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Médicos reclamam de atrasos nos salários; 'Estamos há 75 dias sem receber', afirmam

Categoria ameaçou protestar na porta do Hospital Materno Infantil; foi realizada uma reunião com a cooperativa para tratar do assunto

Créditos: Winycyus Gonçalves
Manifestação estava marcada para essa terça-feira (14), mas médicos temem retaliação da cooperativa a qual são filiados - Edinaldo Morais/Roraima em Tempo

Com os salários atrasados há 75 dias, médicos cooperativados e diretores da Cooperbras se reuniram na terça-feira (14), para discutir o assunto. O encontro ocorreu em uma sala do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazaré.

De acordo com uma médica, que não quis se identificar, a cooperativa prometeu que o pagamento seria feito, "mas até agora nada. Eles são uma máfia", declarou a profissional.

Segundo ela, os atrasos são frequentes, "já antes desse último atraso, outros menores aconteciam. Eles demoram a entregar as notas [fiscais] e isso faz com que os nossos salários não sejam pagos", contou a médica.

Uma manifestação chegou a ser anunciada para a manhã dessa terça, mas não aconteceu nenhuma movimentação na porta da maternidade, onde o grupo estava reunido. Os médicos temem retaliação da cooperativa.

"A Cooperbras é a única que atende aqui no Estado. Os médicos têm muito a perder se colocarem a cara para protestar, e eles estão segurando a gente de todas as formas para que a gente não denuncie", acusou a profissional.

O atraso de mais de dois meses de salários provocou impactos desde o último fim de semana. Alguns médicos plantonistas deixaram de atender na maternidade porque os plantões não foram pagos. Funcionários do Hospital Geral de Roraima (HGR) também reclamaram de atraso nos pagamentos.

As cooperativas médicas funcionam como intermediárias entre as instituições e os profissionais. Roraima depende desses contratos para compor o quadro de médicos. Desmotivados pelos baixos salários no Sistema Único de Saúde (SUS), os profissionais preferem se associar às cooperativas. Assim, prestam serviços tanto ao setor suplementar como ao público, chegando a triplicar os ganhos.

CRISE

O atraso expõe a gravidade da crise na Saúde em Roraima. O Estado segue em calamidade na saúde desde o dia 24 de fevereiro, após decreto assinado pelo governador Antônio Denarium (PSL). O governo estadual estima que a dívida chegue a R$ 300 milhões, com previsão de déficit de mais R$ 300 milhões para 2019.

Há quase cinco meses, trabalhadores que prestam serviços terceirizados ao governo de Roraima, inclusive no setor de saúde, esperam o pagamento de salários atrasados. Alguns alegam que está há 10 meses sem receber.

A situação se agrava ainda por denúncias de corrupção na Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). Pouco mais de um mês do pedido ter sido feito, ainda segue em tramitação na Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) o requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

O documento está em análise e não foi avaliado pelo presidente da Casa, Jalser Renier (SD). Depois deve passar pela Procuradoria Geral da Casa, para análise jurídica.

O pedido foi feito após denúncias do ex-secretário estadual de Saúde, Ailton Wanderley, que após pedir demissão, afirmou que empresas privadas têm prioridades na escolha de prestação de serviço dentro da Pasta. Em post no Facebook, o ex-secretário declarou que a saúde está "mergulhada em um pântano de corrupção".

NOTA

Em nota, o Governo do Estado disse que a Cooperbras entregou a nota fiscal referente ao mês de março de 2019 na última quinta (9) às 19h e que a Secretaria de Saúde já encaminhou para a Controladoria Geral do Estado (CGE), onde é realizada a análise técnica do processo e para o Setor de Compras Governamentais da Receita Estadual.

Após a verificação dos impostos devidos, realizarão a análise e liberação dos pagamentos no decorrer da próxima semana. O governo ressaltou ainda que a nota fiscal do mês de abril ainda não foi entregue à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

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