Últimas Notícias

Relatório da ONU não contabiliza dados sobre a migração venezuelana em RR, afirma porta-voz

Documento é a principal análise estatística feita sobre a situação global do deslocamento

Créditos: Yara Walker
Dados revelam o maior nível de deslocamento forçado nos últimos 70 anos - Arquivo/Agência Brasil

Com o tema "Tendências Globais 2018", um documento sobre refúgio foi divulgado nessa quarta-feira (19) pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur). O relatório foi apresentado simultaneamente em Boa Vista (RR) e São Paulo (SP).

Divulgado às vésperas do Dia Mundial do Refugiado, celebrado neste dia 20 de junho, os dados revelam o maior nível de deslocamento forçado nos últimos 70 anos: quase 71 milhões de pessoas deixaram seus lares, abandonando as cidades e até mesmo os países em que viviam para escapar das consequências de guerras, perseguições ou conflitos violentos.

O documento é a principal análise estatística feita sobre a situação global do deslocamento, com dados sobre populações de refugiados, países de origem e de acolhida, apatridia e temas relacionados ao mandato da Acnur.

Na capital, o evento reuniu no auditório da Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-estar Social (Setabres), representantes do município e Estado. Fizeram parte da mesa o Coordenador Operacional da Força-Tarefa Logística Humanitária em Roraima, General Eduardo Pazuello, e a chefe da Acnur, Ester Beneres.

O porta-voz da Agência da ONU, Luiz Fernando Godinho, apresentou pontos para desmistificar a situação dos refugiados no mundo.

"Nós temos mais de 70 milhões de pessoas fugindo de guerras, perseguições dos próprios países. E obviamente a figura da Venezuela que surge com números expressivos. A tendência é que este ritmo venha aumentar. Esses dados não condizem com a real situação da Venezuela", relatou.

Godinho destacou ainda que os números sobre impacto do fluxo migratório da Venezuela em Roraima só serão contabilizados no próximo relatório. "Não existem esses dados específicos no documento", frisou.

"Esse deslocamento ocorre todos os dias. A situação é complexa e não se restringe à Boa Vista. Na proporção, quase 30 mil pessoas saem dos países de origem e essa combinação de situações faz com que os dados dobrem", afirmou.

NÚMEROS

Segundo a Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, de julho de 1951, o refúgio pode ser solicitado por indivíduos que, temendo ser perseguidos por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, deixam os países onde nasceram ou viviam para viver em outra nação e que receiam regressar.

Em 2018, o número de refugiados chegou a 25,9 milhões de pessoas em todo o mundo. Foram 500 mil pessoas a mais que o estimado em 2017 e cerca de 3,4 milhões além do calculado em 2016, quando o Acnur indicou a existência de 22,5 milhões de refugiados.

Além disso, em 2018, metade dos refugiados era criança, muitas delas inclusive viajando separadas de suas famílias ou desacompanhadas. Só em Uganda, a agência da ONU afirma ter recebido informações da existência de 2,8 mil crianças refugiadas que, com 5 anos de idade ou menos, foram separadas das famílias. 

 

 

SEE ALSO ...