Coluna Roraima Alerta

Opinião: Vergonha e arrependimento

Recondução do senador Chico Rodrigues (DEM) ao Senado Federal revelou o arrependimento de mais um voto errado do povo de Roraima


CONSTRANGIMENTO

Todo mundo ainda quer saber se o senador Chico Rodrigues (DEM) vai voltar ou não para o Senado. O retorno causa desconforto entre os parlamentares. Em entrevistas a veículos de comunicação nacionais, alguns classificaram a possibilidade do retorno de Chico como uma  situação de "constrangimento". O caso chegou a ser encaminhado ao Conselho de Ética, mas devido à pandemia não foi analisado, porque o colegiado suspendeu as atividades. Porém, é interessante notar que o presidente do Conselho é o senador Jyame Campos, do DEM, mesmo partido de Chico. Portanto, não houve esforço em avançar na análise da representação. Chico seguiu, até de certo modo, protegido.

SUMIU

A estratégia do senador foi sumir do mapa. Estratégia ou vergonha. É difícil imaginar Chico Rodrigues voltando ao Estado para participar de uma solenidade pública, por exemplo. Com certeza, alguém vai lembrar que ele é o senador que escondeu dinheiro na cueca. Aliás, dinheiro que, conforme a Polícia Federal (PF), teria sido desviado dos recursos que o Governo do Estado recebeu para aplicar no combate à pandemia. Considerar a possibilidade de que Chico pode ter "metido a mão" no dinheiro da Saúde, no dia em que o Estado ultrapassa as mil mortes confirmadas, faz pairar dúvidas sobre o ato desesperado de Chico. Nada justifica ou explica porque esconder R$ 30 mil na cueca.

SUSPEITO

A decisão do ministro Luís Roberto Barroso autoriza o retorno do político. Contudo, determinou o afastamento da Comissão que fiscaliza o uso de recursos para combate ao coronavírus. Seria realmente contraditório e estranho Chico continuar na função, já que ele é acusado exatamente de roubar dinheiro da pandemia. Por enquanto, são suspeitas, sem comprovação. Mas, as investigações seguem até que o assunto seja totalmente esgotado. Colocar dinheiro na cueca só aumentou as suspeitas. É impossível prever como será o retorno do senador às atividades parlamentares.

VENHA A MIM

A história de Chico é prova de que o roraimense tem memória curta. Na campanha de 2018, muitos se deixaram levar pelas fake news que circularam no período. Parte dessas informações ajudaram a eleger Chico. Porém, o fato das pessoas desconhecerem o currículo dele não anula a história complexa e marcada desde o ínicio por suspeitas de superfaturamento em benefício próprio ou da família. Colocar o filho como suplente é mostra que ele sabe favorecer os seus em todas as situações. Infelizmente, sem conhecer o passado do senador, o roraimense acreditou nas promessas de campanha e considerou Chico uma boa opção para o Estado. Ele foi o mais votado entre os candidatos.

CURRÍCULO

A extensa ficha de denúncias e suspeitas de desvio de recursos de Chico Rodrigues começa em 1988. O primeiro mandato como vereador de Boa Vista, antes mesmo do Estado ter conquistado autonomia. Em 1990, se elegeu deputado federal e cumpriu quatro mandatos na Câmara. São 16 anos no cargo sem obra ou ação em Roraima que seja resultado da atuação de Chico. Em 2007, foi eleito vice-governador ao lado de José de Anchieta, e assumiu o governo em abril de 2014, quando tentou vaga no Senado. Junto com Anchieta, Chico teve o mandato cassado duas vezes em 2011. O primeiro processo foi anulado e no segundo foi concedida uma liminar que o manteve no cargo. Em dezembro de 2014, faltando pouco menos de um mês  para a troca de governo, Chico teve o mandato novamente cassado. Em 2019, assumiu o cargo no Senado.

