Roraima em Alerta

Sogro de Mecias é denunciado como Fantasma da Câmara Municipal

260619 RR Alerta


Fantasma

O Roraima em Tempo recebeu denúncia de que o sogro do senador Mecias de Jesus, Alfonso Rodrigues do Vale, cassado anos atrás, não pisa na Câmara Municipal de Boa Vista, mas recebe um gordo salário que chega aos R$ 3 mil, segundo a fonte. Em consulta ao Portal da Transparência, a Coluna localizou o nome do suposto funcionário fantasma com salário de R$ 3,7 mil. Tanto o vereador, como Mecias de Jesus, são do mesmo partido: o Republicanos, até então conhecido como PRB. A fonte garantiu "que Alfonso não trabalha, nem aparece na Câmara". Pelo histórico de 'fantasmismo' praticado por Mecias na época do escândalo dos gafanhotos, não é de espantar a possível prática entre os parlamentares. Em Tempo: segue o link do Portal da Transparência, referente ao pagamento de maio, com o nome e rendimentos do sogro de Mecias. https://www.boavista.rr.leg.br/transparencia/recursos-humanos/2019/maio/funcionarios-do-gabinete/view

 

Regalias

No acordo político que fez para compor a chapa do governador Antonio Denarium (PSL), Mecias fez questão de colocar seu preço: o comando político de algumas pastas específicas. Segundo uma fonte que participou desses momentos de definição, Mecias teria pedido para continuar com a Saúde e a Codesaima, agregando ao seu pedido a CERR e a CAERR. Estas três últimas, tem em comum o fato de serem companhias que gerenciam fontes de arrecadação própria. Por fim, apenas a Saúde não caiu novamente na mão do senador. Mas, nas demais pastas onde ele segue com o comando político, além de indicar vários de seus parentes e correligionários, ainda garantiu a alguns deles regalias que não se aplicam a outros servidores. O caso mais recente foi do genro André Noleto, que ocupa o cargo de Procurador da CAERR e que, com menos de seis meses, conseguiu o direito de gozar férias com a namorada, enteada de Mecias, numa turnê internacional por vários países.

 

Só pra quem é da família

Denarium que vive afirmando ser um combatente da corrupção e que estaria disposto a exonerar qualquer servidor que não cumpra adequadamente com o seu dever, foi surpreendido com a notícia sobre as férias do genro de Mecias em uma entrevista ao vivo. De pronto, determinou que os dias de ausência fossem descontados pois no seu governo "ninguém receberia sem trabalhar". A ordem causou um reboliço na CAERR e o presidente da Companhia, James Serrador, também indicado por Mecias teve que se virar para produzir uma nota justificando a ausência do servidor que, com menos de seis meses de contrato, conseguiu as férias. Pesquisou todo o arcabouço jurídico da CLT para tentar explicar para a população que o servidor tinha o direito de se ausentar, desde que não gerasse ônus para o Estado. O detalhe é que outros funcionários da CAERR tentaram o mesmo pedido e foi negado. Portanto, seria bem mais fácil para James apenas confirmar que André Noleto só conseguiu essa regalia por ser genro de Mecias. Ou seja, o direito a esse tipo férias na CAERR só é concedido para quem é da família.

 

Fez parte

Falando ainda em Mecias, sua assessoria divulgou um artigo evidenciando a preocupação do senador com a crise migratória que afeta Roraima e, como dizem as mães, ele não está fazendo nada mais que sua obrigação ao manifestar isso. Porém, é um trecho do texto que chama muito atenção ao afirmar que Roraima foi afetado por uma "crise financeira sem precedes, decorrente da má gestão estadual anterior". A Coluna convida o leitor a fazer uma pesquisa rápida no Google e comprovar que, nos últimos quatro anos, Mecias aparece o tempo inteiro colado em Suely Campos. A ex-governadora tinha seu total apoio e de brinde, o apoio do deputado federal Jhonatan de Jesus, filho de Mecias. Pai e filho nunca reclamaram de nenhum dos problemas que afetavam a saúde, a educação, não abriram a boca para cobrar a regularidade no pagamento do Crédito Social, para falar das irregularidades competidas com a falta do repasse dos empréstimos consignados, da aposentadoria dos servidores e nem para defender aqueles que ficaram com seus salários atrasados. Os dois eram parte do Governo até o mudarem para o palanque de Denarium. Assim, se a crise sem precedente é decorrente da má gestão passada, Mecias e Jhonatan também são muito culpados por isso.

