Coluna Roraima Alerta

Opinião: Terceira onda?

Roraima mal está suportando os novos casos da pandemia e o Governo do Estado determinou como moda e sugeriu uma terceira onda


BRINCANTE

A forma como o Governo do Estado lida com a pandemia é assustadora. Na chamada primerira onda, ocorrida ano passado, os alertas foram feitos em fevereiro. O ex-senador Romero Jucá (MDB) foi um dos primeiros a alertar sobre os riscos da nova doença que estava chegando no país, depois de causar um certo estrago em países pelo resto do mundo. Na época, a ideia de usar máscara e palavras como isolamento social e lockdown eram coisas que pareciam muito distantes da realidade de Roraima. Pois bem, ninguém ouviu o alerta. Menos ainda o governador Antonio Denarium (Sem Partido), que seguiu permitindo os maiores absurdos na gestão da saúde estadual. Infelizmente, o governador não levou a situação a sério e o resultado foi uma catástrofe na sua imagem, na sua gestão e no número de mortes. Ele previu 300 e meses depois, o Estado contabilizava quase que o dobro disso.

DESASTRE

A gestão da saúde estadual virou um desastre. Nada acontecia de forma rápida ou com a urgência que era necessária, a não ser as mortes. A população reclamava. O Hospital Geral de Roraima entrou em colapso (e parece que nunca mais saiu dessa condição). Faltava de tudo, mas o dinheiro chegou. Veio apoio do Governo Federal, da Igreja, de Ongs, de empresas e até de bancos. Se para Denarium o jargão "Dinheiro tem, não tem gestão" era marca da sua campanha, continuou valendo para as cobranças feita pela população. Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) divulgou nas suas redes sociais que destinou para a gestão do seu aliado em Roraima, o equivalente a R$ 5 bilhões. Onde esse dinheiro foi aplicado, ninguém sabe explicar. Na verdade, nem Denarium se dispôs a explicar se a conta feita pelo presidente estava correta ou não. Ele optou por não assinar a carta feita pelos governadores contra a matemática do presidente. Como ele se negou a isso, indica que pode ser cobrado pelos R$ 5 bilhões.

ATRASOS

A demora na tomada de decisões marcou as ações do governo. O Hospital de Campanha do Exército só entrou em funcionamento depois de quatro meses de atraso. E o problema foi causado inteiramente pelo Governo do Estado que pactuou as ações, mas não cumpriu com os compromissos assumidos. Sem o Hospital de Campanha, a população sofria para conseguir um leito e a pandemia se tornava cada vez mais grave. Houve atraso também na compra de itens básicos para o comabte à doença. Em um dos processos denunciados nacionalmente, a compra foi feita sem licitação e de forma urgente para adquirir testes rápidos. A entrega deveria ser feita em sete dias. Mas, 90 dias depois, nenhum teste havia chegado para atender a população de Roraima e o Governo do Estado não tomou nenhuma providência no período. Mais uma prova de que o problema não era dinheiro e sim gestão.

ESCÂNDALO

O limite da incompetência ficou evidente no escândalo dos respiradores superfaturados. A denúncia foi feita pelo jornalista Bruno Perez, no programa Rádio Verdade, da 93 FM. Na época, o Governo do Estado negou e ainda chegou a afirmar que a denúncia era uma fake news. Mas, bastou o olhar dos órgãos de controle para que as irregularidades fossem confirmadas. O Governo pagou R$ 6,4 milhões de forma antecipada para comprar 30 respiradores. Cada um custou em média R$ 215 mil. Era um dos preços mais caros praticados no país. E apesar de receber a grana de forma antecipada, a empresa contratada não entregou a mercadoria. O caso, virou alvo de ação judicial. A compra foi cancelada. Denarium afirmou que não sabia de nada e atribuiu a culpa ao ex-secretário Francisco Monteiro. Dias depois, ele foi exonerado, numa coletiva onde o senador Telmário Mota (Pros) defendeu a intenção do secretário e ainda pediu uma salva de palmas para o ato de corrupção.

