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Inaugurada há um ano, unidade do DSEI na Raposa sofre com falta de materiais e médicos

Esta é a terceira matéria da série 'A outra face da Raposa', que o Roraima em Tempo traz ao longo desta semana

Créditos: Winicyus Gonçalves
Posto oferece serviços de triagem, acolhimento, dentista e farmácia básica a quase sete mil indígenas - Edinaldo Morais/Roraima em Tempo

Com a assistência médica já comprometida por um incêndio no prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Leste, em Boa Vista, os índios agora sofrem com a falta de materiais e de médicos na UBS inaugurada há pouco mais de um ano na Raposa Serra do Sol.

A situação da saúde na reserva indígena é tema da terceira reportagem da série 'A outra face da Raposa', publicada ao longo desta semana pelo Roraima em Tempo. A primeira foi sobre Educação Indígena e a segunda sobre Infraestrutura

"Têm faltado materiais como gaze, esparadrapo e alguns medicamentos como anti-inflamatórios, por exemplo. Quando não podemos fazer o procedimento, temos que encaminhar o paciente para Normandia ou para Boa Vista, e aí eles têm que encarar a estrada", explica o coordenador da unidade, Márcio Raposo.

POSTO

O posto de atendimento, que fica na Raposa 1, foi inaugurado como uma Unidade Básica de Saúde, oferecendo serviços de triagem, acolhimento, dentista e farmácia básica para as mais de sete mil pessoas que vivem na região.

"A gente não pode dizer que é uma UBS [Unidade Básica de Saúde] se não temos medicamentos ou materiais para realizar os procedimentos. Neste momento, o que temos aqui é apenas um posto", reclama Márcio.

A unidade fica em um ponto de referência dentro da comunidade. De acordo com dados da prefeitura de Normandia, 89 comunidades indígenas são atendidas no polo base. Na unidade, os pacientes são avaliados e, quando há necessidade, são encaminhados para o Hospital de Normandia ou para as unidades especializadas de Boa Vista.

À época, os 600 metros de área quadrada construída contaram com o apoio do então senador Romero Jucá (MDB), que garantiu a liberação dos recursos. Na inauguração da unidade, no dia 14 de janeiro do ano passado, o prefeito de Normandia, Gute Brasil (PDT), comemorou o não-deslocamento dos indígenas para Boa Vista.

"Muitas vezes, tínhamos que deslocar esse paciente para Boa Vista e agora, contamos com uma estrutura de atendimento básico de qualidade para os nossos indígenas", destacou o prefeito.

DEMANDA

"Nós temos atendido cerca de 85% da demanda, o que é um índice alto, mas a demanda é grande demais . Temos a estrutura mas não temos medicamentos, as vezes nem um analgésico, e nem um médico que possa ficar na comunidade", afirma Raposo.

 Raposo também relata que alguns procedimentos médicos são feitos sem os materiais necessários para proteger os profissionais, o que ocasionaria uma contaminação.

"Às vezes, para realizar os procedimentos, temos quer arriscar nossa saúde. Até atendendo sem luva. De vez em quando faltam outros materiais de proteção".

"A equipe da unidade é composta apenas por um enfermeiro, uma técnica, vacinadora e um profissional de odontologia. Além do médico que vem a cada 15 dias. Mas hoje temos só uma médica para várias regiões, fazendo atendimento de polo em polo. Além disso, faltam profissionais de apoio, como para a limpeza ou zeladores, por exemplo", complementa Raposo.

INCÊNDIO

A situação da unidade na Raposa começou a se agravar após o incêndio de grandes proporções destruiu o prédio do DSEI-Leste Roraima, na madrugada do dia 21 de novembro. À época, sete viaturas da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que coordena os distritos sanitários, queimaram e foram retiradas da área do prédio parcialmente destruídas.

Medicamentos destinados às comunidades indígenas também pegaram fogo, o que causou um prejuízo avaliado em R$ 6 milhões. O volume era grande no depósito porque um carregamento havia chegado de Brasília dois dias antes do acidente.

Cerca de 400 comunidades indígenas e mais de 53 mil indígenas são atendidos pelo DSEI-Leste Roraima, que abrange a região Norte e parte do Sul do Estado.

IMPASSE

Após o incêndio, o Dsei começou a viver um período de indefinição. Há quase dois mês, indígenas de Roraima reivindicam o nome de Paulo Daniel para compor a coordenação do Distrito. Segundo eles, outros nomes não serão aceitos.

Ainda no fim do ano passado, Joseilson Câmara foi exonerado do cargo e Armando Neto foi nomeado como coordenador. Após a exoneração de Armando Neto, no dia 16 de maio, o médico Vitor Paracat Santiago assumiu como coordenador do Dsei-Leste, o que gerou revolta por parte das lideranças que permanecem com ações de protesto por tempo indeterminado.

Santiago foi indicado ao cargo pelo senador Chico Rodrigues (DEM). O parlamentar participou do primeiro protesto e, inclusive, recebeu documentada indicação das lideranças. Ele tinha se comprometido de levar o pedido à Brasília.

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