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Reabertura da fronteira pode trazer mil venezuelanos por dia, avalia especialista

Desde o fechamento da fronteira, registro havia caído para 300 entradas diariamente, uma redução de 62%


Fluxo migratório pode aumentar mais que o triplo caso a fronteira seja reaberta - Josué Ferreira/Roraima em Tempo

A possibilidade de reabertura da fronteira entre Brasil e Venezuela, levantada por Nicolás Maduro após encontro com o senador Telmário Mota (Pros), na segunda-feira (15), pode intensificar consideravelmente o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil, avaliou o cientista político e economista Paulo Henrique da Silva. A fronteira está fechada há quase dois meses.

Segundo a Operação Acolhida, o Posto de Recepção e Informação (PRI), em Pacaraima, registrava uma média de 800 entradas de venezuelanos no Brasil por dia. Desde o fechamento da fronteira, o registro caiu para 300 diariamente, uma redução de 62% se comparados os dois momentos.

De acordo com Silva, caso a fronteira seja, de fato, reaberta, a estimativa é que o fluxo migratório aumente para cerca de mil pessoas por dia, mais do que o triplo registrado até agora.

"Após assinar acordo para receber ajuda da Cruz Vermelha [assinado no último dia 10], Maduro admitiu pela primeira vez que precisava de ajuda para conter a fome no país. A partir dessa ação, o processo migratório tende a aumentar ainda mais, porque há um posicionamento real de que o governo venezuelano não dará conta de resolver as questões econômicas sozinho", explicou o especialista.

Na terça-feira (16), a Cruz Vermelha anunciou que um primeiro lote de ajuda humanitária chegou à Venezuela. Geradores elétricos serão levados a hospitais para evitar mais consequências dos frequentes cortes de energia que ocorrem lá.

Para o cientista político, a ajuda tem que ser mais efetiva para que se reduza, de fato, o fluxo migratório mesmo após a fronteira ser reaberta. "O fluxo migratório só diminuirá se a Venezuela receber mais ajuda humanitária, seja da China, da Cruz Vermelha ou de outras organizações e países, e se ela for suficiente para conter de fato a fome no país", afirmou.

O grande fluxo de imigrantes que passavam pela fronteira, quando estava aberta, fez com que aumentasse consideravelmente o número de venezuelanos no Estado. De acordo com dados divulgados pela Operação Acolhida, cerca de sete mil ainda foram recebidos nos 13 abrigos construídos pelo governo federal em Roraima.

No dia 20 de março, o governador Antonio Denarium (PSL) redecretou situação de emergência social por mais 180 dias. Segundo ele, o motivo é justamente a crise migratória que afeta Roraima.

FECHAMENTO

Desde o dia 21 de fevereiro, por ordem do presidente Nicolás Maduro, a fronteira entre Brasil e Venezuela está fechada. A decisão foi tomada após o presidente Jair Bolsonaro, junto com os Estados Unidos, estabelecerem um plano de ajuda humanitária à Venezuela, o que gerou uma ruptura nas relações diplomáticas.

A situação provocou conflitos entre a Guarda Nacional Bolivariana e indígenas venezuelanos, deixando 17 feridos. Eles foram atendidos nas unidades hospitalares do estado. Pacaraima também registrou conflitos entre manifestantes favoráveis e contrários à ajuda humanitária.

Ainda de acordo com a Operação Acolhida, os caminhões usados para a tentativa de ajuda humanitária já foram devolvidos para os proprietários e os alimentos estão armazenados, aguardando um posicionamento dos doadores.

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