 

Na Berlinda

Fontes próximas ao governador Antonio Denarium garantem à Coluna que o processo por compra de votos e outros crimes o tem deixado preocupado. As oitivas determinadas pela Justiça Eleitoral já estão marcadas: 4 de julho, bem no início do mês. Testemunhas já haviam relatado os fatos à Justiça, mas o magistrado que cuida do caso determinou novas oitivas, tendo em vista que alguns empresários foram citados nos depoimentos anteriores. O certo é que, eleições para governo podem surgir a qualquer momento. Assim como suplentes podem assumir na Assembleia e o senado sofrer algumas mudanças. Tudo está no caminho da incerteza. É a política roraimense.

 

Encontro

Mesmo correndo o risco de ser condenado e deixar o cargo, Denarium segue num esforço para manter sua agenda positiva e agradar quem depositou nele o seu voto de confiança. Nesta terça-feira (25), ele realizou o Encontro com os Prefeitos para discutir as necessidades de cada município e elencar de que maneira o Estado pode contribuir com essas demandas. Primeiro, é de conhecimento público o que mais incomoda os prefeitos e, de modo geral, a população do interior: a falta de apoio para a saúde, a qualidade do ensino estadual, a falta de segurança e principalmente, a condição das estradas vicinais que deveria ter uma atenção maior do Governo. É uníssono entre os prefeitos a reclamação sobre a falta de apoio do Governo, tanto que na semana passada surgiu até um movimento entre os gestores municipais para boicotar o Encontro. A maioria não se sentia confortável em tratar com o Governador depois de tantos apelos feitos sem nenhuma resposta.

 

Cobrança

Mas, pelo visto, os prefeitos decidiram aproveitar a oportunidade para juntos pressionarem o Governo a dar uma resposta para as cobranças que estão sendo feitas desde que ele assumiu. E isso ficou evidente no discurso de abertura do evento feito por Pedro Henrique (PSD), de Alto Alegre e presidente da Associação dos Municípios de Roraima. Em sua fala, ele destacou a importância de ter esse momento de diálogo, da união de todos para superar algumas dificuldades, do problema da imigração que afeta todos os municípios e das vicinais em péssimas condições que compromete a economia do interior. Lembrou que a gestão passada trouxe muitos problemas para os municípios, prejudicando as contas municipais, o que afetou até o pagamento dos servidores e deixou muitas gestões na condição de inadimplência. Também agradeceu pelo esforço da atual gestão em tentar cumprir os repasses do ICMS para as Prefeituras. Pedro não citou, mas este mês houve atraso. Educadamente, o prefeito de Alto Alegre lembrou que ainda faltam alguns ajustes como a regularização dos repasses da ação social e da saúde. Ou seja, por mais que mantenham a compostura que o evento pede, a relação entre o Governo e as Prefeituras anda mesmo bem estremecida.

 

Falar x Fazer

Há seis meses o roraimense tem aprendido a imensa diferença entre o FALAR e o FAZER. Seduzidos pelo discurso da renovação elegeram parlamentares que acumulam mais de 30 anos de mandato em diferentes esferas do poder e que ficaram apenas no FALAR, porque até o momento, não conseguiram fazer nada pelo Estado. Denarium entra também nesse time porque empregou em toda a campanha um discurso de que teria solução rápida para muitos dos problemas surgidos na gestão da sua antecessora Suely Campos. Ganhou o voto de confiança da população, gerou expectativa mas o resultado ainda não veio. Não houve melhoria na Saúde, os problemas da educação seguem os mesmos, não há previsão para a retomada do pagamento do Crédito Social e a segurança pública ainda tem graves problemas. Ao reunir os prefeitos e elaborar uma Carta de Roraima, Denarium assina o seu compromisso em buscar meios de atender às necessidades dos municípios. Mas, de maneira racional, se ele nem deu conta ainda de resolver os problemas da sua própria gestão, se nem a própria Reforma Administrativa do seu governo conseguiu fazer, como vai ter condições de contribuir com as Prefeituras? Pelo visto, é mais um Encontro que vai permanecer apenas no falar.

 

 

Iniciativa

Depois de inúmeras cobranças, um dos órgãos de controle parece ter acordado para as denúncias feitas em relação aos contratos da Secretaria Estadual de Saúde. O Tribunal de Contas do Estado (TCERR) deve apresentar logo mais, uma medida cautelar em relação à Copebras (Cooperativa Brasileira de Serviços Múltiplos de Saúde). O trabalho foi conduzido pelo conselheiro Joaquim Neto que é relator das contas da pasta e levou em consideração as denúncias feitas pelo ex-secretário de Saúde, Ailton Wanderley, que estão sendo apuradas pelo Tribunal. A nota enviada a imprensa não traz outros detalhes porém, esse é mais um problema para a gestão de Denarium visto que o ex-secretário afirmou ter comunicado todas as autoridades competentes, incluindo o próprio governador, e até onde se tem conhecimento, nenhuma atitude foi tomada para corrigir o problema.


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