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Representantes LGBTI participam de Parada Gay e focam nas mudanças para Roraima

23ª edição da Parada do Orgulho LGBTI ocorreu no último fim de semana em São Paulo

Créditos: Ana Paula Lima
Drag Queen há mais de 10 anos, Maria Soledad esteve em cima do 11º trio durante o evento em SP - Arquivo Pessoal

Às vezes, olhar para o céu e contar as cores do arco-íris parece tarefa difícil. Será que existe uma linha roxa? Ou uma leve extensão do alaranjado? A dúvida é pela falta de visibilidade. De forma irônica, o simbolismo é o mesmo e se estende socialmente para o grupo que mudou o sentido da bandeira colorida. Mas com a diferença: para a comunidade LGBTI não há mais espaços para dúvidas da existência.

Em Roraima, representantes de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Intersex abrem cada vez mais espaço para os grupos minoritários se consolidarem na sociedade.

Com alvo nas mudanças para todos e a quebra de preconceitos, roraimenses participaram do maior evento de diversidade do mundo, a Parada Gay de São Paulo.

Agora voltam com ideias para aplicar no estado e visualizam um futuro mais inclusivo. Drag Queen há mais de 10 anos, Maria Soledad esteve em cima do 11º trio durante o evento e já imagina o que pode fazer na 24ª edição da Parada Gay em Roraima, que deve ocorrer em setembro.

"Fomos convidadas também para o 2º Encontro de Parada LGBTI com os organizadores de todo país, para discutir o que cada organizador quer representar no seu estado. Queremos desmistificar que não é só festa, mas que tem por trás um ato político", relatou, ao acrescentar que, enquanto estava no trio, conseguiu ver famílias inteiras se divertindo com respeito.

Maria acredita que o respeito é a forma de conseguir espaço para todos, sem privilégios para um ou outro grupo. No estado, a maior dificuldade é conseguir apoio para organização dos eventos LGBTI, fazendo com que muitos arquem do próprio bolso.

"Para a gente, seria importante a participação de pessoas que acreditam que possam ter o respeito mútuo. Só temos a ganhar com esses eventos, pois esperamos que as coisas aconteçam com respeito. Não precisa aceitar, mas respeitar é fundamental para termos uma qualidade de vida. Somos em prol do amor e não estamos só nunca. Podemos sempre contar um com outro", complementou.

RESPEITO

Da mesma forma que Maria, a DJ transexual Hayub Tomé avalia que a ida para São Paulo fortaleceu a visibilidade às minorias roraimenses, demonstrando que cada um pode ocupar o espaço desejado.

"Roraima é um estado pequeno e as pessoas precisam saber que elas podem sair do micro para o macro. O que vi na parada pode ser aplicado por aqui porque tudo começa de forma pequena e cresce ao longo dos anos", comentou.

Hayub entende que os primeiros passos para uma sociedade com menos preconceito é entender que a orientação sexual diferenciada é normal. "Para os espaços estarem abertos, precisamos ocupar. Sou a única trans da minha universidade e é assim que abrimos espaços para outras pessoas", justificou.

Ela explicou que um dos meios é mudar a base da educação, dando mais oportunidade para pessoas diferentes, sem que elas acabem desistindo dos estudos e perpetuem a pobreza e situações de vulnerabilidade para trans e travestis. "Que elas não sejam obrigadas a se sentirem excluídas", encerrou.

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