Economia

Atraso no pagamento dos servidores atrapalha toda a economia do Estado

Pelo menos 50% da economia de Roraima está ligada ao funcionalismo público, com consumidores sem dinheiro comércio sofre crise


Segundo economista, 50% da economia de Roraima estão ligados ao funcionalismo público; com consumidores sem dinheiro, comércio é esvaziado pela crise - Arquivo/Roraima em Tempo

A economia Roraima é historicamente baseada no contracheque, pois a maior parte do dinheiro que circula é proveniente dos cofres públicos, seja dos salários dos servidores ou dos Tesouros estadual e municipal. Mas quando ocorre um atraso muito grande em uma das esferas do funcionalismo público, todo o Estado fica prejudicado.

É o que está acontecendo atualmente em decorrência do atraso no pagamento dos servidores estaduais. A falta de salários em dia influencia negativamente outros setores.

O comércio é o primeiro a sentir os reflexos dos atrasos de pagamento. Com os salários não saindo em dia, o consumidor fica com medo de se endividar e compra apenas o que julga essencial. Datas comemorativas que costumam movimentar as lojas, passam despercebidas frustrando quem investiu e esperava um retorno positivo.

Pedro Fernandes tem uma loja de confecções e esperava um aumento razoável nas vendas no Dia das Crianças, mas a expectativa se transformou em decepção com a procura baixa dos consumidores.

"Eu esperava vender 10%, até 15% mais do que vendi na mesma época do ano passado, mas a verdade é que as vendas caíram em torno de 20%. Agora, é tentar uma promoção para minimizar o prejuízo", disse.

De acordo com o economista Fábio Martinez, 50% da economia de Roraima giram em torno da administração pública e os atrasos prejudicam imensamente a economia do Estado.

"O comércio acaba sendo um dos grandes prejudicados com esses atrasos, porque as pessoas evitam fazer novos gastos e esse setor, que vive de vendas de mercadorias para esse público, acaba tendo uma retração e uma redução no volume de negócios", relatou.

Ainda segundo Martinez, nessa época de incertezas o comércio acaba sofrendo esses efeitos negativos.

"Para tentar amenizar os efeitos negativos, o comércio pode fazer promoções para tentar atrair esse tipo de público que está com pouco dinheiro", aconselhou.