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Indígenas permanecem em protesto no Centro Cívico; 'sem previsão para acabar'

Só devem deixar o local quando todas as demandas forem atendidas; estão há mais de 20 dias acampados

Créditos: Anderson Soares
Protesto dos indígenas é para que direitos assegurados em lei sejam cumpridos - Anderson Soares/Roraima em Tempo

Índios das etnias Macuxi, Ingarikó, Patamona, Tauarepang, Wai-Wai, Yanomami, Iekuana e Wapichana seguem acampados desde o dia 23 de abril na Praça do Centro Cívico, em Boa Vista. Eles decidiram permanecer no local para protestar e cobrar melhorias para os povos indígenas de Roraima.

Nesta terça-feira (14), completa 22 dias que os indígenas passaram a ocupar parte da praça num espaço denominado por eles de "Acampamento Terra Livre". Informaram à reportagem do Roraima em Tempo que seguirão até que todas as reivindicações sejam atendidas.

Entre elas, a nomeação do médico Paulo Daniel como novo coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste (Dsei-Leste). Para eles, é de fundamental importância que a indicação seja acatada, tento em vista que o profissional atua há cerca de 30 anos na saúde indígena do estado.

"Só vamos sair daqui [Centro Cívico] se as nossas solicitações forem atendidas e a pessoa indicada por nós assumir. Enquanto isso vamos continuar resistindo porque é um direito nosso. A Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena] foi uma conquista das nossas lutas e não aceitamos a indicação política para coordenar a Dsei-Leste", enfatizou a professora e indígena Ernestina Alonso de Souza.

A líder indígena acrescentou que é preciso continuar com os protestos de forma pacífica para garantir direitos assegurados por lei que, segundo ela, não estão sendo cumpridos atualmente. Citou, como exemplo, o atraso do início das aulas nas comunidades indígenas, o que tem prejudicado os estudantes.

"O movimento vai continuar. Não sabemos o dia que iremos acabar com nossa mobilização. Enquanto não aceitarem a nossa indicação não iremos desistir. Nesse momento, estamos analisando de que forma vamos atuar daqui para frente, porém, não pretendemos encerrar o protesto. O prazo é indeterminado", garantiu Ernestina.

Ela frisou que a luta tem o apoio de todos os povos indígenas de Roraima, e que há muito a ser feito para que todos os direitos conquistados sejam cumpridos. "O nosso movimento é em defesa da Educação, Saúde e do nosso território", concluiu.

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