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Colheita de grãos em Roraima deve crescer 15% e atrai interesse do governo nigeriano

Safra deste ano deve chegar a aproximadamente 130 mil toneladas de soja, superior as 120 mil do ano anterior

Créditos: Josué Ferreira
Ontem, foi dada a largada ao plantio da safra de grãos 2019 - Divulgação/Secom-RR

Clima favorável, plantação e colheita em épocas diferentes da do restante do Brasil. As condições para plantar em Roraima tornam o estado a menina dos olhos dos investidores de grãos. Com estimativa de colheita 15% maior, a safra 2019 deve chegar a 130 mil toneladas de soja, superior as 120 mil do ano passado. O cenário é positivo e atrai investidores de outros países, como Nigéria.

Ontem (15), foi feita a abertura oficial do plantio de grãos. Numa fazenda de Bonfim, grandes empresários participaram da cerimônia, que contou com a presença de políticos locais. O governador Antonio Denarium (PSL) esteve na celebração e desejou boa sorte aos produtores de grãos. O agronegócio é uma das pautas mais defendidas por ele.

O embaixador da Nigéria no Brasil, Christopher Nneke, conversou com o Roraima em Tempo. Pela segunda vez no Estado, ele busca conhecer as terras promissoras de Roraima para, num futuro bem próximo, investir na agricultura. Ele enfatizou que o clima é parecido com o da Nigéria, o que torna mais propício o possível investimento.

"Precisamos conhecer mais o potencial agrícola do Estado de Roraima para poder investir. Se fecharmos negócio numa semana, por exemplo, pode ser que não dê certo e o investimento se acabe. Por isso, estamos fazendo uma análise e um estudo profundo no Estado para, então, decidirmos sobre o assunto. Roraima tem potencial produtor", disse Nneke.

Quando esteve no Estado em março deste ano, lembrou que a Nigéria sempre dependeu de países do continente europeu, no que se refere ao desenvolvimento da agricultura. Esses países sempre estiveram dispostos a oferecer tecnologia, porém, devido às diferenças climáticas, não se adequavam à realidade nigeriana.

"Roraima tem muito a desenvolver, por isso se difere do Mato Grosso ou Paraná, por exemplo. Eu pretendo voltar mais vezes", afirmou, não detalhando de que forma pretende investir no Estado, nem de quando isso ocorreria. As tratativas continuam.

A produção de grãos em Roraima, principalmente da soja, surgiu como um importante investimento no Estado. No mês de abril, por exemplo, o produto ficou atrás apenas do açúcar, entre os mais vendidos pelo Estado. A Espanha foi a principal compradora, com quase R$ 1 milhão em soja.

Essas vendas fizeram com que as exportações de produtos roraimenses crescessem 93% em abril na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Coordenadoria Geral de Estudos Econômicos e Sociais - (CGEES) da Secretaria Estadual de Planejamento.

O resultado positivo fez com que o saldo da balança comercial de Roraima fechasse com novo superávit. Desta vez, de US$ 1,6 milhão. No acumulado do ano, o saldo positivo já supera a casa dos US$ 13 milhões.

OUTROS PRODUTOS

Foto: Serão plantados na safra deste ano 15 mil hectares de milho

Contudo, além do ouro agrícola do lavrado, serão plantados na safra deste ano 15 mil hectares de milho, 10 mil hectares de arroz, seis mil hectares de algodão, mais de oito mil hectares de mandioca e 11 mil hectares de banana.

A previsão de colheita este ano é de 75 mil toneladas de milho, 78 mil toneladas de arroz, mais de 25 mil toneladas de algodão, aproximadamente 141 mil toneladas de mandioca e 200 mil toneladas de banana. 

Para o economista Paulo Henrique da Silva, Roraima é a última fronteira agrícola do país. A ideia, segundo ele, é que esses produtos sejam exportados com maior facilidade e gere empregos e desenvolvimento econômico no Estado.

"Já havia uma produção de banana, abacaxi, e isso tudo seja exportado. Gera um fluxo de pessoas que vêm fazer investimentos em terras, comprar máquinas, transporte de carga. De maneira direta ou indiretamente, cria-se um novo fluxo econômico para Roraima, que independe da economia do contracheque", avaliou.

