Coluna Roraima Alerta

Opinião: Redução do auxílio emergencial afeta milhares de famílias em Roraima

A partir de agora, as famílias mais pobres vão receber apenas R$ 300


300

Foi-se o tempo em que esse número significava orgulho, relacionado à batalha épica. Hoje, 300 é o novo valor aplicado ao auxílio emergencial do Governo Federal, dinheiro que ajudou famílias em Roraima a ter renda mínima durante a pandemia. Mesmo com a retomada das atividades, a economia mundial desacelerou e os empregos não voltaram. Portanto, tem gente que depende desse recurso para comprar comida. Havia expectativa para que o auxílio fosse prorrogado até dezembro com o valor de R$ 600. O assunto virou tema de projeto de lei, mas a proposta não foi aprovada no Congresso, onde tiveram votos contrários. Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) bateu o martelo e definiu que o auxílio continua até dezembro, sem novas vagas, mas apenas com R$ 300. Esse valor sustenta uma família?

FORAM CONTRA

Ainda sobre a redução, o IBGE divulgou recentemente que mais da metade das casas em Roraima têm alguém que recebe o benefício. São mais de 70 mil lares, o que comprova a importância do auxílio para a população do estado. Mesmo com essas informações, a maioria deputados federais roraimenses votou contra a manutenção até dezembro do benefício de R$ 600. Essa votação está registrada nos documentos da Câmara e pode ser acessada por qualquer cidadão. Com essa postura, Shéridan (PSDB), Nicoletti (PSL), Ottaci (SD), Haroldo Cathedral (PSD), Jhonatan de Jesus (Republicados) e Hiran Golçanves (PP) acompanharam a redução. E não adianta dizer que é Fake News. Eles votaram para implantar o auxílio no começo da pandemia. Mas, na hora de prorrogar foram contra. Isso também é um fato comprovado.

CORRUPÇÃO

O Roraima em Tempo publicou ontem a decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), que acatou denúncia sobre o mau uso de dinheiro da Câmara. Alguns deputados foram citados e entre eles está Hiran Gonçalves. Conforme as investigações, ele se favoreceu de esquema de corrupção de falsidade ideolo?gica, associac?a?o criminosa e lavagem de dinheiro. Assim como os demais, Hiran teria firmado contrato com a empresa Atos Dois Propaganda e Publicidade Ltda (Xeque Mate Comunicac?a?o e Estrate?gia), que emitia notas fiscais para justificar gastos da cota parlamentar de forma irregular. Depois que a notícia circulou, muita gente cogitou que parte da grana supostamente desviada por Hiran pode ter ido para a pré-campanha da esposa Gerlane Bacarrin (PP), que tenta emplacar uma candidatura à Prefeitura de Boa Vista.

RAPIDINHO

  • Piada: achando que faria sucesso, o deputado federal Jhonatan de Jesus criou uma publicação ao lado do presidente Bolsonaro comemorando o auxílio de R$ 300. Será que ele acha mesmo que as famílias comemoram isso?  Elas perderam metade do que estavam recebendo. Se a economia não reagir, o Natal dessas famílias ficará bem comprometido. A postagem de Jhonatan virou motivo de reclamação e piada.
  • Eu Não Amo Boa Vista: essa frase colou na deputada federal Shéridan, tudo porque ela não destinou recursos para Boa Vista durante os mandatos na Câmara. Ontem, o Boa Vista Já mostrou levantamento feito dos recursos empenhados pela deputada. Desde 2015, ela teria empenhado R$ 76.795.437,00 para o Estado. Desse total, apenas R$ 33.713.160,00 foram aplicados em diversos municípios. Mas, para Boa Vista recebeu. É estranho que agora a deputada queira cuidar da capital que abandonou.
  • Outros casos: assim como Shéridan, Boa Vista não foi prioridade para a maioria da bancada federal. Segundo a Prefeitura, em 2019 e 2020, nenhum senador ou deputado federal destinou recursos para obras. Agora, muitos visitam ruas e bairros onde nunca pisaram e cobram providências da prefeita Teresa Surita (MDB). Teresa trabalhou  e há muito a ser feito. Porém, a cidade poderia estar melhor se os parlamentares destinassem recursos para mais obras de drenagem, de asfalto e de iluminação.
  • Acordão: ainda sobre Shéridan, fontes da Coluna reforçaram que o acordo entre ela e o senador Mecias de Jesus (Republicanos) está fechado. A jogada serviu para tirar Marcos Jorge (Republicanos) da disputa, mas não saiu barato. Para que Mecias cedesse ao apelo, Shéridan teve que garantir o comando de três secretarias municipais estratégicas. O senador quer abocanhar a Secretaria de Finanças, Saúde e a Emhur, que cuida da titulação no município. Para quem conhece a história de Mecias, o interesse fica claro. Na saúde estadual, Mecias é apontado como a pessoa que favoreceu contratos da União, Comércio e Serviços LTDA, que tem como proprietários dois primos dele. Além disso, Mecias teria se apropriado de terras no Sul do Estado. Essa suspeita está registrada até em livro. Eis o interesse na Emhur.
  • Choveu: o Roraima em Tempo denunciou o alagamento causado pela água da chuva na cadeia feminina no último fim de semana. A obra custou mais de R$ 3 milhões, nunca foi inaugurada, mas já tem graves problemas de infiltração. Após ler a matéria, um colaborador assíduo da Coluna fez o seguinte comentário: "Parece que Denarium gosta de ver água da chuva escorrendo num corredor. É só lembrar que no HGR também chove dentro. Será um novo padrão de arquitetura?". Com a palavra, o Estado.

PERGUNTAS

  • O que é possível comprar com R$ 300? Será que Shéridan, Nicoletti, Hiran, Haroldo, Ottaci e Jhonatan sabem responder isso?
  • O que deu na cabeça do deputado Jhonatan de Jesus para comemorar a redução do auxílio emergencial?
  • Por que Shéridan quer cuidar de Boa Vista se nunca ajudou a cidade como deputada federal?

PENSAMENTO DO DIA

"Assumir a responsabilidade é mais elegante que terceirizar a culpa" - Cristiano, filósofo.