Roraima em Alerta

Empresários são acusados de roubar R$ 7 milhões da merenda escolar

050719 RR Alerta


Roubalheira

Mais uma operação foi deflagrada ontem pela Polícia Federal revelando um novo esquema de corrupção que roubava recursos da Secretaria Estadual de Educação. De acordo com as investigações iniciais, a Polícia Federal estima que foram desviados mais de R$ 7 milhões, dinheiro que deveria ser aplicado na compra da merenda escolar, ou seja, para custear a alimentação dos alunos da rede estadual de ensino. Enquanto, para alguns alunos a merenda é a única refeição certa que eles têm no dia, para os empresários e gestores que atuaram no governo de Suely Campos, representava somente uma mina de dinheiro.

 

Empresários

Nesta fase, entraram na mira da Polícia Federal apenas os empresários acusados de participar do esquema. Segundo divulgado em coletiva, pelo menos cinco empresas foram identificadas como participantes das operações fraudulentas e eram ligadas a três pessoas da mesma família, detidos nesta quinta-feira (4). Na rede de fuxico ainda pela manhã, já corria solto o nome do empresário Cavalcante, ele seria o responsável por abrir novas empresas para fazer a movimentação dos recursos desviados. Além disso, houve quem tentou estabelecer uma relação entre Cavalcante e um outro grande empresário local, conhecido por ser o principal financiador da campanha do atual governador. Este segundo empresário, foi convocado recentemente pela justiça para depor no processo que apura irregularidades na campanha de Antonio Denarium (PSL). Como não há fatos concretos que possam ser usados para confirmar a teoria, a Coluna opta por preservar o nome citado em alguns grupos de whats.

 

Intocável

O roraimense presenciou operações no Sistema Prisional e duas na Educação (falta a PF fuçar os contratos da Saúde!), as ações até trouxeram aquele sentimento de justiça, porém passado algum tempo, as investigações esfriam e parece que os envolvidos não serão punidos nunca. Depois de três operações, é difícil entender como a ex-governadora Suely Campos permanece intocável. Apesar de muitos indícios apontarem que ela tanto sabia quanto era conivente com o roubo dos cofres públicos durante a sua gestão, a PF nunca chega até ela. No máximo, atingiram o filho, Guilherme Campos, citado no esquema das marmitas para o Sistema Prisional e até esse ficou preso um tempo, mas conseguiu judicialmente o direto à liberdade. Detalhe: a empresa em questão, a famosa QualiGourmet, segue recebendo dinheiro do Estado porque o contrato com o Governo para fornecer a alimentação das unidades prisionais foi mantido pela gestão de Denarium, o governador que não compactua com a corrupação. É muita incoerência, né?

 

Inacreditável

Mais que incoerente é ver pessoas citadas nessas operações que chegaram a ser presas, acusadas de participar de esquemas que desviaram milhões dos cofres do governo, prejudicando a população sentados em cadeiras do pode legislativo. A deputada Ione Pedroso (SD) e o deputado Renan Beckel (Republicanos) são exemplos disso. Mesmo respondendo na justiça aos inquéritos que apuram qual a responsabilidade de cada um nesses esquemas revelados pela Polícia Federal, eles seguem como representantes públicos, atuando da maneira mais tranquila possível. Renan, que era (ou continua?) parceiro do filho de Suely Campos, agora aparece como papagaio de pirata em todos os eventos nas fotos do Governador. Ione foi além! Teve o disparate de participar de uma reunião da Comissão de Educação que tratava do problema no transporte escolar, mesmo acusada de desviar R$ 50 milhões que deveriam ser usados na manutenção desse serviço, e ainda de cobrar o Ministério Público, no meio de uma sessão, que retomasse o serviço e apurasse as irregularidades. Será que ela lembra que é, junto com seu marido (ou ex-), uma das principais acusadas de cometer essas irregularidades?