Silva comentou que é preciso o governo incentivar ainda mais a política de grãos, para que haja uma desestatização do Estado. Isto é, que a economia privada possa crescer e ajudar no estabelecimento de uma nova matriz econômica, a partir da produção agrícola, chegando, assim, à Europa, Ásia e Oceania.

No ano passado foram colhidas 46.486 mil toneladas de milho, 86.855 mil toneladas de arroz, 20.160 mil toneladas de algodão, 140.648 mil toneladas de mandioca e 165.976 mil toneladas de banana.

Em 2017 a colheita também foi produtiva e nota-se que a tendência é aumentar a quantidade de produto colhido a cada ano. Foram 45.426 mil toneladas de milho, 86.380 de arroz, 10.500 de algodão, 140.648 de mandioca e 138.813 mil toneladas de banana.

E O ESTADO?

Ao Roraima em Tempo, o governador Antonio Denarium afirmou que pretende dar maior assistência desde a agricultura familiar ao grande produtor. Para isso, as ações começam com o asfaltamento dos cerca de oito mil quilômetros de estradas vicinais que o Estado possui, bem como a recuperação de pontes para que a produção seja escoada sem prejuízos ao pequeno, médio e grande empresário.

"Temos excelente malha viária asfaltada hoje, com a BR-174, 210 e 401. Estamos com um projeto para recuperar todas as nossas estradas vicinais e as pontes. Infelizmente, pegamos um governo destruído pela má gestão e a corrupção. Mais de R$ 50 milhões desviados de convênios federais. Já denunciamos e vamos parcelar, para que a gente tire o Estado da inadimplência", declarou.

Segundo o chefe do Executivo, há R$ 12 milhões bloqueados na conta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-combustíveis), recursos para investimento em recuperação de pontes e estradas vicinais que não é liberado, pois houve desvio na casa dos R$ 20 milhões. O parcelamento foi solicitado ao Ministério de Infraestrutura e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

"Chegou o inverno agora e infelizmente não pudemos fazer muito, mas já fizemos algumas pontes. Vamos continuar trabalhando para recuperar todas as estradas vicinais do nosso Estado. Os deputados estaduais colocaram emendas individuais para recuperação de estradas e pontes. Logo, logo faremos o investimento", garantiu.

LICENCIAMENTO E RECURSOS

Durante a cerimônia, foi entregue a primeira licença ambiental com validade de 10 anos. O documento, emitido pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, tinha, anteriormente, validade por dois ou até quatro anos. Segundo o governador, isso gera economia para os produtores.

"Estamos fazendo uma licença de 10 anos, onerando muito o custo de produção, pois o produtor precisa ser valorizado. Temos o compromisso de fazer o zoneamento ecológico do Estado. Entregamos alguns títulos definitivos. São ações que acabam com os entraves. Não podemos mais ficar dependendo do governo. Temos de ser parceiro", comentou Denarium.

Na celebração, o Banco da Amazônia anunciou que vai ampliar de R$ 280 para R$ 500 milhões o aporte de recursos destinados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). O Banco do Brasil também esteve presente no evento e liberou mais R$ 2 milhões em crédito para investimentos no setor primário.

ESTRADA DA GUIANA

Um dos grandes objetivos é asfaltar a estrada que liga Roraima a Georgetown, na Guiana. Esse trabalho iniciou há anos com o então senador Romero Jucá (MDB). Conforme Denarium, as discussões acerca da obra continuam no Ministério das Relações Exteriores e da Infraestrutura, para que dentro de um ano comecem ser asfaltados os primeiros 100 km de estrada.

"[O governo guianense] anunciou que nos próximos doze meses irá começar o asfaltamento e nós vamos encurtar a distância ao canal do Panamá. Quem produz hoje no centro-sul do país, quando faz a exportação de soja, e chega no porto de Paranaguá, demora 16 dias de navio para chegar ao Paraná. Pela Guiana, vamos demorar quatro dias. Vamos diminuir o preço do frete e agregar valor ao produto roraimense", finalizou.

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