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Estudante idealiza projeto para reabilitação de dependentes químicos indígenas em RR

Pesquisa deve ser apresentada nos dias 27 e 28 de maio ao Ministro da Cidadania, Osmar Terra, em Brasília

Créditos: Yara Walker
Patrícia Oliveira, 42 anos é acadêmica do curso de Gestão em Saúde Coletiva Indígena do Instituto Insikiran da UFRR - Edinaldo Morais/Roraima em Tempo

Com mais de quatro anos de pesquisa no Estado de Roraima, o projeto "Minha maloca querida" agora ganhará visibilidade nacional. Ele é um Centro de Reabilitação e Ressocialização para Dependentes Químicos Indígenas de Roraima.

O programa tem o intuito de realizar a reabilitação e ressocialização de dependentes químicos Indígenas roraimenses e já foi aprovado como política pública de atenção à saúde e segurança dos povos indígenas da região Leste.

Idealizado pela moradora da comunidade da Ilha, região Baixo São Marcos e estudante da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Patrícia Araújo, da etnia Macuxi, o projeto sempre foi um sonho para ela, pois se trata de um problema grave crescente na região.

"Este projeto merece visibilidade e requer a atenção por parte dos atores da sociedade civil e política. O anseio dos Tuxauas sobre o aumento de indígenas com problemas de álcool e drogas nas comunidades foi o estopim para realizar essa pesquisa e fazer de fato algo que ajudasse a população", contou emocionada.

A pesquisadora enfatizou a relevância da educação pública para realização e aceitação desta ação nas comunidades indígenas. "O curso me proporcionou a pensar numa política pública voltada para a saúde dos povos indígenas", afirmou.

Conforme Patrícia, no período da pesquisa foi constatada a existência de uma rota para o tráfico de drogas que passa pela comunidade estudada. Ela ressalta que o índice de indígenas na população carcerária também foi um dos fatores determinantes para seguir com o projeto.

"Em 2016, uma das pesquisadoras do Insikiran fez um levantamento sobre indígenas dentro dos presídios onde 83% eram foram constatados. De lá pra cá, esses dados sofreram uma ascensão, de 83% para 93%. Então quando terminamos de escrever a tese e divulgamos, ela foi bem aceita pelos líderes indígenas no Estado, o que me motivou a levá-la para o resto do país", completou.

RECONHECIMENTO NACIONAL

Nos dias 27 e 28 deste mês, Patrícia deve apresentar a pesquisa na Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, na presença do Ministro da Cidadania, Osmar Terra, em Brasília.

"Mandei o projeto para o ministro Osmar, no início deste ano. Então eles entraram em contato comigo e com meu orientador. Foi emocionante! Sou da comunidade e esse projeto é também de uma realidade que presenciei e que atende a população", relatou.

CORTES NA EDUCAÇÃO

Ao ser questionada sobre a recente medida de cortes orçamentários da Educação, anunciado pelo novo Governo em 30%, a acadêmica criticou a medida. "Dá uma angustia!". Ela explica ainda que os cortes são prejudiciais para a população indígena, que deixa a comunidade e não tem lugar para morar na cidade.

"Dependemos unicamente do auxilio da instituição, pagar aluguel com uma bolsa que possivelmente será retirada. Não tivemos direito a passagens e diárias, devido ao congelamento dos auxílios. Temos uma formação que auxilia não só a nossa região, mas o país. Nós pesquisadores e estudantes temos essa possibilidade e precisamos ir à luta sempre", finalizou.

SOBRE O PROJETO

Nascido em 2018, o programa é um Centro de Reabilitação e Ressocialização para Dependentes Químicos Indígenas de Roraima. O objetivo é a Implementação de uma política pública de atenção à saúde e segurança dos povos indígenas da região Leste do estado.

O projeto é coordenado pelo Prof. Dr. Eliseu Adilson Sandri e já foi aprovado nas etapas Locais e Distritais de Saúde Indígena e está tramitando para aprovação também na 6ª Conferência Nacional de Saúde (6ª CNSI).

Além disso, conta com a parceria de diversas instituições públicas como a SESAI/Dsei Leste Roraima, UFRR, Funai, Ministério Público Federal e Organizações Indígenas do Estado de Roraima. O Centro de Reabilitação demanda uma previsão orçamentária de cerca de R$ 2,5 milhões em investimentos.

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