Notícias Locais

Candidatos reclamam de problemas em aplicação de prova de concurso

Falta de segurança do lacre e confusão sobre folha de rascunho geram dúvidas em candidatos


Concurso da Assembleia Legislativa já foi cancelado uma vez por suspeita de fraude - Arquivo/Roraima em Tempo

O concurso da Assembleia Legislativa de Roraima realizado no último domingo (23) já está gerando reclamações de candidatos. A falta de segurança no lacre das provas, a confusão na hora de liberar a folha de rascunho e o despreparo dos fiscais criam dúvidas sobre a legitimidade da prova que já foi cancelada uma vez por suspeita de fraude.

Vários candidatos a vagas de assistente legislativo e taquígrafo procuraram o jornal Roraima em Tempo para questionar alguns comportamentos que eles julgam "estranhos" em uma prova para concurso.

Uma estudante que preferiu não se identificar contou que foi a responsável por conferir o lacre da prova na sala dela. Ela achou estranha a facilidade de como a prova poderia ser violada.

"Nós que fomos verificar o lacre e achamos muito estranho porque era de arame. Era só abrir [o arame], não parecia ser seguro. Depois que você abria, ele encaixava numa numeração e a gente achou estranho, tanto que a outra menina que conferiu comigo, também pensou o mesmo", disse.

A candidata explicou ainda que nas instruções das provas havia a informação de que a última folha, a de rascunho, o candidato poderia destacar e levar para casa com o gabarito, caso terminasse antes do tempo obrigatório, de uma hora e meia, para ter o caderno de prova, mas muitos candidatos reclamaram que os fiscais não os deixaram levá-la.

"Eu tenho o costume de ler as instruções, e lá dizia que a última folha eu poderia destacar e levar pra casa. Como terminei a prova cedo, não quis esperar até às seis horas para sair com o caderno de prova, então eu destaquei a folha onde anotei o gabarito e levei. Fiz isso na frente da minha fiscal que não falou nada, e quando eu saí da sala vi o pessoal comentando que não conseguiu sair com a folha. Estou preocupada de ser prejudicada por causa disso, mas ninguém disse nada na minha sala, e a fiscal saía toda hora e a gente ficava sozinho. Foi muito estranho, bem diferente de outras provas que já fiz", concluiu.

Na sala de Ana Gabriele Carvalho, uma discussão tomou conta depois de um desentendimento entre o fiscal e alguns candidatos que desejavam levar a folha de rascunho da prova para casa. De acordo com a candidata, isso atrapalhou quem estava fazendo a prova.

"Na prova passada, que foi cancelada, tinha a última folha que era de rascunho para a pessoa levar pra casa, só que poderia fazer isso antes do horário de pegar o caderno de provas. Só que nessa de agora, só dava para levar com o caderno, o que não faz sentido. Se eu for levar o caderno, não preciso da folha de rascunho com o gabarito, aí teve esse desentendimento, porque as pessoas queriam levar, mas o fiscal não estava deixando. Deu confusão, começaram a discutir, e quem queria fazer a prova pedia silêncio, mas os ficais estavam tentando convencer os candidatos que não poderiam levar. O fiscal só dizia que estava tudo no edital, era só o que ele dizia, e isso atrapalhou", relatou.

As provas do concurso da Assembleia Legislativa de Roraima foram organizadas pela Funrio e já haviam sido canceladas em junho por suspeitas de fraude. Depois, o concurso foi adiado outras duas vezes até que a prova foi aplicada no último domingo (23).

A reportagem entrou em contato com a organizadora do concurso, mas não houve resposta até a conclusão da matéria.

SEE ALSO ...