Coluna Roraima Alerta

Opinião: Ano de má gestão, ano de mortes

Feriado da Semana Santa também foi marcado pela lembrança de um ano desde a primeira morte por Covid-19 em Roraima


LUTO

O dia 3 de abril foi marcado pela lembrança de um ano desde a primeira morte por Covid-19 registrada em Roraima. De lá pra cá, o número de vítimas saltou assustadoramente, colocando o estado, proporcionalmente, como um dos mais letais do país. Mesmo sem a atualização de dados do fim de semana, o estado já contabiliza mais de 1.350 mortes. São muitas famílias afetadas pela perda, pela saudade e algumas também pela revolta contra o descaso e a má gestão do atual governo.

MAIS DE MIL

Ainda ano passado, no começo da pandemia, o governador Antonio Denarium (sem partido) chegou a dizer que Roraima teria pelo menos 300 mortes até o fim da pandemia. Ou ele não se preocupou em saber com o que estava lidando ou realmente acreditava que poderia conter a pandemia dessa forma. Deveria ser o correto, porém, o que se viu nesse um ano foi o total descontrole da saúde, denúncias de corrupção e mortes causadas pela negligência do Estado. O saldo vai bem além da ideia de Denarium.

MESMICE

Passado um ano do primeiro caso, a Saúde Estadual ainda não evoluiu. Denarium mudou de gestores várias vezes até ceder ao deputado Jalser Renier (SD) para não ter o mandato comprometido com pedidos de impeachment. Colocou no comando da Pasta o indicado de Jalser, Marcelo Lopes. Com falas prontas e respostas para tudo, Marcelo não conseguiu fazer a mudança que prometeu. Assim como no início da pandemia, quando tudo era novo ainda, hoje, um ano depois, falta medicamentos e até profissionais.

O QUE O GOVERNO FEZ?

O enfrentamento à pandemia em Roraima foi marcado por escândalos e pela má gestão. Denarium provou do próprio jargão que usou na campanha. Primeiro, não tinha estrutura de atendimento no Hospital Geral de Roraima (HGR). Depois, com a entrada do Exército para organização do Hospital de Campanha, o governador deixou de cumprir a parte no acordo e o resultado foi um atraso de três meses no funcionamento da unidade e, infelizmente, muitas vidas perdidas.

CORRUPÇÃO

Abrindo as portas do governo para atender a conveniências políticas e acordos com novos aliados, Denarium permitiu que fizessem de tudo com o dinheiro da saúde. O que deveria salvar vidas foi usado para favorecer empresas ligadas a políticos da base aliada de Denarium. A Polícia Federal (PF) chamou isso de conluio e disse até que era uma prática comum, enraizada na atual gestão. Na campanha, Denarium prometeu combater a corrupção. Mas, no governo, abriu espaço para ela.

MAIS CARO

Talvez o caso mais lembrado dessa situação seja o dos respiradores superfaturados. O governo pagou de forma antecipada, R$ 226 mil por cada aparelho, os mais caros do Brasil. Após a denúncia feita pelo jornalista Bruno Perez, da Rádio 93 FM, o caso se tornou público. O governo tentou desmentir, disse que era fake news, mas contra fatos não há argumentos. Após decisão judicial, a empresa devolveu o dinheiro, mas ele ainda não voltou para a conta do governo. E a pressa imensa que existia a ponto de a Sesau pagar de forma antecipada se resumiu ao fato de que nenhum respirador foi comprado. Quantas pessoas morreram esperando esse aparelho?

NA CUECA

Por fim, a PF suspeita que parte do dinheiro que deveria ser aplicado no combate à pandemia em Roraima, tenha parado na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM). Durante a operação deflagrada para investigar indícios da interferência do político na gestão desses recursos e ligação com empresas contratadas pelo Governo do Estado, Chico foi flagrado com R$ 30 mil na vestes íntimas. Ele ainda tentou justificar, mas é difícil de acreditar que alguém com a consciência tranquila esconderia dinheiro na cueca. Chico segue como senador. A investigação da PF ainda cita os outros dois senadores, Telmário Mota (Pros) e Mecias de Jesus (Republicanos), além dos filhos de Chico, suplente Arthur Rodrigues, e o filho de Mecias, o deputado federal Jhonatan de Jesus, ambos do mesmo partido que os pais. Todos negam as acusações, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o contato entre os três senadores para evitar um novo conluio.

ABSURDA

Além da falta de remédios no HGR, segue repercutindo também a ideia absurda do governador Denarium de ressarcir quem comprou sedativo ou teve qualquer outro tipo de gasto relacionado aos pacientes internados em unidades administradas pelo Estado. Primeiro: quem comprou sedativo fez no desespero porque a venda deste produto para o público em geral está proibida. Portanto, não há como obter nota fiscal. Segundo, que diante disso, os únicos que poderão se beneficiar mais uma vez de forma corrupta com essa ação, são os aliados de Denarium ligados às empresas que poderão fabricar notas fiscais falsas para roubar o dinheiro da saúde.

ESQUEMA

Os órgãos de controle têm o dever de acompanhar de perto essa ação. Em todo o caso, a ideia de Denarium é inexplicável. Não dá pra esperar o familiar ter que comprar o que falta para depois reembolsar. Se tem dinheiro, ele deveria ser aplicado corretamente, para manter as unidades hospitalares do Estado devidamente abastecidas. Não é isso que está acontecendo.

Silêncio

Não faltam reclamações e apelos diários para compra de medicamentos em falta no HGR. Mas, parece que os senadores não veem isso. Telmário segue a linha de defesa do governador, pessoa que meses antes ele dizia que ia mandar prender. Mecias permanece calado porque não quer perder cargos na Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer), Secretaria da Fazenda (Sefaz) e em outras estruturas como a Assembleia Legislativa, onde emprega o próprio filho que é dono de quatro postos de gasolina. Já Chico precisa se esconder mesmo, porque a vergonha e a decepção são grandes.

SOLIDARIEDADE

A Coluna encerra esta edição prestando uma homenagem às mais de 1.350 famílias que perderam um ente querido nesta pandemia.

PERGUNTAS

  • Um ano depois, o que melhorou na saúde do Estado?
  • Olhando a Saúde estadual agora, Roraima estaria mesmo pronto para enfrentar uma terceira onda como disseram Denarium e seu secretário Marcelo?
  • Por que nenhum senador defende a população?

PENSAMENTO DO DIA

"Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências" - Pablo Neruda.