Coluna Roraima Alerta

Senadores não cumprem promessas de campanha eleitoral e Chico mantém espião

010919 RR Alerta


Polêmica
Em meio as declarações polêmicas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre os atos violentos cometidos no período da Ditadura Militar, um novo fato chamou atenção do roraimense envolvendo o sobrinho do presidente, Léo Índio. Ele é assessor parlamentar lotado no gabinete do senador Chico Rodrigues (DEM) e ao invés de trabalhar pelo Estado de Roraima tem se dedicado a uma agenda intensa de visita a Estados onde existem núcleos de oposição ao Governo Federal.

Espião
Esse comportamento incomum fez Léo Índio ser apelidado de "o espião". Nas suas andanças pelo país, ele se apresenta como interlocutor do Governo Federal, conversa com famílias aliadas ao PSL e levanta informações sobre governadores, prefeitos e outros políticos desses Estados que se apresentam como oposição ao tio, Jair Bolsonaro. Ao que tudo indica, essas informações são entregues em mãos ao próprio presidente, o que tem causado um certo desconforto até a seus aliados que gostariam de ver a atenção do presidente mais focada em questões prioritárias e menos em declarações polêmicas que só tem desgastado sua imagem pública.

Para Roraima Nada
Enquanto usa a verba do gabinete do Senado para espionar, Léo deixa de cumprir suas responsabilidades com Roraima, o Estado que deveria representar. O salário mensal do assessor chega a quase R$ 20 mil e, devido a essa agenda itinerante, com certeza ele deve custar bem mais caro para os cofres públicos, dinheiro que sai do bolso do cidadão comum. Entre os roraimenses a reclamação já é frequente: Chico Rodrigues tem em seu gabinete um assessor que fala diretamente com o presidente e poderia ajudar acelerar questões como o enquadramento, liberação de verbas federais para o Estado e ainda o apoio para enfrentar a crise migratória, mas isso não acontece.

Mais de 100 mil votos
Chico é considerado o azarão nessas eleições. Chegou ao Senado Federal com a imagem de coitadinho, fazendo uma campanha com promessas tão furadas como sua atuação até o momento. Durante uma semana, ele veiculou no horário eleitoral uma proposta para aumentar o número de vacinas contra o Sarampo. Na época, iniciava o surto da doença no país, com casos importados da Venezuela. Mas, nem essa promessa estranha ele conseguiu cumprir após seis meses de mandato. Na realidade, Chico ainda não se mostrou útil para Roraima, são mais de 100 mil votos que não tem representatividade nenhuma dentro do Senado, Congresso ou mesmo com o presidente. O senador só aproveitou a amizade com Bolsonaro para favorecer a própria família. Acolheu em seu gabinete o sobrinho do presidente Léo Índio e em troca, emplacou um dos próprios filhos em uma agência federal com um belo salário. O outro é seu suplente.

Seis meses e nada!
O roraimense votou acreditando na renovação. Os senadores eleitos garantiram que em seis meses conseguiriam destravar todas as questões que, segundo eles, atrapalhavam o desenvolvimento de Roraima. O prazo esgotou ontem e, nada aconteceu. Tucuruí segue sem previsão de começar e se não fossem as tão criticadas termelétricas, o roraimense estaria no escuro. O Estado ainda não pode fazer a regularização fundiária das glebas de terras que foram transferidas ainda no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). O tão esperado assentimento prévio, ou seja, a autorização que permite a ocupação das terras ao longo da faixa da fronteira ainda não saiu. E para isso basta apenas o presidente reunir o Conselho de Defesa Nacional (CDN) e deliberar sobre o assunto. O milagre prometido no discurso político da campanha morreu, mas a população que votou acreditando na mudança tem que cobrar. Afinal, se não tem energia de qualidade, se as terras não podem ser regularizadas agora vai ser culpa de quem?

Sem previsão

No caso do Linhão de Tucuruí, as notícias são ainda mais desanimadoras. O que foi anunciado como extrema prioridade parece ter saído da pauta de ações do Governo Federal. A empresa que venceu a licitação tenta negociar o reajuste no valor do projeto que, obviamente, ficou ultrapassado depois que as decisões judiciais atrapalharam a construção. Somado a isso, o acordo com as lideranças indígenas Wamiri-Atroari ainda não saiu, os indígenas continuam sem conceder a permissão para que a obra seja executada dentro da reserva. O tema deverá ser discutido em uma assembleia geral com todos da comunidade porém, ainda não há data definida para que isso aconteça. Ou seja, é mais atraso previsto e a obra não deve começar nem esse ano.

 

 

Mais recursos

O Governo Federal anunciou a liberação de R$ 250 mil para custear a realização de cirurgias eletivas em Roraima. Ao contrário do que muita gente pensou, essa não é uma ação específica para o Estado que sofre com o aumento da procura pelos serviços de saúde por conta da crise migratória. O Governo Federal definiu um pacote de apoio para os Estado no valor total de R$ 100 milhões, e São Paulo abocanhou a maior fatia. Ainda assim, é um valor que se bem aplicado, vai ajudar aos pacientes que aguardam na fila do Hospital Geral de Roraima (HGR).

 

CPI?

Repetindo a frase célebre do governador Antonio Denarium (PSL) tudo leva a crer que o problema da saúde estadual "não é falta de dinheiro. Mas de gestão". O Estado decretou a situação de calamidade e prorrogou o decreto a fim de garantir condições facilitadas para a aquisição de medicamentos e insumos. Mas, só no último mês, as cirurgias eletivas foram retomadas com uma fila de espera que deve acabar apenas no final do ano, se nada de extraordinário acontecer. Agora, não adianta os recursos chegarem se não houver um acompanhamento criterioso de como eles estão sendo aplicados. Além disso, é preciso também saber onde foi parar toda a dinheirama que deveria ir para o tratamento dos pacientes, pra isso, a Coluna segue cobrando que a Assembleia Legislativa mantenha a proposta de realizar a CPI da Saúde, apurando as várias de denúncias de irregularidades que mancham a imagem da Secretaria Estadual de Saúde.

 

Há chances

Por mais que os deputados de modo geral tenham deixado o assunto de lado, fontes da Coluna dão conta que a CPI da Saúde deve voltar à pauta da casa, assim que as atividades forem retomadas a partir da segunda semana de agosto. É o que a população espera desta Casa Legislativa. É inegável que a ALE evoluiu muito nos últimos anos com a oferta de serviços para a sociedade, mas ainda deixou a desejar quando não deu andamento ao processo de impeachment da ex-governadora Suely Campos, mesmo com provas contundentes dos crimes cometidos na Segurança Pública que resultaram em desvios de milhões de reais e reflexos graves para o aumento da criminalidade no Estado. Agora, há muitas suspeitas de que irregularidades semelhantes estão sendo cometidas na área da Saúde e toda iniciativa que venha contribuir para que o atendimento à população melhore, será com certeza, muito bem-vinda.


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