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Com RR na rota de transmissão, Ministério da Saúde encomenda 1,2 mil doses de vacina contra difteria

Governo de Roraima já havia pedido um plano de contingência contra possível surto no Estado

Créditos: Winicyus Gonçalves
Adultos vacinados, que não tomaram o reforço, ainda estão parcialmente protegidos, mas não de forma ideal - Divulgação/PMBV

O Ministério da Saúde teve de encomendar emergencialmente 1,2 mil doses de tratamento contra difteria de um laboratório internacional, por causa de problemas na produção do insumo pelo Instituto Butantã, único fabricante nacional. A baixa nos estoques vem no momento em que a Venezuela vive um surto da doença e Roraima está na rota de transmissão do vírus para o país.

O governo de Roraima já havia solicitado no dia 30 de abril ao Ministério da Saúde a realização de um plano de contingência contra um possível surto de difteria no Estado. O pedido é baseado em um alerta internacional de aumento no número de casos na Venezuela. Só o estado de Bolívar já teria registrado 400 casos.

Desde o fim da década de 1990 a doença bacteriana não exige alerta. Após apresentar importante redução na incidência dos casos, com a ampliação das coberturas vacinais nos últimos cinco anos, por exemplo, foram apenas 32 casos no País. Mas nos últimos três anos foram registradas sucessivas quedas nos índices de cobertura vacinal.

MIGRAÇÃO

A ameaça voltou em 2016, quando a crise na Venezuela se intensificou e fez doenças controladas reaparecerem. Depois disso, o país vizinho já registrou 1.688 casos e 284 mortes pela doença. Ao mesmo tempo, no Brasil, o índice de cobertura da vacina DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, caiu de 95%, índice ideal, para 80%.

Ainda não existem notificações da doença na fronteira ou de venezuelanos que chegaram doentes ao Brasil, mas a preocupação é decorrente da contínua migração para o Brasil, principalmente via Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, por conta da grave crise humanitária que assola o país vizinho.

PLANO

O Ministério da Saúde já iniciou os estudos sobre um possível plano de contingência para evitar um surto de difteria. No entanto, apesar do pedido feito, as ampolas só devem chegar ao país no segundo semestre.

Para a gerente do Núcleo Estadual do Programa Nacional de Imunizações, Carmem Muniz, embora o número de casos de difteria ainda não tenha aumentado no Brasil e em Roraima, a situação é preocupante. "A volta do sarampo, com quase 400 casos aqui [Em Roraima] no ano passado, nos mostrou o que pode acontecer quando a cobertura vacinal cai", afirmou.

REFORÇO

O esquema vacinal contra a difteria deve ser feito com três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, e dois reforços (1 ano e 3 meses e 4 anos). O que muitos não sabem, porém, é que o imunizante exige reforços a cada dez anos até o fim da vida. Eles são feitos com a vacina dupla adulto. Os adultos vacinados, que não tomaram o reforço, ainda estão parcialmente protegidos, mas não de forma ideal.

DIFTERIA

A difteria é uma doença causada por uma bactéria que se instala nas amígdalas, faringe, laringe e nariz, provocando dificuldade de respiração. A doença pode ser transmitida pelo contato direto, por gotículas eliminadas pela tosse, espirro e ao falar.

O principal sintoma é o aparecimento de membranas acinzentadas nas amídalas, além de tosse rouca, febre, dor de garganta, mal-estar, nariz escorrendo e gânglios inflamados. O tratamento da difteria é feito com soro específico, que deve ser ministrado em unidade hospitalar. O uso do antibiótico ocorre nos casos mais graves. Mas a vacinação ainda é o principal meio de controle e prevenção da doença.  (W.G.)

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