Coluna Roraima Alerta

Opinião: Uma bancada em silêncio

Sem moral com o presidente, os atuais representantes do povo preferem calar a defender o próprio Estado


PREJUÍZO

A operação da Polícia Federal que flagrou o senador licenciado Chico Rodrigues (DEM) com dinheiro na cueca expôs a fragilidade com que os recursos estaduais, especialmente os da saúde, são geridos. Segundo a investigação, esquema envolvendo Chico teria desviado R$ 20 milhões por meio de indicações de empresas que forneceriam produtos e serviços a preços superfaturados. Ganhando mais, essas empresas, supostamente aliadas de Chico, faziam parte do lucro exorbitante voltar para o senador. O mesmo esquema teria sido praticado pelo ex-deputado federal Abel Galinha, também do DEM. Entre 2017 e 2019, ele teria desviado R$ 14 milhões da Saúde Estadual.

REPERCUSSÃO

Só nessas duas operações o rombo estimado é de R$ 34 milhões, dinheiro que deveria salvar vidas. O documento produzido pela Polícia Federal vai além e afirma que existe um conluio na gestão de recursos do Estado, no qual parlamentares aliados ao governador Antonio Denarium (sem partido) teriam livre condição para influenciar processos de compras e manter esse tipo de esquema. Não é à toa que os outros dois senadores, Mecias de Jesus (Republicanos) e Telmário Mota (Pros), também foram citados no inquérito pelo ex-servidor da secretaria que delatou o esquema. Ambos negam qualquer tipo de participação.

CASOS DE FAMÍLIA

Ao que parece, Mecias e Chico estimularam os filhos a seguirem os passos na política e nas práticas ilícitas. O inquérito cita o deputado federal Jhonatan de Jesus (Republicano) filho de Mecias. E, assim como o pai, ele nega as acusações. No caso de Pedro Rodrigues (DEM), filho de Chico, a situação é mais delicada. Ele é suplente do próprio pai e o mais cotado para assumir a cadeira no Senado. Mas, o nome não está completamente limpo. Além de a Polícia Federal encontrar arma de fogo que pertenceria ao jovem, ele também foi alvo de denúncias envolvendo contratos do Dsei-Leste, órgão da Saúde Indígena, onde o pai tem comando político. Logo após a investigação, Pedro foi acusado por empresários e funcionários do Dsei de ser o operador de Chico no recolhimento da propina referente aos contratos firmados pelo órgão. De acordo com uma das empresas que pagava para manter a prestação do serviço, era o próprio Pedro que recolhia pessoalmente o dinheiro.

VERGONHA

Se o caso de Chico causou vergonha extrema aos roraimenses, o envolvimento de Pedro nos esquemas preocupa o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que é do DEM, mesmo partido de Chico e Pedro. A situação pai e filho é vista como condição que pode manchar a imagem da Casa. Nos bastidores, fala-se de uma ação dos colegas senadores para tentar fazer o assunto esfriar e desviar a atenção da população. Tanto que, mesmo com a licença de 121 dias, a Mesa Diretora ainda não convocou Pedro para ocupar a cadeira do pai. Nessa confusão, Roraima perdeu vidas, dinheiro e o Estado segue com a representatividade comprometida.

ESCURO

Essa falta de liderança pode comprometer o futuro de Roraima. Mesmo com as falas repetidas de que o Estado era a menina dos olhos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não prioriza as demandas locais. Promessas como a rápida retirada das correntes do Jundiá, legalização do garimpo em áreas indígenas, solução eficaz para o enfrentamento, crise migratória e a própria continuidade do Linhão de Tucuruí, ficaram apenas no discurso. Aliás, o que se percebe é que Bolsonaro tem deixado Roraima e os problemas de lado, tanto que foi autorizada a retirada do último transformador reserva da EletroNorte para enviar ao Amapá. O equipamento saiu de Roraima no fim de semana e deixa a população no risco de ficar no escuro, caso ocorra algum problema na geração de energia dos parques térmicos.

SILÊNCIO

Tudo isso aconteceu e a população não ouviu nenhum dos parlamentares se posicionarem contra a retirada do equipamento. Estranhamente, a maioria desses parlamentares estava no palanque de Bolsonaro e acusava o ex-senador Romero Jucá (MDB) de ser culpado pelos problemas de Roraima. Agora, eles, que vão para o terceiro ano de mandato, não conseguiram fazer praticamente nada. Não cumpriram as promessas eleitorais, nem defendem a população em questões importantes como a Saúde e Energia. O Governo Federal faz o que quer e eles permanecem calados. No Governo do Estado todos são atuam como cúmplices.

ÚNICO

Nesse cenário de falta de comprometimento, o único que tomou atitude prática para defender a população foi o ex-senador Romero Jucá. Por meio do MDB, partido do qual é presidente em Roraima, ingressou com duas ações judiciais: uma para manter o transformador no Estado ou pelo menos garantir que o Governo Federal devolva o equipamento assim que a situação no Amapá esteja devidamente estabilizada; e a segunda contra a Roraima Energia, para que a empresa mantenha o estoque de oito dias de combustível, necessário para manter o fornecimento de energia caso exista problema para a aquisição do combustível. Como divulgado nas redes sociais, a decisão agora compete à Justiça, mas ninguém poderá dizer que ele não fez algo de concreto em defesa do estado".

ATITUDE

Um colaborador da Coluna comentou que o ex-senador foi o mais prejudicado em 2018 com o tema energia. "À época, foram registrados mais de 47 apagões só nos meses da campanha eleitoral e a oposição divulgou exaustivamente a fake news de que Jucá era dono da Roraima Energia, o que nunca foi verdade. Mas, a população acreditou e ele perdeu nas urnas. A verdade é que Jucá foi o único parlamentar que realmente trabalhou para tentar garantir a segurança energética em Roraima. Foi ele que garantiu os recursos para a obra de Tucuruí, que brigou pela liberação da licença ambiental em duas parte, permitindo que a obra fosse retomada no sentido Boa Vista/Manaus, até que se resolva a questão judicial com os índios woamiri-atroari. E por fim, foi ele o único que teve uma visão responsável sobre o tema: com a dificuldade na Venezuela aumentando, Guri sem manutenção e nada da justiça liberar a obra de Tucuruí, a solução para que Roraima não ficasse no escuro foram as termoelétricas. Jucá contribuiu para a instalação desse sistema reserva no Estado que se tornou nossa única fonte de energia desde 2019. Sem isso, estaríamos no escuro. Hoje, a população começa a entender que tudo que os atuais senadores e até alguns deputados falaram nas eleições de 2018, era uma grande mentira. E Jucá poderia ter uma atitude igual a de muitos políticos que perdem seu mandato: sumir e deixar a população ficar com os seus problemas. Mas, ao contrário disso, ele tem sido o único a defender Roraima, mesmo depois de sofrer com todas as mentiras que inventaram contra ele". Feita a transcrição a Coluna lembra que mentira tem pernas curtas e neste caso, a verdade favorece Jucá.

PERGUNTAS

  • Será que ninguém vê o que está acontecendo com a gestão do Estado de Roraima? Ou quem tem responsabilidade de defender a população está ganhando alguma coisa para ficar calado?
  • Se o modelo de gestão compartilhada da saúde não deu certo em nenhum outro lugar do Brasil, é certo trazer isso para Roraima?
  • Deputados e senadores vão ficar em silêncio mesmo depois de o Governo Federal retirar o transformador de energia reserva do nosso Estado?

PENSAMENTO DO DIA

"Pior que se arrepender é ter o orgulho de não reconhecer" - Igor Jardim.