DA INTERVENÇÃO PARA A TERCEIRIZAÇÃO

No lugar de Monteiro, assumiu o coronel Olivan que em poucos dias no comando da pasta, recomendou ao governador Denarium uma intervenção na Saúde Estadual. O pedido foi negado e dias depois, num arranjo com a Assembleia Legislativa comandada por Jalser Renier (SD), Denarium firmou o pacto pela governabilidade, entregando a gestão da saúde para Marcelo de Lima Lopes, pupilo do ex-presidente da Casa Legislativa. A promessa era reorganizar os serviços de saúde e ainda assim, a população vivenciou cenas de horror, como pacientes morrendo sem ter o sedativo necessário para os manter intubados ou ainda, com a água da chuva jorrando em cima do leito de UTI onde seus familiares estavam internados.  Sob o comando de Marcelo, o Estado atravessou o período da redução de casos. O Hospital do Exército foi desmontado e a estrutura física negociada para ser repassada ao Estado. O objetivo era usar a unidade como retaguarda para as reformas estruturais no Hospital Geral e na Maternidade, mas claro, o Estado atrasou de novo. O Hospital de Retaguarda abriu de forma improvisada, e só depois de uma recomendação judicial. Para organizar a saúde, Marcelo apresentou a proposta de terceirizar a saúde, que passou rapidamente pela Assembleia e foi logo sancionada por Denarium.

SEM MÉDICO

A proposta decretou o fim do contrato com a Cooperativa de Médicos e a realização de seletivos para contratar pagando por produção. Esta semana, o Ministério Público Estadual flagrou o resultado da proposta: mais de 25 pacientes internados no Hospital de Rorainópolis e nenhum médico para atender. Após uma liminar, a Sesau divulgou que já havia convocado novos profissionais. Mas, até agora não informou se o Hospital do Sul do Estado teve sua equipe recomposta.

TERCEIRA ONDA

Convocado pela Assembleia Legislativa, Marcelo voltou à Casa de onde saiu. Questionado por ex-colegas de trabalho, teve que explicar porque a população segue denunciando a existência de problemas enquanto o governador afirma nacionalmente, que está tudo Cada Dia Melhor. Marcelo justificou tudo com a sua lábia habitual e repetiu o discurso do chefe Denarium, de que o Estado está pronto para enfrentar uma terceira onda. Hoje, apenas com duas ondas, o Estado soma 1.160 vítimas e ainda há 98 óbitos em investigação. Não há reserva de leitos disponíveis. O Estado atua no seu limite de capacidade que oscila entre 80% e 100 % de ocupação. Familiares seguem fazendo cota para comprar medicamentos e materiais. As denúncias são públicas, mas o Governo nega que exista desabastecimento. Nessas condições, só resta a Coluna se unir aos apelos de centenas de roraimenses pedindo para que Deus nos livre dessa terceira onda, tão destacada por Denarium.

INSISTÊNCIA

Fica a dúvida: por que Denarium insiste tanto em manter a ideia de Jalser de terceirizar a gestão da saúde? A proposta passou rápido na Assembleia mas foi contestada tanto pelo Tribunal de Contas do Estado quanto pela Procuradoria Geral do Estado. Além disso, ficou provado que esse sistema é o caminho mais simples para que a corrupção toma conta da Saúde. Isso aconteceu em todos os lugares onde o modelo foi aplicado, e quem optou pela terceirização está arcando com sérias consequências judiciais. Denarium não está mais sob o julgo de Jalser que deixou de ser o todo-poderoso da Assembleia, mas segue deixando a saúde nas mãos do ex-presidente. Isso, ninguém consegue explicar.

PERGUNTINHA:

  1. Será que Denarium acredita mesmo que a saúde do Estado está cada dia melhor?
  2. Por que os deputados não reativam a CPI da Saúde e fazem a averiguação de todas as denúncias apontadas pelo grupo?
  3. E por que o Governo do Estado vai insistir na terceirização da saúde quando esse modelo não funcionou em nenhum outro lugar do Brasil?

PENSAMENTO DO DIA

"O óbvio freia a ignorância, mas não a teimosia" - Élis Rocha