Coluna Roraima Alerta

Opinião: Denarium faz igual

O governador de Roraima não assinou a carta feita por 16 governadores do país que apontam erros nos dados divulgados pelo presidente sobre os repasses financeiros feitos aos Estados


AGITADO

O fim de semana foi bem agitado politicamente e não apenas em Roraima. No Estado, o destaque ficou para a participação do secretário estadual de Saúde, Marcelo de Lima Lopes, na reunião do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde. Em sua fala, Marcelo que foi indicação de Jalser Renier (SD), afirmou que o país estava sem liderança política no enfrentamento à pandemia e que competia ao Conselho se apresentar como a voz de autoridade técnica para orientar as medidas a serem adotadas. O consenso foi registrado em carta divulgada nessa segunda-feira (1º), onde ele sugere a implantação de um lockdown nacional para conter a proliferação dos casos de Covid e permitir a organização da estrutura de atendimento dos Estados. Hoje, o Brasil praticamente apresenta situações de superlotação ou colapso na saúde em todos os Estados.

RECURSOS

Ao mesmo tempo em que os secretários se mobilizaram, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) divulgava em suas redes sociais o valor repassado ao Estado durante a pandemia. Para Roraima, o Governo Federal afirma ter mandado mais de R$ 5 bilhões, sendo desses R$ 1,04 bilhão correspondente ao Auxílio Emergencial. O que chamou a atenção da população é onde esse dinheiro foi investido. Em alguns comentários mais ousados, internautas chegaram a afirmar que parte do recurso teria sido colocado na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM), que é apontado como participante do esquema de desvio de recursos da saúde estadual conforme operação da Polícia Federal.

REAÇÃO

Não demorou muito para que os governadores começassem a reagir aos dados apresentados por Bolsonaro. A maioria afirmou que o presidente incluiu na conta recursos que são obrigatórios como os repasses do Fundo de Participação dos Estados e até dinheiro enviado aos municípios. Nessa segunda-feira, mais uma carta foi divulgada, desta vez, assinada por 16 governadores. Antonio Denarium (Sem Partido), não assinou. Mas, enviou nota para a imprensa descrevendo os repasses feitos pela União e confirmando que realmente, o presidente tinha somado os recursos obrigatórios. Desta forma, para que acompanha a gestão de Denarium foi fácil entender porque ele não assinou a carta.

FAZ IGUAL

Assim como o presidente somou todos os recursos, incluindo os que têm a obrigação de repassar, Denarium faz igual ao divulgar informações sobre o aumento da arrecadação e do valor de ICMS repassados aos municípios. Geralmente, ele divulga em suas redes sociais esses dados como se fossem grandes feitos da sua gestão. Porém, não passam da sua mera obrigação constitucional. Ou seja, não há mérito nenhum para Denarium nesses repasses. Apesar disso, ele adora fazer festa com as informações, iludindo o povo. Denarium imita Bolsonaro. Mas, quando o assunto é com ele, faz questão de deixar claro que o presidente se equivocou. É um comportamento bem interessante.

PREJUÍZO

Denarium fez questão de abrir mão de recursos do ICMS do combustível de aviação, de mais de 100 itens médico-hospitalares e ainda reduziu a alíquota das empresas de energias renováveis. Na opinião de um economista consultado pelo Portal, a decisão pode gerar uma perda de aproximadamente R$ 1 milhão ao Estado. O ideal seria o Governo apresentar um plano de compensação para essas perdas. Porém, isso não foi feito e os projetos aguardam a apreciação dos deputados na Assembleia Legislativa. Na opinião de muita gente, as medidas só beneficiam os amigos empresários de Denarium. O ex-senador Romero Jucá (MDB) já fez o alerta.

MAIS AUMENTOS

Em contrapartida, a população cobrou que seria mais efetivo reduzir o ICMS da gasolina e do diesel. Em Roraima, a alíquota aplicada é de 25% para a gasolina e 17% para o diesel, anunciado pelo Governo do Estado como a mínima do praticado no país. O assunto rendeu até protesto por parte dos motoristas de aplicativo e delivery. Pois bem, se eles já não tinham gostado do último aumento, a Petrobras anunciou que vem mais reajustes por aí. Esta semana, a empresa deve aumentar novamente o valor dos combustíveis e do gás de cozinha. Em Roraima, o preço do gás é o quarto mais caro do país. Realmente, reduzir o ICMS da gasolina seria muito mais útil que ajudar apenas os amigos super empresários.

INFLUÊNCIA

Quem está ampliando a sua influência dentro do Governo é o senador Mecias de Jesus (Republicanos). Ele já tinha o comando político da CAER onde ocupou vários cargos em comissão com pessoas do seu interesse e círculo próximo. Depois das eleições, negociou a candidatura de Marcos Jorge em troca do comando da Secretaria de Estado da Fazenda. A pasta é estratégica porque define ações para os investimentos do Governo e gestão de todo o recurso público estadual. Mecias também também influencia órgãos como o Dsei-Yanomami e o Incra. Agora, com o novo cenário na Assembleia Legislativa, sem ter Jalser para medir forças, Mecias também garantiu uma pontinha aos seus. conseguiu um cargo de R$ 6 mil para o próprio filho, que é dono de uma Lotérica e um Posto de Gasolina no município de Normandia. Como o empresário vai se desdobrar para cuidar dos negócios e servir ao Estado, ninguém sabe dizer.

FAMÍLIA EMPREENDEDORA

Vale o destaque ainda para a característica empreendedora da família de Mecias de Jesus. Ele, os filhos e a esposa são donos de vários empreendimentos, incluindo a maior rede de postos de gasolina do Estado. São Postos em Amajari, Cantá, Normandia, Baliza entre outros e a maioria claro, mantendo contratos com as gestões municipais. Por isso, o aumento da gasolina não é um problema para Mecias e sua família. Pelo contrário, parece que eles são os únicos beneficiados com essa medida que pesa no bolso do trabalhador comum e mais ainda de quem perdeu sua fonte de renda nesta pandemia. A família de Mecias, por exemplo, ocupa cargos em eletivos, cargos em comissão e ainda lucra com as empresas da família. Para eles, não há crise.

PERGUNTINHA:

  1. Denarium não tem vergonha de divulgar o repasse do ICMS como se fosse um mérito quando na verdade não passa de sua obrigação?
  2. Onde todo o dinheiro que veio para a saúde foi realmente investido pelo governo do Estado?
  3. Será que Mecias está preocupado ou feliz com o novo aumento do preço da gasolina?

PENSAMENTO DO DIA

"Indiferença é a personificação do mal" - Elie Wiesel