Coluna Roraima Alerta

Opinião: Governo diz que está tudo bem, mas a população sabe que não é verdade

Denúncias sobre os problemas da saúde continuam, e a equipe do Governo do Estado insiste em afirmar que não falta nada no HGR


APELOS

Não faltam matérias na imprensa local mostrando as deficiências existentes na rede estadual de saúde. O próprio Roraima em Tempo está acompanhando a situação de um jovem que teve os movimentos da mão comprometido após um ato de negligência médica no Cosme e Silva. Agora, ele precisa de uma cirurgia de correção ortopédica e há cinco meses aguarda a autorização do Hospital Geral de Roraima.

SEM MOVIMENTO

O agravo na lesão está fazendo o rapaz perder os movimentos da mão. Para quem vive do próprio suor, experimentar uma situação incapacitante é condenar sua família à miséria e à fome. O paciente tentou por várias vezes uma resposta da Secretaria Estadual de Saúde, mas nada de concreto foi feito até o momento. a última alternativa foi apelar para um Tratamento Fora de Domicílio, considerando que o Estado não tem condições hoje de realizar a cirurgia que nem é tão complexa assim. Em busca de resolver a situação ele chegou a fazer um orçamento de quanto custaria o procedimento de forma particular. Quando o problema começou, há cinco meses, ele orçou em R$ 20 mil o procedimento. Agora, depois de tanto tempo e com o agravo da lesão, a cirurgia está orçada em R$ 100 mil. Isso não custeia o prejuízo que pode ser gerado para o resto de sua vida, caso ele tenha os movimentos totalmente comprometidos.

R$ 650

Esse foi o valor que outra família precisou desembolsar para pagar o exame de tomografia de um rapaz que se machucou em um jogo de futebol. O exame deveria ser feito dentro do próprio HGR, mas há pelo menos três meses o tomógrafo está quebrado e a previsão era de que um novo aparelho estaria disponível a partir deste mês. Porém, até agora nada! O Estado diz ainda que oferece o serviço em clínicas conveniadas, mas quando os pacientes vão buscar pelo serviço, a resposta é que o pagamento está atrasado e que apenas os casos urgentes estão sendo atendidos. O problema se arrasta e assim como esta família, outras precisam tirar do próprio bolso se quiserem recuperar sua saúde. Na verdade, parece que a gestão de Antonio Denarium (sem partido) acabou mesmo com a saúde pública em Roraima.

TERCEIRIZAR

Prova disso é que a nova proposta de gestão feita por Denarium, com sugestão do presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier (SD) que hoje manda na saúde e aprovada de forma rápida sem nenhum divulgação prévia, é entregar a administração dos serviços de saúde na mão de uma empresa provada. O projeto é cheio de brechas e permite por exemplo, que a empresa contrate profissionais quando não houver a oferta de mão de obra no Estado ou ainda os serviços, negociando preços e condições de atendimento à população. É a empresa que vai dizer como o dinheiro do Estado será gerido e claro que como qualquer empresa, o que ela vai fazer é buscar pelo lucro.

NÃO DEU CERTO

Se houvesse o mínimo de certeza que esse tipo de gestão funciona, haveria esperança de melhoria nos serviços ofertados à população. Porém, a experiência vivenciada em outros Estados mostra que terceirizar a gestão da saúde pode ser um grave erro. Onde esse modelo foi aplicado, se multiplicaram as denúncias sobre o desvio de recursos a partir de contratos superfaturados. No Rio de Janeiro, por exemplo, a decisão é retomar a gestão tradicional dos serviços.

ALERTOU

Desde que assumiu o governo, Denarium vem enfrentando críticas pela forma de gerir os serviços de saúde. Falta preocupação com o que mais importa: a vida das pessoas. Seu primeiro secretario, Ailton Wanderly deixou o cargo denunciando que a Saúde era usada apenas para atender aos interesses de empresários. Sete administradores depois, isso ficou evidente com a Operação da Polícia Federal que apontou a existência de um conluio no Estado, onde parlamentares da base aliada de Denarium teriam acesso livre para interferir nos processos de compra.

PODE PIORAR

Pra piorar, o governador refém da sua própria incapacidade em administrar e ameaçado por dois pedidos de impeachment, entregou o comando político da Saúde na mão de uma das figuras políticas mais criticadas de Roraima, o deputado estadual Jalser Renier. A promessa de milagre e da revolução nos serviços ficou em cima do palanque eleitoral de 2018. Hoje, quando adentra o HGR a população se depara com o descaso, com a falta de material e medicamentos, com os verdadeiros efeitos da corrupção na vida das pessoas. E a situação só tende a piorar com o modelo de gestão compartilhada, infelizmente.

PERGUNTAS

  • Como fica a consciência de Jalser e Denarium sabendo que as pessoas estão morrendo no HGR pela falta de medicamentos e materiais?
  • Qual a marca do óleo de peroba que o secretário Marcelo de Lima Lopes usa para ter coragem de ir publicamente dizer que está tudo uma maravilha na saúde?
  • Se o modelo de terceirização não funcionou em nenhum lugar do Brasil, porque Jalser e Denarium querem fazer isso em Roraima?

PENSAMENTO DO DIA

"O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem" - Arthur Schopenhauer.