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Fotógrafo diz que GNB ameaçou atirar e tocar fogo neles durante prisão na Venezuela

Trio foi preso na segunda (17) e liberado na terça (18) por volta das 18h30; guardas apagaram imagens dos profissionais

Créditos: Ana Paula Lima
Trio conversou com o Roraima em Tempo nessa quarta-feira (19) - Ana Paula Lima/Roraima em Tempo

Horas de terror psicológico e ameaças de morte por parte da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), descreveram os fotógrafos brasileiros presos na Venezuela. Eles retratam à reportagem os momentos em que ficaram sob a mira da guarnição, quando foram presos na segunda-feira (17) no país vizinho.

Em entrevista ao Roraima em Tempo, os profissionais relataram que permaneceram por apenas uma hora em solo venezuelano, para que o fotógrafo documental Gabriel de Rezende, do Espírito Santo, pudesse conhecer a localidade e fazer algumas fotos. Ao tentarem retornar ao Brasil foram parados na fronteira. Eles acreditam terem sido seguidos.

Durante a revista nos materiais, os guardas encontraram um drone no veículo. O equipamento, que faz filmagens e fotografias por meio de voo, é proibido na Venezuela. Com isso, o trio foi encaminhado a uma sala na própria fronteira, onde permaneceram até a noite.

"Em momento algum eles perguntavam algo da gente, somente apresentavam as provas contra nós. Eles pegaram todo nosso material e combinamos de ligar para alguém influente para nos ajudar. Depois de ligarmos, eles falaram que seríamos soltos no outro dia pela manhã, mas passaram a noite inteira nos ameaçando", contou Luan Soares.

De acordo com ele, os guardas chegaram a oferecer um café da manhã para o trio, porém, diante do estresse, não conseguiram comer. Mesmo com a fronteira aberta, os fotógrafos não foram liberados e foram levados para o Quartel General em Santa Elena. Lá, segundo o trio, eles ouviram que seriam acusados pelo crime de terrorismo.

AMEAÇAS

Fluente em espanhol, o fotógrafo Diego Veras disse ter compreendido todas as ameaças, que iam de tiros até serem queimados. "Ouvi várias vezes a cogitação de atiraram na gente. Na hora de dormir, eles falaram que se nos mexêssemos, iam atirar em cada um. Para a pressão psicológica ficar mais tensa, eu ouvi quando ele engatilhava o fuzil", revelou.

O trio permaneceu num sofá durante toda a noite até que o Consulado do Brasil intervisse na situação e começasse as negociações para liberar os profissionais. Veras comentou que um dos guardas teria combinado de transferir os presos até Puerto Ordaz.

"Pelo fato de entender o que eles diziam, eu era o primeiro a chorar. O Gabriel e o Luan me acalmavam e pediam para mentalizar na minha filha de quatro meses. O fato de estarmos juntos ajudou muito. A sensação [de ter sido liberado] é de alívio", complementou.

EQUIPAMENTOS

Os equipamentos dos profissionais também foram apreendidos. Máquinas fotográficas, notebook e celulares, além do drone, ficam sob posse da Guarda Bolivariana. Todas as memórias dos aparelhos foram apagadas antes de serem devolvidas. O drone permaneceu na Venezuela.

Gabriel de Rezende justificou que a ideia, ao atravessar a fronteira, não era a trabalho já que o material era focado na migração em Pacaraima e Boa Vista. "É o meu trabalho, vou continuar fazendo. Agora, essa lição é para o resto da vida porque aprendemos que não devemos entrar em um país sem qualquer respaldo", frisou.

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