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Empresas terceirizadas e transporte escolar estão há 10 meses sem receber pagamento

Categorias ainda estão acampadas em frente ao Palácio do Governo, no Centro Cívico

Créditos: Winycyus Gonçalves
Motoristas de transporte escolar e servidores terceirizados continuam esperando respostas do governo estadual - Edinaldo Morais/Roraima em Tempo

Desde janeiro, a paisagem da Praça do Centro Cívico, em Boa Vista, não muda. Acampados há mais de três meses, trabalhadores que prestam serviço terceirizado ao governo de Roraima buscam resposta. Eles têm companhia de motoristas de transporte escolar que estacionaram os veículos no local. O que as duas classes têm em comum? A busca pelos pagamentos a serem feitos pelo Governo Estadual.

No caso dos trabalhadores terceirizados, a espera dura mais de dez meses, de acordo com a classe. Representantes das empresas Lidan, Limponje e Haiplan, que prestam serviços ao governo, não recebem parcelas em atraso desde a época do governo de Suely Campos (PP).

Os trabalhadores fazem o que podem para se manter acampados, recebendo doações e juntando dinheiro como podem, mas nem sempre a ajuda chega. Eles alegam que, com o atraso nos salários, não têm como comprar comida e nem pagar contas para suprir necessidades básicas.

IMPASSE

O movimento dos terceirizados começou no mês de janeiro para cobrar da nova gestão repasse de verba às empresas terceirizadas. A categoria tem para receber pelo menos dez meses, além do décimo terceiro e férias, segundo eles.

A trabalhadora terceirizada Keith Marrone, que faz parte da comissão responsável por tratar da reinvindicação da classe, informou que as empresas pagaram, até o momento, apenas os salários referentes aos três primeiros meses de 2019.

"Tem horas que o governo diz que não vai pagar porque a dívida não é dessa gestão, mas a gente presta serviço para o Estado. Nós merecemos receber porque trabalhamos. Independente de qual governo esteja atualmente, tem que nos pagar, pois é dívida do Estado", declarou Keith.

Para resolver o imbróglio, a classe acompanhou sessões na Assembleia Legislativa para pressionar os Poderes quanto ao pagamento dos salários atrasados. No entanto, o Orçamento 2019, aprovado no último dia 10, não prevê o pagamento de salários retroativos.

Os terceirizados prometem permanecer acampados em frente ao Palácio até que haja negociação da dívida entre governo e empresas. Para eles, é uma segurança de que vão receber.

"Uma coisa é certa: a gente sabe que o Estado não vai pagar tudo de uma vez. Mas poderia dar uma entrada e parcelar o restante. Isso firmado em contrato e reconhecido em cartório para não haver problemas depois", concluiu Keith Marrone. 

TRANSPORTE

As empresas de transporte escolar que prestam serviço ao governo de Roraima também reivindicam nove meses sem receber os repasses do governo estadual. Cerca de 20 empresas prestam o serviço para o Estado. Diante do impasse, diversos veículos continuam estacionados no Centro Cívico.

Os problemas envolvendo o serviço transporte escolar no estado ganharam destaque no fim do ano passado, após a operação Zaragata, da Polícia Federal, que investigou e prendeu nove pessoas, entre elas a deputada Ione Pedroso (SD), envolvidas com desvio de dinheiro público, que chegou aos R$ 50 milhões.

"Os transportes devem continuar parados no Centro Cívico, pois a classe está muito chateada com governador, visto que foram muitas as promessas e esperanças que ele nos deu durante a campanha. Confiamos nele porque não sabíamos mais quem procurar", declarou o presidente da Cooperativa do Transporte Escolar, André Márcio Silva.

Sem o fornecimento do serviço, cerca de 10 mil alunos que dependem do transporte escolar estão sem ir às aulas. As unidades de Amajari, Caroebe e Normandia, vicinais e comunidades indígenas seguem sem data para começar o calendário letivo.

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