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Pacientes reclamam de falta de limpeza e infiltrações na Maternidade de Boa Vista

Denunciantes contaram que desde o início da internação a unidade ainda não foi limpa


Imagens registraram momento em que corredores da maternidade estavam alagados pela forte chuva - Arquivo pessoal

A falta de estrutura do Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, zona Norte de Boa Vista, tem sido alvo de constantes denúncias. Com o período chuvoso, a situação da unidade piora, uma vez que os corredores ficam alagados e outros transtornos são registrados pelas pacientes. Uma delas procurou o Jornal Roraima em Tempo para reclamar da precariedade.

De acordo com a denúncia, os servidores da limpeza estão sem receber e por isso o local está sem higiene, o que também gera reclamação por parte dos pacientes. "Tenho medo de ir ao banheiro e pegar uma infecção. Fiz uma cirurgia e estou exposta à sujeira", relatou uma mulher que preferiu não ser identificada.

Uma das pacientes veio de Alto alegre para dar à luz na maternidade. Ela contou que desde o início da internação a unidade ainda não foi limpa. "Os funcionários estão proibidos de limpar" afirmou.

A paciente destacou também que esta não é uma situação recente, visto que outras unidades já passam pelo mesmo problema de falta de limpeza e precariedade no serviço. "Há cerca de um mês precisei realizar um exame em boa Vista e me deparei com esta mesma situação", declarou a mulher.

CHUVAS

Goteiras e inundações nos corredores estão quase que comuns na maternidade, pois toda vez que chove os transtornos com alagamentos nas salas são registrados. "O prédio apresenta infiltrações e quando chove, os corredores ficam cheios de água, impossibilitando o tráfego de pessoas e colocando a vidas das pacientes em risco, pois podemos cair e nos machucar", disse.

Sujeira e infiltrações são os problemas mais citados pelas pacientes. Para elas, uma servidora da maternidade informou que está trabalhando sem receber há cinco meses. "Ela nos contou isso e alegou que o motivo do acúmulo de lixo na unidade é a falta de pagamento", comentou.

SEM RECEBER

Segundo uma funcionária, que preferiu não ter a identidade revelada, a equipe de limpeza está trabalhando sem receber e muitos não têm condições financeiras nem para pagar o transporte para ir ao trabalho, tendo em vista que nem o vale foi fornecido.

Esta não é a primeira vez que os funcionários terceirizados da empresa União, que presta serviço ao governo do estado, passam por essa situação. Em abril, o Roraima em Tempo divulgou a paralisação dos trabalhadores para reivindicar o pagamento dos salários atrasados.

"Eu trabalho porque eu preciso. Famílias já foram despejadas por não terem como pagar o aluguel", afirmou uma terceirizada.  

A denunciante confirmou que após a última paralisação foi efetuado o pagamento de apenas um mês. Questionada sobre uma possível greve, ela frisou que os trabalhadores não se setem seguros para tomar medidas drásticas, uma vez que temem os descontos salariais devido às faltas.

"Mas nós já vimos algumas equipes sem trabalhar durante os plantões. Temos consciência da situação em que o estado se encontra, mas não podemos simplesmente deixar de prestar o serviço, pois as pacientes precisam de nós e com as chuvas, os corredores ficam alagados, deixando-as em situação de risco", enfatizou a servidora.

O QUE O GOVERNO DIZ

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) informou que está agilizando o cronograma de obras estruturais das unidades de saúde junto à Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf), considerando a urgente necessidade de reparos em alguns hospitais por conta da ausência permanente de manutenção em gestões passadas.

Quanto aos pagamentos da empresa União Comércio e Serviços, a Secretaria disse que já foram pagos os valores referentes aos meses de janeiro a março de 2019 e que a nota de abril está em fase de tramitação para pagamento, conforme procedimentos legais exigidos pelos órgãos de controle.

"Os valores do ano anterior estão em processo de reconhecimento de dívida e seguirão os trâmites para pagamento após o fim do Estado de Calamidade Pública Financeira, conforme Decreto 26.404 - E, publicado no Diário Oficial do Estado de Roraima (DOE-RR), do dia 28 de dezembro de 2018", citou um trecho da nota.

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