Roraima em Alerta

O genro de Mecias já voltou a trabalhar?

180619 RR Alerta


Mudança

O Governo do Estado exonerou o coronel Antonio Elcio Franco Filho que exercia o cargo de secretário Estadual da Saúde. A mudança acontece em meio a várias denúncias sobre as péssimas condições do serviço, relatadas por pacientes e acompanhantes. O coronel assumiu a pasta também durante uma das crises institucionais mais graves enfrentadas pelo governo, marcada com as declarações feitas pelo seu antecessor no cargo, o médico Ailton Wanderley. Segundo Ailton, a Secretaria Estadual de Saúde estaria funcionando apenas para atender a interesses de políticos poderosos do Estado, em sua maior parte, aliados do governo.

 

Afeta

Quem fica no lugar do coronel Antonio Elcio é Cecília Smith Lorezon, que estava como vice-presidente da CPL. Nem o Governo e nem o próprio Coronel se manifestaram sobre a decisão. Esta é segunda mudança feita na gestão da saúde em apenas seis meses de governo e fica evidente que Denarium ainda não conseguiu aplicar as medidas de melhoria que anunciou como meta da campanha e como prioridade no período em que atuou com interventor. Mesmo que o posto de comando da Secretaria seja assumido por uma profissional que conhece os procedimentos internos, no que tange à planejamento e execução das ações, há sempre uma quebra de sequência e o que se espera é que isso não afete mais uma vez, a população que depende dos serviços do Hospital Geral de Roraima ou da Maternidade, por exemplo.

 

Pressão

Ailton deixou o cargo por não concordar com algumas decisões que estava sendo tomadas em relação aos contratos da pasta e também, conforme circulou nos bastidores, pela pressão que vinha sofrendo de alguns aliados de Antonio Denarium (PSL) para que as empresas que são ligadas a eles, tivessem uma certa prioridade nas licitações. Quem conhece Ailton afirma que o mesmo não aceitou ser conivente com isso e, como ele mesmo expressou em suas redes sociais, ficou indignado porque a prioridade era atender aos caprichos dos políticos aliados do governo estadual e não a oferta de um bom serviço. O resultado é o que está se vendo todos os dias: reclamações e denúncias sobre a falta de materiais e de medicamentos.

 

Calamidade

Ao decretar o estado de calamidade, o Governo garantiu as condições necessárias para agilizar todos os processos da pasta. O que fosse considerado emergencial poderia ser comprado de forma simplificada, sem a necessidade de todo o trâmite do processo licitatório. Quem defende a transparência na gestão pública sempre critica esse tipo de medida que abre brecha para o favorecimento de empresa A ou B, nem sempre os melhores habilitados para prestar o serviço. A questão é que o primeiro decreto aconteceu em fevereiro, logo após os conflitos na fronteira com a Venezuela, vigente por 180 dias e, nada mudou. Tanto que Denarium decidiu prorrogar em maio, a vigência por mais 90 dias e cobrou de toda a equipe a celeridade nos processos, especialmente, dos que tratam da aquisição de medicamentos e insumos. Até o momento, o cidadão não viu diferença.

 

Onde foi parar?

A gravidade da condição da saúde estadual motivou alguns deputados a pedirem a instalação de uma CPI da Saúde. O anúncio foi recebido com muita expectativa, afinal, a pasta tem acesso a muitos recursos, abocanha 12% do orçamento estadual mais reforços que recebe da União e de programas específicos. E por mais que pese nesse contexto o problema da migração venezuelana, ninguém sabe dizer de que maneira os recursos da Saúde estão sendo geridos. Esse seria o papel da CPI, uma investigação aprofundada e o acompanhamento dos processos, para saber que empresas estão cumprindo com suas responsabilidades, a quem essas empresas estão ligadas e principalmente, garantir a qualidade no atendimento. Mas, parece que os mesmo deputados que se dispuseram a apoiar os trabalhos da Comissão, desistiram. E, ao que tudo indica, isso aconteceu por terem sofrido ameaças severas de outros políticos que são aliados do atual Governo e que há muito tempo obram milagres com o dinheiro que deveria ser aplicado na saúde dos pacientes.

