Coluna Roraima Alerta

Opinião: Nada explica

Sensação compartilhada pelo roraimense foi de vergonha com a volta de Chico Rodrigues (DEM) ao Senado Federal


CONSTRANGIMENTO

A presença do senador Chico Rodrigues (DEM), ocupando uma cadeira no Senado Federal depois de ser flagrado com R$ 30 mil na cueca, causou constrangimento aos pares. Procurados por veículos nacionais, vários senadores manifestaram o incômodo em relação ao senador que representa Roraima. Apesar de alguns entenderem que não houve uma denúncia formal, outros avaliam que o ato desesperado de colocar dinheiro nas veste íntimas não se justifica. O próprio senador em carta divulgada publicamente nessa quinta-feira (18) destaca o fardo da vergonha. Mas esquece de que a responsabilidade total em relação a tudo que viveu é dele mesmo.

SUSPEITAS

O fato de a Procuradoria Geral da República (PGR) não ter apresentado denúncia contra o senador Chico Rodrigues, apesar dos indícios apresentados pela Polícia Federal (PF), não significa a ausência de crime. O relatório da PF é rico em detalhes que mostram uma estreita relação do senador com empresas contratadas pelo Governo do Estado e pagas com dinheiro da pandemia. Em vários contratos ficou comprovado o superfaturamento no preço dos produtos. O relatório inclui desde mensagens telefônicas a depoimentos de testemunhas que alegam a proximidade de Chico com os proprietários das empresas.

CUECA E CONLUIO

O episódio envolvendo Chico colocou duas palavras na moda. A primeira foi cueca, que inclusive lhe rendeu um novo apelido: Chico Cueca, reproduzido até pela imprensa internacional. Por mais que o parlamentar afirme a legalidade do dinheiro encontrado, é impossível entender o que levou Chico a colocar o dinheiro na cueca. Outra palavra que entrou na moda foi conluio. Ela foi usada pela Federal para descrever o esquema que seria comum em Roraima e que favorece parlamentares da base aliada do governador Antonio Denarium (sem partido). Segundo a PF, esses parlamentares destinam recursos e conseguem direcionar os contratos para as empresas que lhes convém. Com produtos acima do preço, o dinheiro retorna para eles. Teria sido esse o procedimento adotado por Chico. A PF estima desvio de R$ 20 milhões.

NÃO É NOVIDADE

Analisando a história política de Chico, agir dessa forma não é nenhuma novidade para ele, o que reforça ainda mais as suspeitas de irregularidades cometidas. No caso que a Coluna relatou ontem, do projeto de Café em São Luiz, foi desta forma que quase R$ 1 milhão voltou para as contas da família de Chico. Na época, ele era deputado federal e destinou recursos para serem investidos no plantio de mudas de café. A empresa contratada para executar o serviço era da própria família. O recursos foi liberado para que as mudas fossem plantadas, mas nenhuma semente chegou a Roraima. Apesar disso, o dinheiro caiu na conta da empresa e, ao que tudo indica, nos bolsos de Chico e até da esposa. Os dois são réus e o processo segue em tramitação. E quem fez uma vez pode fazer de novo.

EXPLICAR

Denarium precisa explicar a legalidade do leilão que resultou na venda dos Silos de armazenamento de grãos localizados no Monte Cristo. Anunciado como sucesso, a venda teria sido realizada por R$ 26 milhões, acima da previsão do governo. Conforme divulgado, o dinheiro será guardado para investimentos na estrutura agropecuária do Estado e apoio aos produtores. Porém, esses Silos foram construídos com recursos federais, pela Suframa. O convênio previu o investimento de R$ R$ 10,4 milhões com contrapartida de pouco mais de R$ 1 milhão do Estado. Logo que foi concluído, o complexo passou a ser administrado pela Cooperativa Grão Norte. Trata-se, portanto, de recursos federais que a princípio, torna inviável a venda dos imóveis construídos com recursos federais. Portanto, não poderia ser leiloado pelo governo, a menos que o dinheiro fosse devolvido para o órgão de origem.

CADÊ A CPI?

Uma publicação feita pelo deputado Jorge Everton chamou a atenção de pessoas atentas às questões políticas. O deputado é relator da CPI da Saúde que caiu no esquecimento depois que o governador Denarium firmou o famoso pacto pela governabilidade, entregando a gestão da Saúde nas mãos de Jalser Renier (SD). Nas redes sociais, Jorge Everton reclamou da falta de materiais que, segundo ele, foram denunciados por pacientes. Muita gente quis entender o objetivo da publicação. Como relator da CPI, como conhecedor de vários processos de compra com indícios de irregularidades, o deputado deveria agir no âmbito legal, e não cobrar nas redes sociais. Parece que ele só quis aparecer com a população. Se realmente quer ajudar, deveria reativar os trabalhos da CPI e fazer os devidos encaminhamentos das irregularidades verificadas.

AMOR CACHORRO

A música famosa da Pipoquinha de Normandia foi usada por um internauta para responder uma publicação feita por um parlamentar do Estado. Nesta quinta (18), ele fez questão de demonstrar todo o amor pela esposa. Porém, localmente, os casos extraconjugais são bem famosos. O referido parlamentar responde inclusive a um processo por agressão à mulher, onde a denunciante foi uma jovem de 19 anos que afirmava manter relações com o político desde os 15 anos. Certa vez, um dos irmãos também gravou um vídeo falando sobre a preferência do parlamentar por moças jovens. Ano passado, enquanto a esposa trabalhava, ele fez uma viagem para uma região litorânea do país, onde apareceu abraçado com um jovem. Neste carnaval, ele também foi denunciado pelo perfil Vacilo Covid em uma pequena aglomeração, ao lado de três mulheres e alguns amigos. Nenhuma delas era a amada esposa.

PERGUNTAS

  • Será que algum dia Chico Rodrigues vai conseguir explicar o que o levou a esconder dinheiro na cueca?
  • Chico voltou ao Senado, mas a relação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acabou. O que isso pode trazer de prejuízos para Roraima?
  • Por que Jorge Everton não retoma a CPI da Saúde ao invés de fazer propaganda nas redes sociais explorando a dificuldade de quem depende da Saúde?

PENSAMENTO DO DIA

"O único efeito que certas pessoas provocam é a do constrangimento"- Elisabeth Trinidad Mena.


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