 

Repercutiu

A última entrevista que o governador deu ao programa Rádio Verdade, na 93FM, continua repercutindo. Alguns ouvintes mais atentos aproveitaram o registro da entrevista para separar alguns trechos bem preocupantes. No começo da semana, algumas pessoas compartilham nos grupos de whats um apelo pela demissão do Procurador da CAER, André Noleto. Ele é genro do senador Mecias de Jesus (Republicano), indicado para o cargo em comissão e, com menos de seis meses de contrato conseguiu gozar férias integrais de 30 dias, sem nenhuma publicação oficial prévia. O assunto foi relatado na entrevista ao vivo, exatamente no momento em que o governador pedia o apoio da população para denunciar qualquer tipo de irregularidade que estivesse sendo cometida em sua gestão. Pelo que a equipe do RR Em Tempo apurou, André voltou a trabalhar no dia 2, trazendo presentinhos para seus coleguinhas e chefes. Até o momento, nenhuma publicação sobre o rapaz saiu no Diário Oficial. Em maio, ele recebeu o valor integral do seu salário que é de R$ 7.214,18. Os valores referentes ao mês de junho ainda não constam no Portal da Transparência da empresa. Seguimos de olho.

 

Mais um trecho

Nesta quinta, mais um trecho da entrevista circulou nos grupos e chama a atenção para os prejuízos que a atual administração ainda deve arcar com a saúde pública. Se não bastasse a falta de recursos, Denarium ainda terá que gastar mais R$ 1 milhão para corrigir erros na obra do Hospital das Clínicas. A Unidade virou um grande elefante branco, foi inaugurada às pressas pela ex-governadora Suely Campos, mas nunca entrou em funcionamento efetivamente. Hoje, o Estado não consegue manter o Hospital Geral de Roraima que dirá, o Hospital das Clínicas. Seria necessário contratar mais profissionais, comprar mais equipamentos, mobiliário foram todo custo de manutenção, com limpeza, conta de energia e água. É muito para um governo que enfrenta uma situação de calamidade financeira e pelo visto, algo que está longe de ser resolvido. Para quem depende dos serviços de saúde público, é mais uma péssima notícia. E para os mais atentos fica a pergunta: onde foi investido todo o dinheiro que veio para a construção do prédio e mais, aqueles destinados por um deputado federal para a compra de equipamentos? Mais uma boa temática para ser investigada pela Polícia Federal.

 

 

 

Igual. Que nem.

A gíria que alguns jovens usam nas redes sociais pode ser aplicada para comparar a situação do Hospital das Clínicas com o anunciado Hospital do Amor, especializado em tratamento para o câncer. Não é preciso conhecer muito de gestão pública para saber que a vinda dessa unidade é na verdade, um palanque político para as próximas eleições. Se o governo não tem condições de manter os serviços básicos no HGR e na Maternidade, como vai conseguir arcar com as despesas de uma unidade especializada na oferta de um tratamento tão complexo? Cuidar dos pacientes com câncer exige a contratação de profissionais especializados, aquisição de equipamentos, medicamentos e insumos caros, algo que está bem longe da realidade orçamentária de Roraima. Trazer o recursos para construir o prédio é o mais fácil e não é garantia de que o serviço funcione e seja mantido. Na solenidade cheia de pompas e cerimonias, alguém perguntou quanto custa por mês, manter o Hospital do Amor? E de onde viria esse dinheiro? Pois é, como disse o ex-secretário de saúde Ailton Wanderley, a Secretaria Estadual de Saúde é uma ferramenta política para favorecer empresários e políticos, não para cuidar da população.

 

 

Dinheiro ou Gestão

A Casa Civil, do Disney Batista, fechou contrato de R$ 300 mil com uma empresa para fornecer passagens aéreas e terrestres nacionais e internacionais. O valor total é pra ser usado por um ano. Primeiramente, o secretário-chefe emitiu duas notas de empenho, ou seja, o limite de gastos com as passagens. Uma no valor de R$ 5 mil e a outra de R$ 90 mil. Denarium revalidou o decreto de calamidade financeira por mais seis meses. Esses gatos são realmente necessários? Pelo decreto essas pagantes não podem ser pagas, pois a cláusula é bem clara: ficam suspensas concessões de diárias, viagens e qualquer outro gasto de comprometa as receitas do Estado.

 

Gasolina

O Roraima em Tempo recebeu uma denúncia de uma fonte anônima sobre a concessão de gasolina às viaturas da Polícia Militar. Segundo a fonte, cada viatura tem direto a 20 litros diários de combustível. Se acabar, não pode haver abastecimento do veículo. E, assim, a população fica desassistida. Conforme o relato, os profissionais se sentem frustrados em não poder realizar o trabalho com eficiência, sobretudo na atual conjuntura da insegurança no Estado. Dinheiro pra passagem tem, mas pra gasolina é escasso. As prioridades do governo estão confusas!


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