 

Repercute

Ainda repercute nas rodas de conversar e especialmente nos grupos de whats, o decreto estabelecido pelo governador Denarium determinando que servidores afastados devem sair imediatamente da folha de pagamento do Governo. A decisão é reflexo da denúncia feita ao vivo, em uma entrevista que o gestor concedeu à 93 FM, onde foi questionando sobre a situação do Procurador da CAERR, André Noleto que, nomeado há menos de seis meses, ostentava em redes sociais uma viagem internacional acompanhando da namorada. O detalhe é que André é genro do senador Mecias de Jesus (PRB) que detém o comando político da Companhia. Denarium ficou surpreso com a informação e ainda ao vivo, pediu que providência fossem adotadas e garantiu que nenhum servidor iria receber sem cumprir o seu horário de expediente. A medida deu origem ao decreto estadual, transformando a fala do governador em uma ordem registrada a ser seguida por todos os gestores.

 

Voltou?

Na época, outras situações também chegaram a ser denunciadas, sendo que mais uma delas relacionada a outro servidor da CAERR. O presidente da Companhia, James Maduro, indicado por Mecias de Jesus, chegou a emitir uma nota justificando o direito do servidor em se ausentar, com suspensão do contrato e do efetivo pagamento do salário, para tratar de assuntos particulares. A questão chamou muita atenção porque, pelo visto, esse direito era garantido para alguns e não para outros. Até o momento não se tem confirmação de que o Procurador voltou das suas férias e reassumiu suas funções na empresa. Nas redes sociais, sua namorada segue compartilhando registros das experiências que está vivendo no exterior. A viagem internacional começou em 31 de maio, com passagem pela na Espanha, depois o casal seguiu para a Grécia. Agora, a namora está compartilhando fotos da Itália.

 

 

Pediram pra reabrir

O presidente Nacional do MDB, Romero Jucá usou suas redes sociais para manifestar a preocupação com dois temas que ele apresentou como de interesse da sociedade: a insegurança e a mosca da carambola. Em sua fala, Jucá deixa claro a preocupação com o Estado que parece estar vivendo um retrocesso. Ele comentou sua defesa pelo fechamento da fronteira com a Venezuela e os apelos que fez insistentemente sobre o tema. O ex-senador deixou inclusive, um projeto de lei no Senado Federal onde sugere mudanças no Estatuto do Migrante, permitindo que cada Estado defina a cota de pessoas que tem capacidade de receber. Seria uma alternativa importante já que o fechamento da fronteira segue fora de cogitação do atual Governo Federal. Jucá lembrou que foi o ditador Nicolás Maduro quem decidiu fechar a fronteira e que, supreendentemente, parlamentares de Roraima passaram a pedir a reabertura. O resultado foi uma nova migração em massa para o Estado e o agravo desses impactos na saúde, educação e principalmente, segurança pública.

 

Retrocesso

O presidente do MDB lamentou ainda a proibição da exportações de frutas do Estado por conta dos novos focos da Mosca da Carambola. Para quem não lembra, ele participou de toda articulação junto ao Ministério da Agricultura garantindo investimentos em ações que permitiram a saída de vários municípios da zona de quarentena e a condição da produção local ser vendida para o exterior. Porém, o trabalho de fiscalização sanitária parou, afetado pela greve dos servidores da Aderr (Agência de Defesa Agropecuária), em conflito com decisões anunciadas pela gestão estadual e porque o Governo Federal não fez repasses previstos para a continuidade deste trabalho. Seja pela falta de planejamento, por falta de articulação ou por um simples descuido com o tema, o Estado segue agora prejudicado e com uma importante fonte econômica comprometida.


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