminuído com o fechamento da fronteira, voltou a aumentar depois que Juan Guaidó iniciou uma nova ofensiva contra o ditador Nicolás Maduro. O prefeito de Pacaraima, Juliano Torquatto (PRB) apresentou um relatório de impactos gerados pela migração ao seu município e pediu R$ 3 milhões a mais para conseguir manter o funcionamento de serviços públicos para atender tantos os brasileiros como os imigrantes. Chico Rodrigues sabe de tudo isso e até o momento, não fez nada por Roraima. Ele poderia, no mínimo, mandar o seu assessor Leo Índio, interlocutor do governo, para uma viagem ao Estado, ao invés de pagar uma ida ao Maranhão, para que ele pudesse ver o que Roraima precisa e conversar diretamente com o tio, Jair Bolsonaro. Mas, nem isso Chico fez e a sensação de quem depositou o voto de confiança no senador é de que ele realmente, virou as costas para Roraima.

 

Educação

Chico divulgou em suas redes sociais que conversou com o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, antes do mesmo participar da audiência pública em que apresentou as diretrizes e programas prioritários do Ministério da Educação. Em meio a enxurrada de críticas que o Ministério e o Governo Federal vem sofrendo pelos cortes no orçamentos do ensino superior, Chico não tratou sequer de defender a Universidade Federal de Roraima e o Instituto Federal. Este último, inclusive, deve fechar suas portas em no máximo quatro meses, caso os cortes sejam mantidos pelo Governo. É absurdo o impacto que essa decisão pode gerar para o futuro de milhares de jovens e do próprio Estado de Roraima, que ainda carece de mão de obra especializada. Porém, é mais absurdo ainda que o senador eleito por Roraima não tenha defendido essas instituições que formam nossos futuros profissionais. Mais uma vez, Chico deixa transparecer que Roraima não é sua prioridade.

 

 

Arrependidos

E por mais que não defendam a redução do preço do gás, da gasolina e nem estejam cobrando a continuidade das obras do Linhão de Tucuruí, o senador Mecias de Jesus e seu filho, o deputado federal Jhonatan de Jesus (PRB), assumiram a postura de criticas ácidas contra o governo. Mas, se o eleitor voltar no tempo um pouquinho, vai lembrar onde estavam esses dois durante a campanha eleitoral: no palanque de Denarium pedindo voto para Bolsonaro. Nas reuniões, era comum Mecias compartilhar o discurso de que seria muito importante para o Estado ter um governador e um presidente alinhados, e que para Bolsonaro, Roraima seria prioridade. E depois de mudar completamente a opinião em relação ao presidente, Mecias e o filho estão sendo apontados como "bolsominhos arrependidos". Mas, só reclamar não ajuda em nada.

 

Responsabilidade

Mecias e Jhonatan precisam assumir a responsabilidade dos cargos para o qual foram eleitos. Criticar os atos do Governo Federal não vai mudar em nada a realidade de Roraima, daqui a pouco, os dois estarão comparados a Telmário que só sabe falar. Jhonatan está em seu terceiro mandato como deputado federal e até agora, fez pouca coisa por Roraima. Ele ainda é presidente da bancada do PRB ou seja, tem força para barganhar junto ao governo, mas o problema é que o filho vem seguindo os passos do pai. Ao invés de buscar melhorias para o Estado, tem brigado pela indicações de nomes para ocupar cargos públicos. Até o Ministro da Economia, Paulo Guedes advertiu o rapaz depois que ele usou uma reunião de bancada para falar de indicações no Incra. O ministro foi claro ao dizer que eles (Jhonatan e outros parlamentares de Roraima) "iam acabar parando lá no Sérgio Moro" se continuassem a fazer a velha política da negociação de cargos. Resumindo: em uma reunião importantíssima, de onde deveriam sair recursos para ajudar o Estado, a única coisa que Jhonatam discutiu foi onde iria colocar os apadrinhados do clã Jesus.


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