CHICO GASOLINA

A dificuldade para encontrar uma obra ou ação feita por Chico Rodrigues em benefício de Roraima não se aplica aos escândalos de corrupção dos quais ele é acusado. Uma simples busca pelo no Google ajuda a encontrar essas ocorrências. Entre 2014 e 2015, ele participou do esquema de apresentação de notas frias para receber o reembolso do gasto com combustível. Em entrevista, ele assumiu que usava até recibos de restaurante para ser ressarcido. Foi aí, que ele ganhou o apelido de Chico Gasolina. O valor gasto com combustível na época, era suficiente para fazer 26 viagens de Manaus a Porto Alegre. A investigação não deu em nada.

CHICO CAFÉ

O escândalo do Café foi denunciado pelo Ministério Público Federal de Roraima (MPF-RR) em 2011. Chico que era deputado federal e destinou emenda parlamentar para um projeto de plantação de café em São Luiz. O projeto nunca chegou a ser executado, mas beneficiou amigos e familiares de Chico Rodrigues que embolsaram pelo menos R$ 1 milhão. Na investigação foi constatado que o dinheiro federal para o projeto voltou para a conta do próprio Chico e de familiares.

CHICO DAS DIÁRIAS

Nenhum dos fatos anteriores foi considerado pelo eleitor roraimense que preferiu acreditar que Chico poderia ser uma boa opção para representar Roraima no Senado Federal. Mas, com poucos meses de mandato, já foi possível perceber que cuidar de Roraima não era prioridade na agenda de Chico. Com menos de seis meses, Chico se destacou com os valores astronômicos que recebeu em diárias internacionais. Ele viajou para Antártida e Cazaquistão. Por viajar ao Canadá e a Israel, ele recebeu mais de R$ 20 mil em diárias. Roraima cheia de problemas e Chico viajando para lugares que não justificam ou que não trariam nenhum resultado para o Estado. Tudo mantido com dinheiro público.

CHICO CUECA

Por fim, em 2020, Chico virou alvo da PF que apura desvio de R$ 20 milhões de recursos que deveriam ser aplicados no combate à pandemia. O caso ganhou repercussão internacional depois da divulgação do relatório da PF, no qual agentes descrevem que Chico escondeu dinheiro na cueca. Ele teria conseguido colocar nas vestes e partes íntimas, cerca de R$ 30 mil. O ato só aumentou as desconfianças sobre o envolvimento de Chico no esquema de fraudes, direcionamento de licitações e superfaturamento em contratos da Sesau.

IRREGULARIDADES

Nas diligências, a PF também verificou que Chico e seu filho Arthur Rodrigues, que é seu suplente, usavam a estrutura e servidores do Senado Federal para atender aos interesses de empresas da família. As servidoras do gabinete parlamentar, eram responsáveis por gerenciar a empresa do filho de Chico. Outra denúncia também aponta a participação dos dois em um suposto esquema de propinas cobradas de empresas que prestam serviço para o Dsei Leste. Chico nega tudo e afirma que o dinheiro que enfiou na cueca tem origem legal. Mas, ele não consegue explicar para ninguém porque decidiu esconder R$ 30 mil entre as nádegas. Foi uma atitude no mínimo estranha.

MIL VÍTIMAS

A Coluna encerra esta edição manifestando solidariedade às mais de mil famílias roraimenses que perderam um ou mais entes queridos para a pandemia. Na segunda-feira (22), a Coluna fará um balanço da situação em Roraima que é muito preocupante, especialmente, pelas denúncias de mau uso do dinheiro que deveria salvar vidas. Dinheiro tem, não tem gestão e nem controle de onde ou por quem ele está sendo usado. O governador Antonio Denarium (sem partido) e aliados têm grande responsabilidade nesse prejuízo irreversível causado por tantas mortes no Estado.

PERGUNTAS

  • Como o governador explica o saldo de mais de mil mortes por coronavirus em Roraima?
  • Será que Chico será bem recebido no seu retornou ao Senado Federal?
  • O que o roraimense aprendeu com as escolhas que fez nas últimas eleições? Será que está satisfeito com os parlamentares que elegeu?

PENSAMENTO DO DIA

"O maior estímulo da corrupção e criminalidade, é a certeza da impunidade" - Ocimar Lucato.


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