Coluna Roraima Alerta

Opinião: População teme terceirização da Saúde

A notícia de que o Governo do Estado decidiu mudar a forma de gestão da Saúde se tornou uma preocupação para a população


MENSAGENS

Nas redes sociais e os nos grupos de WhatsApp o que mais se falou nessa quarta-feira (2) foi sobre o projeto aprovado de forma rápida e discreta pela Assembleia Legislativa, que permite o Estado modificar a metodologia de gestão da saúde estadual. Com a aprovação do projeto, o secretário Estadual de Saúde Marcelo de Lima Lopes, indicado pelo presidente da ALE-RR, Jalser Renier (SD), poderá compartilhar a gestão dos serviços com uma empresas privada. É a chamada gestão compartilhada que, no caso desta iniciativa, poderá ser acionada em situações em que o Governo não tiver mão de obra suficiente para atender a população ou ainda não tiver capacidade técnica para a oferta do serviço.

PREOCUPAÇÃO

Entre os comentários feitos sobre o tema, o que mais preocupa a população é a fiscalização do contrato e da prestação de serviços. A maioria acredita que a iniciativa não é benéfica para Roraima, que enfrenta um histórico de sucateamento da saúde e de roubos comprovados em compras superfaturadas. Incluir uma empresa, que naturalmente visa o lucro em busca da sua sustentabilidade, pode se tornar um ralo para o desperdício de dinheiro público. Outro ponto criticado é a forma de remuneração dos profissionais que atenderá critérios de produtividade e meritocracia, incluindo bônus por produtividade, estímulo e função comissionada. No caso de um médico, ele receberá conforme cirurgias realizadas, por exemplo. Mas, como fica esse profissional quando o Estado não consegue ofertar os materiais necessários para o trabalho? Ou como avaliar a meritocracia, considerando a realidade de Roraima, onde é comum a proximidade de um profissional com o gestor de saúde?

RAPIDEZ

Um outro aspecto que chamou atenção foi a rapidez com que o projeto foi analisado pelos deputados estaduais. É de conhecimento público que quem exerce o comando político na Saúde é o próprio presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier. Como é de conhecimento público que, o presidente mantém algumas práticas de domínio aos deputados estaduais a partir de alguns acordos firmados. O famoso áudio divulgado pelo deputado estadual Renato Silva (Republicanos) em que ele afirma que os "R$ 20 milhões não são do Jalser para ele gastar com o Ottaci", o deputado federal do SD que concorreu ao cargo de prefeito, é uma demonstração clara disso. Como a proposta interessa ao Jalser, não houve nenhuma barreira para que um projeto dessa dimensão e que envolve tantas questões polêmicas fosse aprovado de forma rápida e bem longe dos holofotes da imprensa.

VOZ

Quem ergueu a voz contra a iniciativa foi o vice-governador, Frutuoso Lins. Usando as redes sociais e com um discurso em tom de denúncia, o médico e vice-governador lembrou que esse tipo iniciativa, onde uma organização social assume parte da gestão dos serviços de saúde, é motivo de desvios constatados em vários outros lugares do país. Frutuoso salientou que o projeto foi encaminhado e aprovado em caráter de urgência pela Assembleia Legislativa sem ouvir a sociedade ou qualquer organização de profissionais de saúde. Para ele, a medida adotada pelo Governo do Estado "fragiliza muito a fiscalização, o servidor, o sistema e a saúde, além de favorecer apenas a corrupção". Está dado o recado.

SAMEL

Bastou a notícia cair no conhecimento público para muita gente lembrar o nome de uma empresa que fez sucesso nas publicações compartilhadas pelo presidente Jalser Renier e o deputado federal Ottaci: a Samel. Como Jalser detém o comando político da Saúde Estadual, muita gente aposta as fichas que será a Samel o grupo beneficiado com o contrato para fazer a gestão compartilhada dos serviços de saúde em Roraima. Considerando as informações recentes, que vieram à tona com as operações realizadas pela Polícia Federal, dando conta de que em Roraima existe um verdadeiro conluio de parlamentares que interferem na gestão dos recursos da saúde, não é difícil de acreditar nessa possibilidade.

RAPIDINHO

  • Cobrança: vai parecer engraçado, mas é pura verdade. O Governo do Estado está usando a CAER, sua Companhia de Águas e Esgotos para cobrar uma dívida de R$ 497 mil de contas atrasadas da CERR, que é Companhia Energética de Roraima. Será que isso é uma orientação do senador Mecias de Jesus (Republicano) que tem o comando político da CAER? Ou seja, Mecias está cobrando o governador Antonio Denarium (Sem Partido)?
  • Caro: dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral ajudam a calcular o preço gasto por cada candidato na busca pelo voto. É uma conta subjetiva que leva em consideração quanto o candidato gastou oficialmente em relação ao número de votos que ele recebeu. Ontem, o deputado federal Ottaci virou notícia nacional ao aparecer como o candidato que mais gastou pelo voto no Brasil, cerca de R$ 65,52 por voto. Ele também foi o candidato que sofreu a maior derrota percentual no segundo turno em todo o Brasil. Para quem acompanhou a situação de perto, sabe que a campanha de Ottaci foi milionária e o resultado foi decepcionante para todo o grupo. Um dos memes que circulou na campanha, mostrava de forma bem humorada, Ottaci reclamando de eleitores que teriam recebido boca de urna mas que não votaram nele. A sensação que existe entre os boa-vistenses é que isso realmente aconteceu.
  • Aulas: a indefinição sobre o ano letivo de 2021 continua. Nesta quarta (2), o Ministério da Educação havia publicado portaria que determinava o retorno das aulas presenciais, mas poucas horas depois revogou a decisão. Até o momento, as entidades que representam os profissionais de educação e os próprios alunos, querem que sejam estabelecidas regras claras para a adoção de medidas de prevenção contra o coronavírus. O Governo Federal ainda não conseguiu definir isso e os ajustes que serão feitos na esfera federal devem inspirar as medidas que serão adotas nos Estados e nos Municípios para definição do retorno das aulas presenciais. Por enquanto, isso ainda é uma incógnita.
  • Turismo: a região de Amajari ganhou um novo local turístico nessa quarta-feira (2). O município, que é sede de um dos roteiros mais visitados de Roraima, o Tepequém, agora conta com um terminal rodoviário para o embarque e desembarque de passeios. Com o prédio, novas alternativas poderão ser exploradas pela comunidade que encontra na atividade turística, uma opção de renda. Os recursos foram garantidos por Romero Jucá, presidente do MDB, ainda no mandato como senador. A Prefeitura concluiu a obra que deve se tornar um ponto de referência para a comunidade. Além da Rodoviária, Jucá também foi o responsável pelos recursos aplicados na Praça Turística do Tepequém. Outro atrativo para os visitantes e para a comunidade.

PERGUNTAS

  • Será que os profissionais de saúde vão aceitar o novo modelo de remuneração proposto pelo Governo?
  • A proposta da gestão integrada da saúde é um presente de Jalser e Ottaci para a Samel?
  • Como Ottaci está se sentindo depois do prejuízo eleitoral que tomou nessa campanha eleitoral?

PENSAMENTO DO DIA

Aquele que se acha esperto demais um dia acaba caindo nas garras da própria esperteza - Ninah Alves