Trump diz que não descarta uma opção militar contra a Venezuela

Foto: Ronaldo Schemidt/AFP
Nicolás Maduro fala em sessão da Assembleia Constituinte na quinta-feira (10)

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira (11) que não descarta uma “opção militar” contra a Venezuela. Sem detalhar, ele disse que, “se for necessário”, poderá buscar uma ação militar.

“Temos muitas opções para a Venezuela, inclusive uma opção militar se for necessário”, afirmou, em Nova Jersey, quando questionado por uma repórter sobre a situação do país sul-americano.

Trump não quis dar mais detalhes, só repetiu que uma opção militar é “certamente algo que podemos buscar”.
“[A Venezuela] é nossa vizinha, e nossas tropas estão por todo o mundo, em lugares muito, muito distantes. A Venezuela não é muito longe, e as pessoas estão sofrendo e morrendo”, disse o americano.

A declaração ocorre na mesma semana em que Trump subiu o tom contra a Coreia do Norte, ao dizer que os EUA responderiam “com fúria e fogo” caso o regime do ditador Kim Jong-un continuasse a ameaçar Washington com testes de mísseis.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que a ameaça é “um ato de loucura” de Trump e chamou o governo americano de “um grupo de supremos extremistas da elite mundial”.

“Com esse pensamento, [Trump] vai acabar com a humanidade, com o planeta, com os recursos ambientais. Não sabemos qual será o futuro do mundo assim, mas, se vier, nós estaremos na primeira fila defendendo o país.”

Padrino López afirmou que a Chancelaria venezuelana prepara uma declaração sobre as declarações do presidente americano, que será divulgada nas próximas horas.

Nesta quinta-feira (10), o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, havia dito que pediu ao chanceler venezuelano que ele contatasse Washington para tentar arranjar um telefonema com Trump, ou até mesmo um encontro durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York.

“Se está tão interessado na Venezuela, estou aqui ‘mister Trump’, aqui está minha mão”, disse, para na sequência chamá-lo de imperador e fazer uma ameaça. “Jamais vamos nos render e responderemos a uma agressão com armas na mão.”

A crise venezuelana se acirrou depois da eleição de uma Assembleia Constituinte, no último dia 30, em uma votação contestada pela comunidade internacional.

Um dia após a eleição, Washington declarou que Caracas é uma ditadura e aplicaram sanções contra o ditador Maduro, a quem acusam de romper a ordem constitucional.

ISABEL FLECK
FOLHA DE S.PAULO