Coluna Roraima Alerta

Opinião: Então, é Natal!

Vítimas do descaso com a saúde não têm o que comemorar nesta data. Mas, o governador insiste em negar que exista algum problema


O QUE VOCÊ FEZ?

Recentemente, o Roraima em Tempo publicou uma charge com este tema. Parafraseando a famosa música de Natal. Ela foi ilustrada com os três gestores da saúde estadual em meio ao caos que se encontra o atendimento nas unidades hospitalares do Estado. O governador Antonio Denarium (Sem Partido), o presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier (SD) e o indicado como secretária estadual de Saúde, Marcelo de Lima Lopes. Eles eram os destaques da ilustração e pareciam não se incomodar ou nem perceber os problemas que os rodeiam. De fato, o que a Charge criada pelo artista Sérgio Paulo mostrava e bem era a realidade que muitas famílias enfrentam quando precisam do serviço público de saúde.

CAOS

O Hospital Geral de Roraima está um caos. Apenas Denarium e o secretário Marcelo Lopes não admitem isso. Porém, se a situação fosse normal, eles não teriam iniciado a transferência de pacientes para o novo bloco D sem antes fazer toda a cerimônia que adoram, cheia de puxa-sacos, para inaugurar a obra. Conforme apurado pela Coluna, a decisão urgente veio depois que o HGR virou matéria nos meios de comunicação nacionais. Só assim, Denarium e Marcelo decidiram tomar uma atitude para tentar resolver o problema. 

ATRASOS

A marca da gestão da saúde é o atraso na busca pelas soluções. A entrega do Hospital de Campanha do Exército, por exemplo, atrasou quatro meses por falta de planejamento do Governo do Estado que se comprometeu em contribuir com o trabalho, mas não entregou o que era necessário. Desde outubro, o secretário Marcelo avisa que haverá transferência de pacientes para a própria estrutura do Hospital de Campanha repassada aos cuidados do Governo do Estado para funcionar como uma unidade de retaguarda enquanto o HGR e a Maternidade são reformados. Até hoje, nenhum paciente foi levado para o local. Denarium fez, de maneira emergencial, a transferência de pacientes apenas de um bloco para outro do HGR.

CEGUEIRA

Denarium está cego ou finge que não vê os problemas da Saúde Estadual. Do mesmo mal parece sofrer o secretário Marcelo Lopes, indicado de Jalser. Os dois repetem incansavelmente que não há problemas dentro do HGR. Negam a falta de material, de medicamentos e até de profissionais de saúde. Durante a transferência dos pacientes, Denarium disse que as reclamações documentadas em vídeos e fotos eram apenas um esforço da oposição para descontruir o trabalho feito para melhorar o serviço. Ele só não conseguiu explicar onde foram essas melhorias. Esqueceu, por exemplo, de falar do tomógrafo e do aparelho de ressonância que estão há dois meses quebrados, fazendo a população recorrer a rede privada, se quiser receber algum diagnóstico com base nesse tipo de exame.

FALTA

Absurdamente, falta até o medicamento para tratamento do Covid. O próprio Roraima em Tempo e outros veículos de imprensa repercutiram as reclamações de pacientes em tratamento que não conseguem ter acesso ao medicamento e precisam comprar. Um dos denunciantes que fez contato com a equipe afirmou ter gastado em 11 dias o equivalente a R$ 900. É quase o valor total de um salário mínimo. E mesmo com todos os comprovantes para mostrar o valor investido, o governador Denarium manteve a posição afirmando que a denúncia era uma mentira.

VÍTIMAS

O que se viu ao longo desta pandemia é que muitas pessoas não foram vítimas da Covid-19, mas sim do descaso com a saúde pública. São inúmeros os exemplos amplamente noticiados como a falta de medicamento para tratamento da doença, o atraso na abertura do Hospital de Campanha, o fechamento de UTI's no meio da pandemia, a falta de medicamentos como o sedativo para intubar os pacientes, os desvios de recursos em compras superfaturadas e pagas até de forma antecipada como no famoso caso dos respiradores e até o caso do cinegrafista Taylon Peres que teve o quadro de covid e pneumonia agravado depois que a água da chuva, vazando do telhado do HGR, caiu em cima dele. Taylon era um dos pacientes que estavam intubados na UTI do HGR e morreu dois depois das imagens feitas pelos profissionais de saúde da Unidade terem sido gravadas. O caso de Taylon ganhou repercussão, mas quantos outros pacientes não passaram pelo mesmo problema e morreram sem que o fato fosse noticiado? É por isso que infelizmente hoje, muitas famílias não têm o que celebrar neste Natal. 

ESPERANÇA

E para não terminar a Coluna de forma tão negativa, nossa equipe lembra que há sempre esperança. Mesmo diante de tantas dificuldades, alguns avanços foram conquistados, mas somente na esfera municipal. A Prefeitura de Boa Vista conseguiu dar uma resposta mais satisfatória à população, implantando o atendimento exclusivo à pacientes com sintomas do covid em algumas Unidades Básicas de Saúde, implantando  serviço de uma nova UBS no Hospital de Campanha do Exército, comprando com recursos próprios medicamentos e testes rápidos que deveriam ser repassados pelo Estado e até assumindo uma folha de pagamento de profissionais da saúde para contribuir com o funcionamento do Hospital de Campanha. 

RESULTADOS

Em meio às dificuldades, a Prefeitura ainda conseguiu melhorar a estrutura do Hospital da Criança e contratar profissionais para reduzir a espera pelo atendimento. O esforço foi grande e mostra a diferença dos resultados. A população também reconhece que no Hospital da Criança há qualidade, quanto no HGR só existem problemas. Numa mesma capital, é possível encontrar os opostos: uma gestão que abriu as portas para a influência de parlamentares, atendendo a interesses menos nobres e uma gestão onde as coisas funcionam de verdade. A população está de olho nisso.

VOTOS

Em nome de toda a equipe do Roraima em Tempo, a Coluna agradece aos leitores e deseja a cada família, um Feliz Natal! Voltamos com as atualizações na próxima segunda-feira (28).